17/11/18
 
 
João Lemos Esteves 22/05/2018
João Lemos Esteves

opiniao@newsplex.pt

David Duke, líder do KKK: o novo herói do Bloco de Esquerda?

Temos alertado para o discurso xenófobo do Bloco de Esquerda que, em vários domínios, se aproxima perigosamente (ou ultrapassa mesmo pela direita, o que é incrível!) da narrativa da extrema-direita de inspiração nazi

1. Portugal, nos últimos dias, é um país sitiado pelo futebol: um grupo de criminosos, disfarçados de adeptos de um clube português histórico, com a cumplicidade (talvez indireta ou, citando o próprio, involuntária) de um presidente irresponsável e pirómano, lograram absorver por completo o espaço público. Liga-se a televisão e o que se vê? Bruno de Carvalho falou; Bruno de Carvalho vai falar; Bruno de Carvalho irritou--se com Jorge Jesus; Jorge Jesus acalmou os jogadores; Juve Leo desmente; Juve Leo confirma; líder da Juve Leo tem um BMW azul; jogadores do Sporting deprimidos; Ferro Rodrigues a falar sobre a crise do Sporting; Marcelo Rebelo de Sousa a comentar o… Sporting; Dias Ferreira, do Sporting, arrepende-se e contraria Dias Ferreira, versão de há dois meses, do Sporting – e assim sucessivamente. Parece interminável.

2. Há um aspeto analítico que resulta evidente da abordagem mediática ao futebol que é transponível para a cobertura dos assuntos políticos: a obsessão da maioria dos jornalistas em criar uma narrativa. No futebol, a lógica é engendrar uma narrativa que seja vendável comercialmente; na política, a narrativa é gizada atendendo aos interesses políticos que pretendem prosseguir. Salvo honrosas exceções (que, em Portugal, ainda continua a haver, basta atentar no i e no “Sol”), os jornalistas políticos (ou políticos-jornalistas) tendem a inculcar os seus próprios preconceitos ideológicos na abordagem a factos ou pessoas, embora se reputem sempre como imparciais e objetivos. Apresentam, destarte, a sua visão pessoal da realidade como se fosse “a” realidade, a única realidade, a “realidade verdadeira” – e o público (sobretudo com as características do povo português, com uma paupérrima intervenção política e ainda mais escassa cultura política) continua a reconhecer máxima credibilidade e respeitabilidade aos órgãos de comunicação social tradicionais: se o jornalista diz que assim é, então é porque é assim mesmo – eis o state of mind da maioria do povo português.

3. Ora sucede, porém, que a objetividade e imparcialidade do jornalista é um mito (reiteramos: salvo honrosas exceções!) – antes, os jornalistas políticos têm as suas preferências ideológicas que tentam fazer vingar através da autoridade própria que eles sabem que mantêm junto do povo português. Por conseguinte, nós temos alertado para o paradoxo da democracia portuguesa: um partido como o Bloco de Esquerda, que vale menos de 10% nas urnas, tem um peso seis ou sete vezes superior nas redações dos principais jornais nacionais. Daí que pareça que é o BE – e este novo PS radical que António Costa impulsionou, por imperativo de sobrevivência pessoal – que controla a agenda política em Portugal. Pior: a própria política internacional é vista pelo prisma ideológico-preconceituoso do Bloco de Esquerda. Não há análise crítica, não há isenção, não há equilíbrio – há, tão-somente, uma abordagem que sirva os interesses políticos da esquerda e da extrema-esquerda.

4. Um exemplo? Nós temos alertado para o discurso xenófobo do Bloco de Esquerda que, em vários domínios, se aproxima perigosamente (ou ultrapassa mesmo pela direita, o que é incrível!) da narrativa da extrema-direita de inspiração nazi. O caso mais flagrante é o antissemitismo militante da esquerda portuguesa: a argumentação anti-Israel, antijudeus, afirmando-se mesmo em alguns blogues que os “judeus não passam de uma criação do império norte-americano”, poderia ser facilmente subscrita por um qualquer seguidor ou delfim de Adolf Hitler. Se este problema fosse exclusivo dos políticos, a gravidade seria mitigada; infelizmente, contudo, os jornalistas militantes das causas da esquerda acabam por seguir cegamente a mesma linha argumentativa. Basta atentar no tom e no estilo da cobertura feita pelos jornais portugueses da transferência da embaixada dos EUA em Israel para a cidade de Jerusalém (mais uma decisão corajosa e acertada do presidente Donald Trump!) e dos conflitos subsequentes que ocorreram na Faixa de Gaza. Note-se que a SIC criou uma peça apenas para salientar que para a cerimónia oficial só tinham sido convidados “amigos milionários de Donald Trump”… Isso é que é importante – apesar de ser mentira!

5. A nossa imprensa – vergonhosamente e em violação das mais elementares regras deontológicas – apresentou os confrontos como sendo obra do “assassino Estado israelita”. Foi Israel que, com o objetivo de promover a celebração da decisão do presidente Trump, incluiu no “programa de festas” uma matança na Faixa de Gaza – esta é uma insinuação torpe, vil e lamentável que perpassa nas notícias publicadas nos órgãos de comunicação social do costume. Houve até um canal dito de humor (que ninguém vê, mas que sobrevive sem que se saiba porquê nem como…) que dedicou um programa inteiro ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, apelidando-o de “violador”, de “serial killer”, de “terrorista”, equiparando-o moralmente a Bin Laden e ao ISIS! Será que não há limite para a falta de honestidade? Será que ninguém se preocupa com os efeitos perversos para a nossa democracia da promiscuidade total entre agendas político-partidárias e algumas redações? Atenção: os jornalistas têm a liberdade de serem meras vias de transmissão dos interesses de certos políticos – têm, todavia, de o assumir perante a opinião pública. A transparência tem de valer para todos os agentes políticos, incluindo para os políticos-jornalistas.

6. Ora, a nossa equiparação do discurso do Bloco de Esquerda àquele que é perfilhado pela extrema-direita não se trata de mero juízo vazio ou gratuito. Não: pelo contrário, trata-se de um facto devidamente comprovado. Senão, comparemos as últimas afirmações bombásticas de David Duke, o líder da organização racista americana KKK, com as do Bloco de Esquerda. Efetivamente, David Duke escreveu recentemente que o presidente Donald Trump não passa de um presidente globalista, na ótica dos EUA, e nacionalista, na ótica de Israel. Que Donald Trump havia sido “comprado” por Israel. E quem é o herói de David Duke, como se constata por uma visita (sempre penosa!) ao seu perfil no Twitter? O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, como se comprova pelos vídeos partilhados e pelo apoio que Duke manifesta às declarações que o primeiro proferiu sobre o “pecado original e perene” do povo judeu. Duke não se inibe ainda de se colocar ao lado do Hamas no objetivo de destruição de Israel (como via para a aniquilação dos judeus) e apelando à participação nas iniciativas do movimento BDS (Boicote, Desenvolvimento e Sanções) como meio de iniciar o processo de “morte natural” de Israel.

7. Pois bem, o que fez o Bloco de Esquerda na passada semana? Depois de apelar ao boicote à canção de Israel na Eurovisão (o povo respondeu dando precisamente a vitória a Netta!), o Bloco de Esquerda – numa manifestação de autoritarismo e totalitarismo que julgávamos inviável nos dias que correm – pressionou o diretor artístico do Teatro D. Maria ii, Tiago Rodrigues, a desmarcar a sua ida a Israel para participar em evento cultural. Porventura, terá mesmo jogado a carta do seu afastamento do teatro – ou da exclusão do grupo de artistas bloquistas que se julgam moralmente superiores… Ora, como é que alguém que é artista, que deveria preservar a liberdade acima de tudo e contra todos, se submete à triste posição de seguir ordens de um partido político sobre opções da sua vida pessoal e artística? É incompreensível – acaso preferiria Tiago Rodrigues participar em eventos da organização terrorista Hamas, que utiliza seres humanos como escudo de guerra? Que financia o ISIS, que ceifa vidas de europeus inocentes, apenas porque gostam de se divertir e – olhe só! – de assistir a espetáculos culturais que teoricamente deveriam ser hinos à liberdade e à tolerância?

8. Tiago Rodrigues – que não conhecemos, mas que nos asseguram ser bastante talentoso – prestou um péssimo serviço à liberdade e à cultura. Sabemos agora que Tiago Rodrigues mais não é do que um funcionário de facto do Bloco de Esquerda – tudo pela Catarina Martins, nada contra a Catarina Martins. E já agora: se o racista e xenófobo David Duke tiver conhecimento da decisão de Tiago Rodrigues de boicotar Israel, fazendo o jogo dos amigos honorários dos terroristas do Hamas, certamente que o irá elogiar nas redes sociais, partilhando os seus vídeos. Nós, democratas e defensores da liberdade, é que lamentamos a falta de cultura (e de liberdade!) do homem da cultura Tiago Rodrigues. Meu caro Tiago, são estas as companhias que quer para si: Catarina Martins (que é muito simpática, engraçada, mas odeia a liberdade a sério!) e David Duke? Confiamos que não.

 

joaolemosesteves@gmail.com

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