24/9/18
 
 
José António Saraiva 14/05/2018
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

O calcanhar de Jesus

Se Jesus não ganhar ao modesto Aves, o caldo com Bruno de Carvalho entornar-se-á de vez. Se as coisas já não estão bem, uma derrota no Jamor fará explodir a panela de pressão.

Jorge Jesus é um grande treinador Sou suspeito ao dizer isto, pois sou seu amigo (e não do Facebook…). Mas há factos objetivos a sustentá-lo. 

Primeiro, Jesus melhora claramente as equipas que treina. Assim aconteceu no Benfica, cuja equipa pôs a jogar o dobro ou o triplo. Depois de épocas negras, em que o clube andou pelas ruas da amargura, Jesus catapultou a equipa para cima e foi campeão logo no primeiro ano. E depois venceu mais dois campeonatos, para lá de outras provas menores, quebrando a hegemonia do FC Porto, e chegou a duas finais da Liga Europa.

E no Sporting sucedeu uma coisa parecida. Só não foi campeão no primeiro ano porque o Benfica fez a sua melhor pontuação de sempre. E ainda porque, no duelo com os encarnados em Alvalade, os leões falharam golos de baliza aberta.

E no Belenenses, Jesus chegou ao 5.o lugar e às competições europeias.

Mas, para além de potenciar as equipas, Jesus valoriza os jogadores que treina. Os exemplos são inúmeros: Fábio Coentrão, Jardel, Matic, Enzo Pérez, Slimani, Coates, Gelson Martins, Bas Dost, etc.

Aliás, quase todos os jogadores que passaram pelas mãos de Jorge Jesus o elogiam, mesmo alguns daqueles que foram dispensados por ele! Ainda recentemente, Pablo Aimar lembrava Jesus como um dos três treinadores que mais o marcaram. Além de o apontarem como um treinador muito exigente, adiantam que é taticamente muito rigoroso.

Estas são as qualidades de Jorge Jesus: potencia as equipas, valoriza os jogadores e é admirado pelos que treinou.

Agora vamos aos defeitos. O seu principal defeito é perder jogos decisivos. Perdeu duas finais da Liga Europa, com o Chelsea e o Sevilha. Perdeu uma final da Taça de Portugal, com o Guimarães de Rui Vitória. Perdeu um jogo no Dragão que valeu um título (o do célebre golo de Kelvin). No domingo passado, não ganhou o jogo de Alvalade contra o Benfica, que lhe daria automaticamente o 2.o lugar. E ontem, na Madeira, falhou outra vez.

A que se deverá esta síndrome? Avanço uma explicação: Jesus põe nestes jogos demasiada pressão em cima dos seus jogadores e eles, mentalmente, não aguentam. Não é uma questão tática nem futebolística: é uma questão mental. Só assim se podem compreender os falhanços das suas equipas em momentos cruciais e mesmo quando eram favoritas, às vezes com erros individuais de bradar aos céus.

Vamos ver o que acontece no próximo domingo, na final da Taça de Portugal. Se Jesus não ganhar ao modesto Aves, o caldo com Bruno de Carvalho entornar-se-á de vez. Se as coisas já não estão bem, uma derrota no Jamor fará explodir a panela de pressão. Podemos vir a assistir a uma guerra como nunca se viu no futebol português, com os adeptos divididos ao meio: uns, a puxar pelo treinador, outros, a aplaudir o presidente.

A coisa promete! 

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×