20/11/18
 
 
José António Saraiva 21/05/2018
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

Bruno perderia sempre

Quando Jorge Jesus se tornou treinador do Sporting, disse-me que Bruno de Carvalho era um homem “muito inteligente”. Se é, não parece.

Depois da derrota na Madeira escrevi que, se o Sporting perdesse a final da Taça de Portugal, iríamos assistir a uma guerra como jamais se viu no futebol português. Nunca me passou pela cabeça que essa guerra estalasse “antes” da final do Jamor. Mas foi o que aconteceu.

Nas vésperas do jogo mais importante da época para o Sporting, uma tropa de choque da claque invadiu o centro de treinos e bateu no treinador e nos jogadores. Quem pensaria que tal pudesse suceder?

Dir-se-á que Bruno de Carvalho não teve qualquer culpa pelas agressões – o que ainda está por apurar. Só que, na véspera do jogo, fez uma conferência de imprensa onde agrediu verbalmente os jogadores, “continuando” os ataques de Alcochete, chegando a culpá-los pelo que lá aconteceu! Caberia na cabeça de alguém responsabilizar os jogadores pelas agressões de que foram vítimas? E fazê-lo, ainda por cima, na véspera de uma final?

Mas não contente em culpar os jogadores “em geral”, Bruno de Carvalho culpou o guarda-redes Rui Patrício por, alegadamente, ter insultado adeptos. Espantoso! Um homem que ataca tudo e todos, que chama nomes às pessoas, que não respeita ninguém, vem indignar-se pelo facto de o guarda-redes ter insultado adeptos (que antes o tinham insultado a ele)?

Ouve-se e não se acredita.

Se Bruno de Carvalho fosse inteligente – ou não estivesse limitado nas suas capacidades mentais – teria feito uma conferência de imprensa exatamente ao contrário do que fez: defenderia a equipa, culparia os responsáveis pelas agressões em Alcochete, incitaria os jogadores à vitória no Jamor. Desse modo, ainda poderia partilhar alguns louros pela eventual conquista da Taça. Mas atacando mais uma vez a equipa, pôs-se de fora. Se a equipa tivesse ganhado, seria uma vitória “contra o presidente”.

Mas se o Sporting perdesse, como perdeu, Bruno de Carvalho também perderia.

Um presidente que ataca os jogadores na véspera de uma final assume a responsabilidade pela derrota, se ela acontecer.

Assim, Bruno de Carvalho perderia sempre ontem. Perderia se a equipa ganhasse, perderia se o Sporting perdesse.

Ora, um homem que se coloca nesta posição pode ser inteligente? Pode, se estiver mentalmente perturbado. E é esse o perigo. Bruno de Carvalho não parece estar bem. Um adepto que numa final da Taça não vai ao Jamor, que está de costas voltadas para a equipa, que perde quer a equipa ganhe ou perca, já nem sequer pode ser considerado adepto. Porque presidente deixou de ser há muito tempo.

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