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José Paulo do Carmo 25/05/2018
José Paulo do Carmo

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Porque as mulheres têm mínimos, e os homens os faróis fundidos

Existe um novo léxico instalado na nossa sociedade que nos remete para uma série de designações paradoxais como “os 40 são os novos 30” ou “o rosa é o novo preto”. Há uns dias ouvi também que “os homens são as novas mulheres e as mulheres são os novos homens”.

Embora a frase não deixe de ter a sua piada, o seu conteúdo - ou, pelo menos, a sua intenção - remete-nos para uma formatação quadrada, como se a sensibilidade fosse apenas uma característica feminina ou a virilidade só pudesse ser reclamada como definição do género masculino. É um pouco como na política, como se temas que nos dizem respeito a todos pudessem ser apenas de esquerda ou de direita porque assim, um dia, foi definido.

Há, no entanto, um facto que perdura para além do tempo e que se mantém intacto, qual pedra filosofal ou pintura rupestre. É que, nas saídas à noite, as mulheres têm mínimos, e os homens os faróis fundidos. E o que quero eu dizer com isto? Que o maior “estafermo” de mulher (independentemente dos gostos, das características físicas ou psicológicas que variam de uns para outros, felizmente ), se quiser “safar-se” com um homem no fim da noite, “safa--se”. Posso garantir que algum estará disponível. Basta procurar. Já o homem mais apagado, bexigoso, chato, irritante e borbulhento está completamente tramado. Se for rico, ainda pode ter alguma sorte; de outra forma, será mais difícil do que acertar no euromilhões. E isso pode ser considerado, de alguma forma, discriminação negativa - e talvez ( com tanta regra disparatada que por aí anda) punível por lei.

Isto porque para as mulheres existem mínimos. Elas são mais calculistas e ponderadas. É óbvio que há exceções e que até podem não ser assim tão poucas mas, regra geral, uma mulher não nos leva para casa no fim de uma noite de copos se achar que na manhã seguinte vai acordar e, quando olhar para nós, vai achar que está a ver o diabo. Ela não se predispõe a isso. Consegue, mesmo com a “vela encharcada”, medir o dever e o haver, o valor que pode ter o prazer daquela ação versus o custo de acordar connosco no dia seguinte. E quando a probabilidade não a favorece, ela normalmente não arrisca para não passar por esse “filme”. Prefere ir para casa trocar mensagens intermináveis com as amigas. Elas serão, por isso, sempre melhores economistas do que nós porque medem melhor o “custo de oportunidade”.

Já a grande maioria dos homens não são nem um pouco assim. Quando o ambiente começa a aquecer e o álcool a subir, parece que um qualquer objeto não identificado lhes quebra os faróis e, como que por magia, deixam de ver. Instinto animal. Apenas sentem. Sentem, logo querem. E por vezes querem tanto que tanto faz. É o que aparecer. E no dia subsequente voltam ao velho drama de não saberem onde estão e porque estão - e quando olham para o lado, sem a maquilhagem e as luzes baixas, parece que veem o diabo. E lá se agarram a morder a fronha da almofada, tentando sair de fininho, mas, regra geral, como deixaram as calças no meio do chão e viradas do avesso, uma qualquer moeda marota resvala do bolso e faz um barulho que, no meio de todo aquele silêncio, parece ensurdecedor. Mas ela não acorda. Felizmente, (para ela) nunca acorda. Ou melhor, finge que não ouve e mantém os olhos semicerrados - mesmo com o arrastar de uma cadeira e com o chiar da porta -, e ele lá sai, com os boxers ao contrário e a camisa mal abotoada. Arrependem-se os dois: ela porque acreditou nele e ele porque nem a viu.

Mas nem todos são assim, também há por aí homens civilizados, educados e corretos que não fogem e não se escondem. Assumem as suas responsabilidades. Pode por isso (mesmo que as probabilidades não joguem a favor) daí nascer uma bela… amizade!

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