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Turismo sobe e pressiona habitação

Turismo sobe e pressiona habitação

Sónia Peres Pinto 22/05/2018 16:09

Só em março Portugal registou quatro milhões de dormidas, o que permitiu ao setor ter proveitos de 220 milhões. Estes números recorde levam preço por metro quadrado a disparar.

A Páscoa voltou a puxar pela atividade hoteleira em Portugal. O número de hóspedes em março aumentou 11,6% para 1,5 milhões, enquanto as dormidas cresceram 10,3% para quatro milhões face a igual período do ano passado. Também os proveitos hoteleiros registaram uma subida de 17,5%. totalizando 220 milhões de euros, revelaram os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

As dormidas nos hotéis, que representam 71,9% do total, apresentaram uma subida de 11,1% em março, destacando-se, à semelhança dos meses anteriores, a evolução das unidades de três estrelas (14,5%). Nos alojamentos turísticos, a subida foi de 22,7%, nos apartamentos turísticos de 13,8% e nas pousadas de 12,8%.

O mercado interno foi importante para este novo crescimento do setor - um aumento de 16,3% contra 7,9% em fevereiro -  traduzindo-se em 1,1 milhões de dormidas, «resultado influenciado pelo efeito de calendário do período da Páscoa, com impacto no final do mês».

Já o mercado externo registou uma subida de 8,2% (5,5% em fevereiro) para 2,9 milhões de dormidas. Só os espanhóis (turistas para quem a Páscoa é tradicionalmente um período relevante para férias) apresentaram uma subida de mais de 75%. Mas não ficou por aqui, já que se assistiu ao crescimentos de 22,8% dos turistas da Suécia, de 22,3% dos turistas dos Estados Unidos ou de 16,3% dos turistas do Brasil.

Por regiões, o Alentejo destacou-se com aumentos de 29,9% em março. Também o Norte registou subidas de 18,9% e a região Centro de 17,4%. Estes resultados revelam, segundo a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, «o crescimento sustentado da atividade turística, com o contínuo alargamento a todo o território e ao longo do ano, bem como a dinamização do turismo interno, que constituem prioridades da estratégia que estamos a implementar».

A estada média dos turistas em março foi de 2,64 noites, o que segundo o INE representa uma descida de 1,1% (refletindo um aumento de 4,7% no caso dos residentes e uma queda de 3,2% no caso dos estrangeiros). A taxa líquida de ocupação-cama atingiu 43%, num aumento de 2,8 pontos percentuais.

O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) foi 37,3 euros em março, o que se traduziu num aumento de 16,8% (+8,4% em fevereiro), com os valores mais altos a serem encontrados na zona de Lisboa (64,2 euros) e na Madeira (51,3 euros).

Mais taxas

À boleia do crescimento do setor surgem cada vez mais câmaras a apostarem na implantação de taxas turísticas. O mais recente caso é Sintra que aprovou a aplicação de uma taxa de dois euros  por dormida até ao limite de três diárias. A medida deverá vigorar a partir de 2019 e será «afeta a projetos, estudos, equipamentos ou infraestruturas que produzam impacto direto ou indireto na promoção e qualidade do turismo no município numa «perspetiva de crescimento sustentável e a prazo», diz a proposta camarária. 

Esta autarquia vem juntar-se à região do Algarve que, em março, também aprovou a  taxa turística de dois euros por dormida a implementar a partir d 2019. «São receitas a aplicar em infraestruturas ligadas aos setores do turismo e da cultura, para combater a sazonalidade e promover a qualidade do destino turístico que é o Algarve», revelou a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL).

Mas estes não são casos isolados. O Porto também já cobra, desde março, dois euros por dormida até um máximo de sete noites. Um exemplo que já tinha sido seguido por Cascais em 2017 - que cobra um euro por cada dormida -  e que permitiu à autarquia arrecadar cerca de 1,6  milhões.

Recorde-se que a primeira cidade a aplicar a taxa turística foi Lisboa. Esta entrou em vigor em janeiro de 2016 e só no ano passado rendeu mais de 15 milhões.

Pressão sobre imóveis

O que é certo é que o turismo não para de crescer e faz uma maior pressão sobre o mercado imobiliário. E os dados falam por si: ainda não são conhecidos os dados referentes a 2018, mas no final do ano passado, o valor médio dos preços dos imóveis vendidos em Portugal fixaram-se em 932 euros por metro quadrado, o que representa um aumento de 7,6% face ao  final de 2016. Mas na cidade de Lisboa, considerada a mais cara do país, o valor quase que triplica ao fixar-se nos 2.438 euros por metro quadrado, revelou o INE. 

E há freguesias na capital e no Porto que, no período de um ano, registaram aumentos na ordem dos 30%.  No entanto, há casos em que essas subidas chegaram a atingir os 50%. É o que se verifica, por exemplo, na freguesia de Santo António (que juntou as freguesias de São José, Coração de Jesus e São Mamede), considerada a mais cara da capital, em que o preço por metro quadrado se fixou em 3.827 euros.

Também a freguesia da Misericórdia (que inclui a área do Bairro Alto e do Cais do Sodré) não escapa a esta tendência ao registar um aumento de 30,2% e com o preço por metro quadrado a ultrapassar os 3.500 euros. O mesmo exemplo é seguido pela freguesia de São Vicente (que abrange a zona da Graça), onde as vendas totalizaram uma mediana de 2.667 euros por metro quadrado. 

A verdade é que esta subida foi sentida em todo o país, tendo mesmo chegado aos municípios mais baratos. Ainda assim, os preços continuam a ser muito díspares entre as várias regiões. Do município mais barato do país (Pampilhosa da Serra, onde as casas se venderam a um preço mediano de 130 euros por metro quadrado) ao mais caro (Lisboa, com um preço mediano de 2.827 euros por metro quadrado) vai uma diferença de 2.697 euros por metro quadrado. 

 Também o Porto não fica alheio a esta tendência e também aqui os preços estão a aumentar a ritmo acelerado. A zona mais cara é a União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, onde comprar casa custa 1.955 euros por metro quadrado, mais 20% do que em 2016. É também mais do dobro dos preços registados em Campanhã, a freguesia mais barata, onde o metro quadrado custava, no final do ano passado, uma mediana de 822 euros. 

 A região algarvia também registou um aumento de preços, com os alojamentos vendidos a fixarem-se nos 1.383 euros por metro quadrado. Nos municípios de Loulé (1.756 euros por metro quadrado), Lagos (1.624 euros por metro quadrado), Albufeira (1.510 euros por metro quadrado), Tavira (1.398 euros por metro quadrado), Lagoa (1.379 euros por metro quadrado) e Vila do Bispo (1.348 euros por metro quadrado) verificaram-se preços de venda de alojamentos existentes acima do valor médio. 

 

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