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Os (poucos) amigos do ex-líder do PS

Os (poucos) amigos do ex-líder do PS

Patrícia de Melo Moreira Luís Claro 16/05/2018 17:54

Cada vez são mais os socialistas que viram as costas ao ex-líder. Ainda há, porém, deputados e militantes que recusam desertar num momento difícil.

Não foi só a direção do PS a mostrar vergonha pelo comportamento de José Sócrates. O líder que conseguiu a única maioria absoluta para o partido e foi reeleito várias vezes com votações acima dos 90% está cada vez mais isolado. «Mentiu ao país, ao seu partido, aos correligionários, aos camaradas, aos amigos. E mentiu tanto e tão bem que conseguiu que muita gente séria não só acreditasse nele como o defendesse», escreveu a jornalista e ex-namorada Fernanda Câncio, numa crónica no Diário de Notícias. 

Desde que foi preso, quando regressava de Paris, no dia 22 de novembro de 2014, Sócrates tem visto os apoios a encolher, mas nem todos os socialistas o deixaram cair. Paulo Campos, ex-secretário de Estado das Obras Públicas, é um dos mais próximos. Quase todos os dias está em contacto com o ex-primeiro-ministro e ajuda-o a organizar iniciativas com o almoço de “confraternização” marcado para dia 20 de maio, uma semana antes do congresso do PS. O pai do ex-secretário de Estado, o  fundador do PS António Campos, é outro dos apoiantes incondicionais.  «Aprendi na vida que se deve ser solidário. Uma pessoa que seja amante dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos não pode ficar insensível a isto», disse, numa entrevista ao i, o histórico socialista.  

Muitos dos que continuam na política ativa viraram a cara a Sócrates ou optaram pelo silêncio. Os deputados socialistas Renato Sampaio e Isabel Santos são a exceção. No dia em que Sócrates se desfiliou do PS, Renato Sampaio não evitou deixar uma indireta para os amigos que se afastaram. «Ao contrario de outros, nunca reneguei as minhas amizades.  José Sócrates é meu amigo e meu camarada. Hoje é um dia muito triste», escreveu, na sua página do Facebook, o deputado socialista e líder do PS/Porto. Renato foi um dos socialistas que abandonou o congresso do PS, há três anos e meio, para visitar José Sócrates na cadeia. Isabel Santos também foi a Évora nesse dia e criticou os dirigentes do partido que se manifestaram «envergonhados» com a atuação do ex-primeiro-ministro. No Facebook, também no dia em que Sócrates bateu com a porta, a deputado socialista recusou «linchamentos públicos» e alertou que «não se apagam incêndios com gasolina».

Sócrates fala regularmente com estes socialistas e aproveita para ouvir a opinião de cada um sobre as suas aparições públicas. Não são estranhos os encontros em casa do ex-primeiro-ministro. «São jantares de amigos com 30 ou 40 pessoas», diz um socialista. Mais ambiciosos e com objetivos políticos são os almoços de «confraternização» que se realizam desde o dia em que José Sócrates saiu da prisão. Ana Lúcia Vasques, que pertence à Comissão Nacional do PS, tem a missão de ajudar a organizar o evento que pretende reunir, num restaurante no Parques das Nações, mais de 200 pessoas. Basta ir à página do Facebook de Ana Lúcia Vasques para perceber a devoção que tem pelo ex-primeiro-ministro. A foto de capa  é de José Sócrates e não faltam posts com elogios. «A história política não se apaga, perdurará. E, como em tantas ocasiões no tempo incerto, será reconhecida», garante. 

O almoço servirá para medir o que resta da popularidade de Sócrates dentro do PS numa altura em são cada vez menos os que estão dispostos a aparecer ao seu lado. 

 

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