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Deputados pedem iniciativas contra a violência no desporto

Deputados pedem iniciativas contra a violência no desporto

Miguel Silva Filipa Traqueia 17/05/2018 09:18

Enquanto uns defendem quadros legislativos severos, outros acreditam que a legislação já existe e que falta a fiscalização 

Pelos corredores da Assembleia da República, o tema mais discutido entre os deputados é o caso das agressões no Sporting. E os sentimentos de vergonha e vexame são transversais a todos os partidos e aos adeptos de vários clubes.

“É algo que não é dignificante nem para o futebol, nem para o desporto, nem para o país”, diz Carlos Peixoto, deputado do PSD, enquanto José Miguel Medeiros, sportinguista e deputado do PS, afirma sentir-se “completamente vexado” com o que aconteceu, um sentimento partilhado também por José Cesário, do PSD e adepto do clube.

Para Cristóvão Norte, do PSD e também sportinguista, esta agressão aos jogadores “é uma página negra na história do Sporting e do desporto português”. Diogo Rodrigues, do PS, considera que, para além de “lamentáveis”, estes acontecimentos não deveriam sequer ser toleráveis: “A sociedade não pode ter tolerância para com estes acontecimentos criminosos.”

O ataque aos jogadores de futebol na academia de Alcochete gerou vários comentários desde o próprio dia do ataque. É o caso de Hélder Amaral, deputado do CDS e comentador desportivo na CMTV, que considera esta agressão “um ato criminoso” que nada tem “a ver com o futebol”. “Isto não tem nada a ver com os adeptos que, como eu, estão zangados com os jogadores.”

“Mesmo que se tratasse da pior equipa do mundo, dos piores jogadores, equipa técnica, etc., os atos violentos seriam inaceitáveis”, diz ao i Vitalino Canas, deputado do PS. Tendo em conta o desempenho da equipa ao longo da época, “estes atos são particularmente estúpidos”, acrescenta.

Em relação às muitas piadas que têm circulado na internet sobre o acontecimento, Duarte Marques, do PSD, deixa o apelo: “Não é tempo de fazer piadas sobre o Sporting, é tempo de mudar o que se passa no futebol.”

Se, enquanto apreciadores de futebol, partilham o sentimento de tristeza, enquanto deputados defendem que é preciso agir. “Já é tempo de fazer uma reflexão sobre o tema e tomar medidas energéticas para acabar com a violência e o preconceito”, reforça Cristóvão Norte, sugerindo “um quadro normativo que seja de tal forma severo que estimule o desencorajamento da violência.”

Também José Manuel Pureza, do Bloco de Esquerda – que não quis comentar o caso concreto do Sporting – considera que “o parlamento pode sempre ter iniciativas”. “A legislação que se aplica ao mundo do desporto tem sido uma preocupação muito presente ao longo desta legislatura”, acrescentou, lembrando os diplomas aprovados para evitar a corrupção nos eventos desportivos. No entanto, acredita que os acontecimentos recentes podem motivar uma nova discussão sobre o assunto em sede parlamentar de forma a melhorar a legislação e a fiscalização existentes.

José Miguel Medeiros coloca a tónica na aplicação da legislação em vigor. “O parlamento, o que pode fazer nestas circunstâncias, é fiscalizar se as leis estão a ser aplicadas por quem as tem de aplicar, não pode fazer muito mais que isso porque o parlamento é um órgão legislativo e de fiscalização.”

Para o PCP, estas manifestações de violência que aconteceram no Sporting “não são separáveis de expressões antidemocráticas como a conflitualidade gratuita, o populismo ou o incentivo ao ódio, mais amplamente disseminadas na sociedade”. E, por isso, “mais do que nova legislação, o que se impõe é o cumprimento efetivo da legislação já hoje existente relativa à violência no desporto e ao combate à atividade criminosa”, disse o partido em comunicado.

Culpas e culpados

“Têm de ser apuradas responsabilidades e a começar dentro do Sporting, designadamente na direção, pela forma como, ao longo deste tempo, se tem incentivado este tipo de linguagem sectária e que estimula e legitima, à luz de adeptos fanáticos, comportamentos que não são aceitáveis numa sociedade civilizada e num Estado de direito democrático”, criticou Medeiros, que não põe de parte o papel da comunicação social no problema. “A forma como as linhas editoriais têm dado relevo a estes painéis de comentadores, legitimando quase combates de boxe entre os próprios – como assistimos, ainda esta semana, a tentativas de agressão entre comentadores –, com os jovens em casa a assistir: o que podemos esperar?”

Para Medeiros, isto foi mais do que um acontecimento isolado. “Eu acho que temos de perceber que este fenómeno, provavelmente, não é episódico, que veio para ficar e que temos de o encarar de frente”, rematou.

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