21/10/18
 
 
José Cabrita Saraiva 16/05/2018
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Bruno pôs os adeptos contra os jogadores, o resultado está à vista

Bruno de Carvalho não foi um dos encapuzados nem o encomendador do ataque, presumo. Mas pode ser considerado o seu instigador. A forma como tem lidado com os jogadores – criticando-os em público, ameaçando com processos disciplinares e acusando-os de serem “meninos mimados” – deixou os adeptos mais primários em “ponto de rebuçado”, à espera da primeira oportunidade para descarregarem a sua frustração nos atletas

Lá diz o ditado que “quem semeia ventos colhe tempestades”. Bruno de Carvalho pode recusar toda a responsabilidade e emitir comunicados a condenar os acontecimentos inaceitáveis de ontem à tarde. Mas a verdade é só uma: existe um elo direto entre o tom do discurso do presidente do Sporting e a invasão da Academia de Alcochete.

Foi Bruno de Carvalho quem mandatou aquela milícia de ultras para agredir atletas e elementos da equipa técnica? Provavelmente não, mas o simples facto de haver quem coloque esta pergunta já diz muito.

O clima em Alvalade, tanto quanto sabíamos, já era de guerra civil. O que vimos ontem na televisão fez lembrar um cenário de batalha campal num qualquer país do Terceiro Mundo. Jogadores e técnicos, por muito conturbado que fosse o momento, nunca imaginariam que iam viver momentos de pânico como os de ontem. E a maioria deles, se já estavam ressentidos, duvido que alguma vez consigam reconciliar-se com a massa adepta e até com o clube.

De quem é a culpa?

Bruno de Carvalho não foi um dos encapuzados nem o encomendador do ataque, presumo. Mas pode ser considerado o seu instigador. A forma como tem lidado com os jogadores – criticando-os em público, ameaçando com processos disciplinares e acusando-os de serem “meninos mimados” – deixou os adeptos mais primários em “ponto de rebuçado”, à espera da primeira oportunidade para descarregarem a sua frustração nos atletas. Discursos disparatados têm consequências imprevisíveis.

No domingo, após a derrota na Madeira, as tentativas de agressão no aeroporto constituíram o ensaio geral (e o presidente do clube nada disse sobre o assunto...). Ontem, em Alcochete, foi a sério.

Há uns dias, enquanto assistia a um mau jogo de futebol, cheguei a uma conclusão digna de La Palice, mas nem por isso menos verdadeira: é muito mais fácil destruir do que construir. Bruno de Carvalho está a ir por esse caminho perigoso. E o risco de não ficar pedra sobre pedra no Sporting parece cada vez mais perto.

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