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Sporting. Ministério Público pede preventiva para grupo de Alcochete

Sporting. Ministério Público pede preventiva para grupo de Alcochete

Rosa Ramos 21/05/2018 08:08

As medidas de coação dos 23 detidos durante os incidentes de Alcochete podem vir a ser conhecidas já hoje. Faltam as alegações dos advogados de defesa para o juiz decidir

O Ministério Público (MP) pediu ontem a prisão preventiva dos 23 detidos que agrediram, na passada terça-feira, jogadores, funcionários e o treinador do Sporting na Academia de Alcochete. A medida de coação mais grave de todas é justificada pelo MP com o “perigo de fuga” do grupo, o “perigo de perturbação do inquérito”, o “perigo da continuação da atividade criminosa” e o “perigo de perturbação da ordem pública”. 

As diligências no Tribunal do Barreiro prosseguem hoje, a partir das 9h30, com a audição dos advogados de defesa dos arguidos - até ontem à tarde, apenas tinha sido ouvido um defensor. Só depois serão fixadas as medidas de coação pelo juiz de instrução criminal. Ontem, à saída do tribunal, os advogados do grupo mostraram-se surpreendidos com a posição do Ministério Público. 

Em declarações ao “JN”, Pedro Madureira, que representa três dos arguidos, garantiu não estarem “preenchidos todos os pressupostos legais” para se verificarem os nove crimes pelos quais o grupo está indiciado: terrorismo, sequestro, incêndio florestal, detenção de arma proibida agravada, resistência e coação sobre funcionário, introdução em lugar vedado ao público, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada e dano com violência. 

Os 23 detidos - de um grupo de cerca de 50 agressores que “invadiram” a Academia do Sporting - começaram a ser ouvidos na passada quinta-feira. Só nove aceitaram falar ao juiz de instrução criminal no primeiro interrogatório. 

“São meus amigos” No sábado, o líder da Juve Leo - claque a que pertencem, segundo a GNR, alguns dos detidos - falou pela primeira vez sobre os incidentes de terça-feira. Nuno Vieira (conhecido por “Mustafá”) deu uma conferência de imprensa em que anunciou que será instaurado “um processo interno” para apurar o alegado envolvimento de elementos da Juve Leo no ataque.

Mustafá negou, por outro lado, que tenha havido intervenção de Bruno de Carvalho nas agressões. “Em nenhum momento houve qualquer sugestão ou aval do presidente ou de elemento do Sporting para haver uma ação contra os jogadores”, esclareceu o líder. Recorde-se que, como o “Sol” adiantou este fim de semana, Bruno de Carvalho reuniu com a claque no início deste mês. No encontro foi questionado por alguns elementos sobre se poderiam “dar um ‘apertão’” aos jogadores da equipa principal, após a derrota do Sporting frente ao Atlético de Madrid. Bruno de Carvalho terá respondido para “fazerem como entenderem”. 

O presidente tem, no entanto, outra versão: diz que respondeu aos adeptos que não haveria apertões e que sugeriu um encontro “entre todos” para “apoiarem” o plantel. Uma e outra versão coincidem, assim, no facto de elementos da Juve Leo se terem disponibilizado para “apertar” os jogadores. 

Ainda durante a conferência de imprensa, e questionado pelos jornalistas sobre se conhece os elementos da claque detidos pela GNR, Mustafá respondeu prontamente: “Querem saber o quê? Se eu conheço as pessoas que estão ali? Conheço. São meus amigos? São meus amigos. E isso não vou desmentir”, admitiu. 

Antigo líder barrado Um dos adeptos do Sporting que estiveram na Academia na tarde das agressões foi ontem impedido de entrar no Jamor, onde decorreu a final da Taça de Portugal. Segundo adiantou o “DN”, Fernando Mendes, que foi líder da Juve Leo até 2000, terá sido barrado por agentes da PSP quando tentava assistir ao jogo, acompanhado por um amigo. 

Durante a operação de segurança da final de ontem - em que o Sporting perdeu a Taça para o Desportivo das Aves -, a PSP fez pelo menos 19 detenções, todas nas imediações do estádio. 

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