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Dia negro no Sporting com agressões e 21 detenções

Dia negro no Sporting com agressões e 21 detenções

Bruno Venâncio e Rosa Ramos 16/05/2018 10:15

Cerca de 50 adeptos da Juve Leo agrediram jogadores e treinador Jorge Jesus. Sporting em estado de sítio 

A tarde de ontem foi de estado de sítio na Academia do Sporting. Cerca de meia centena de adeptos do clube leonino invadiram as instalações, em Alcochete, e, de cara tapada, agrediram jogadores – entre eles Battaglia, Bas Dost, Misic e Acuña –, o treinador do clube, Jorge Jesus, e outros elementos das equipas técnica e médica, deixando um rasto de destruição no balneário. À hora de fecho desta edição havia 21 detenções confirmadas.

Segundo adiantou ao i fonte da GNR – que mobilizou para o local várias valências, desde a Unidade de Intervenção à Investigação Criminal do Montijo, passando por elementos de várias esquadras da zona –, foram identificados mais de 40 adeptos, muitos ligados à claque Juve Leo. As detenções estão ligadas a crimes como posse de arma proibida (foi apreendido um taco de hóquei que terá sido usado para agredir jogadores) e posse de artefactos pirotécnicos (petardos e tochas). De acordo com a mesma fonte, um dos agressores foi detido por resistência e coação sobre funcionário, depois de ter tentado abalroar um carro da GNR durante uma perseguição às portas da Academia do Sporting.

O adepto estava ao volante de um BMW X1 onde seguiam outras sete pessoas e entrou na localidade de Malhada de Meias, tendo seguido por uma rua sem saída. Encurralado, terá tendo abalroar a viatura da Guarda. 
Ao final do dia de ontem, já depois de o Sporting ter confirmado e repudiado os incidentes, prometendo fazer “todas as diligências no sentido de apurar cabais responsabilidades”, o posto da GNR de Alcochete estava em sobressalto: as instalações, modestas, não chegavam para a quantidade de detidos. 

Enquanto isso, o governo reagia, falando ao país numa conferência de imprensa, e a Procuradoria-Geral da República anunciava a abertura de um inquérito. A secretária de Estado da Administração Interna, Isabel Oneto, repudiou “veementemente” o ato de “vandalismo criminoso” e garantiu que as forças de segurança vão “tomar medidas para que o jogo” do próximo domingo, para a Taça de Portugal, entre o Sporting e o Desportivo das Aves “decorra com segurança” no Jamor. A análise de risco do jogo está a ser refeita e o governo prometeu “medidas de coação” que evitem que eventos semelhantes aos de ontem se repitam. 

SMS para as mulheres

Ontem à tarde, os jogadores tinham treino marcado para as 16h e os incidentes começaram por volta das 17h. Um grupo de cerca de 50 encapuzados entrou na academia. Começaram por ameaçar os jornalistas que estavam à entrada e passaram pelas barreiras de segurança. Depois, dirigiram-se ao balneário e, num espaço de minutos, lançaram o pânico, com os alarmes das instalações a tocarem. 

“Trancaram os jogadores lá dentro, começaram a partir tudo, acenderam tochas e desataram às chapadas e às cabeçadas”, contava ao i, ontem à tarde, fonte próxima de um dos jogadores do Sporting. O pânico foi de tal ordem que houve jogadores a contactar as famílias e a pedir-lhes para saírem da zona de Lisboa. “Houve quem dissesse às mulheres para fazerem as malas e regressarem às cidades de origem”, descreve a mesma fonte. Entretanto começaram a circular nas redes sociais vídeos que mostram o estado em que o balneário ficou, semidestruído. E fotografias do holandês Bas Dost, ferido na cabeça com uma barra de ferro e também nas pernas. 

“Todos a Alvalade”

A seguir às agressões, o grupo saiu da academia a pé, mas havia carros à sua espera nos arredores. Segundo o i apurou, a identificação dos agressores aconteceu em dois momentos. Numa primeira fase, a GNR identificou 20 adeptos, ainda nas imediações da academia, e fez uma detenção. Cerca de uma hora depois era identificado outro grupo, nos arredores do centro comercial Freeport. Ao que i apurou, os adeptos foram denunciados pela roupa e pelo cheiro a artefactos pirotécnicos. 

O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, chegou a Alcochete acompanhado por André Geraldes, às 18h35. E os jogadores só começaram a abandonar as instalações por volta das 20h30. Uma hora depois, mais de mil adeptos juntavam-se em Alvalade numa manifestação de apoio aos atletas. “Todos a Alvalade, hoje às 21h30! Vamos condenar as agressões aos jogadores e apelar a que entrem em campo no próximo domingo rumo à conquista da 17.a Taça de Portugal! Temos de demonstrar que o que se passou hoje não é o Sporting!!!”, podia ler-se numa das várias publicações nas redes sociais que apelavam ao encontro. 

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