16/11/18
 
 
Carlos Zorrinho 16/05/2018
Carlos Zorrinho
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PS – A via da democracia radical

Haverá a tentação de usar o 22.º congresso do PS para reescrever a História. Mas o partido tem um desafio maior

A um ano das eleições europeias e a menos de dois anos das eleições legislativas e das eleições regionais na Madeira, com uma linha de governação e de participação no projeto europeu estabilizada e internamente consolidada, o 22.o Congresso do Partido Socialista (PS) constitui um espaço privilegiado para um debate sereno sobre o futuro, sem dispensar um saudável balanço crítico sobre as experiências e as concretizações do passado.

Ao longo da sua história, o PS liderou sempre os processos de inovação na política portuguesa. A sua missão, neste momento histórico, é olhar para o futuro e adaptar a forma de aplicação dos princípios e valores que definem a sua identidade aos novos desafios da sociedade, traduzindo-os em ação política a favor das pessoas. 

Há quem anteveja um congresso de ajuste de contas histórico entre a designada Terceira Via e a via das causas de esquerda. Esta dicotomia pode fazer títulos mais ou menos bombásticos, mas já não faz sentido.

A Terceira Via teve o seu tempo e o seu contexto. Falhou devido à incapacidade da regulação, a sua chave mestra, de assegurar a igualdade de oportunidades e a justiça no acesso aos bens públicos num contexto de mercado liberalizado. É uma via do passado. Está morta e enterrada.

A via das causas de esquerda é intemporal e unificadora. A questão não é definir o que é prioritário fazer, mas sim encontrar as melhores formas de concretizar as prioridades no mundo de hoje.

As linhas de orientação programática do PS aprovadas em 2004, ao posicionarem o PS como um partido empenhado na aplicação radical dos princípios democráticos, abriram a vereda ideológica pela qual é agora viável mobilizar a cidadania ativa para as grandes causas: a via da democracia radical.

Antecipou-se um caminho que hoje é fundamental percorrer para combater as desigualdades democratizando radicalmente o acesso à saúde, à educação e às oportunidades da nova sociedade digital. Para reduzir as assimetrias atuando radicalmente sobre o ordenamento, a mobilidade e os incentivos à fixação e à atração de pessoas para os territórios. Para promover a dignidade e a proximidade através de uma política radicalmente justa de rendimentos, apoio às iniciativas criadoras de riqueza e descentralização das respostas públicas. E, finalmente, para ajudar a preservar o planeta com a aposta radical na transição energética, na economia circular e na valorização da cultura, do património e da qualidade de vida.

Muitas serão as tentações de usar o congresso da Batalha para reescrever a História. Sem memória e sem autocrítica não é possível enfrentar o futuro com sentido transformador. Por isso, sem renegar nada do seu passado, das suas vitórias, das suas insuficiências e da aprendizagem que delas deve extrair, o PS tem no seu 22.o congresso um desafio maior.

O desafio de consolidar a esperança e de ser um dos bastiões da democracia do futuro, como o foi da democracia conquistada com a Revolução de Abril e da pluralidade renascida no projeto europeu, reforçando o seu papel como espaço de afirmação de uma política progressista nos objetivos e radical na mobilização e na ambição.

Eurodeputado

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