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Autoeuropa volta a tremer

Autoeuropa volta a tremer

Miguel Silva Sónia Peres Pinto 13/05/2018 15:25

Fernando Gonçalves pediu a demissão da liderança da Comissão de Trabalhadores. O SOL sabe que o conflito interno iria ficar mais tenso nas negociações para laboração contínua.

A instabilidade regressou à Autoeuropa e parece ter vindo para ficar. O presidente da Comissão de Trabalhadores, Fernando Gonçalves, demitiu-se, apesar de os trabalhadores terem votado esta semana a sua continuidade. O responsável justifica a sua saída com um «sentimento de contestação à pessoa do presidente».

O referendo realizado esta quarta-feira resultou em 57% dos votos para o ‘não’, enquanto o ‘sim’ obteve 38% dos votos. Ao todo votaram 3174 dos 5700 trabalhadores. Para a CT ser destituída era obrigatório que dois terços dos trabalhadores votassem, bastando depois uma maioria simples para determinar a saída dos atuais representantes laborais. No entanto, Fernando Gonçalves admitiu que «após análise mais profunda e detalhada dos resultados é visível que continua a existir um sentimento de contestação a esta Comissão de Trabalhadores, com principal foco na pessoa do seu coordenador».

O SOL já tinha apurado que as negociações para um novo acordo para o trabalho em laboração contínua - a partir de agosto, altura em que será implementada uma quarta equipa - poderia tremer as relações entre os trabalhadores. O SOL sabe que há um grupo de trabalhadores que não confiava na entidade liderada por Fernando Gonçalves e desconfiava do acordo que seria alcançado para os trabalhos ao domingo com a administração da fábrica de Palmela.

A CT chegou a admitir que pretendia obter uma compensação justa para os trabalhadores abrangidos por esses novos horários. Um argumento que não convenceu esse grupo, que considerou que a administração «irá impor o domingo como quiserem se for mantida a CT da forma que está».

Este braço-de-ferro entre fações dos próprios trabalhadores não é novo. Já em janeiro, um grupo de trabalhadores fez uma vigília à porta da fábrica, garantindo que não se sentia representado pela estrutura liderada por Fernando Gonçalves e, nessa altura, fez um abaixo-assinado para apresentar várias propostas alternativas às solicitadas pela Comissão de Trabalhadores.

«Vários trabalhadores apresentaram alternativas e inclusive uma solução temporária para se garantir produção ao sábado e domingo até ao fim deste ano, com os turnos de 12h ao fim de semana. Precisamos de garantir que o trabalho ao fim de semana tenha um fim», refere este movimento.

Novos turnos em pleno

Os novos turnos arrancaram em fevereiro - 17 turnos semanais, onde já estão incluídos os sábados. Mas só em março é que foi aprovado o pré-acordo com a administração da fábrica de Palmela, assente num aumento salarial de 3,2% num mínimo de 25 euros para este ano com retroativos a outubro.

Também acordada com a administração foi a passagem a efetivos de 250 trabalhadores que estão a termo, assim como o pagamento de um subsídio que equivale a 10% do ordenado-base a trabalhadoras grávidas. Foi ainda aprovado o pagamento de uma gratificação de 100 ou 200 euros em abril de 2018, conforme a antiguidade do trabalhador.

Nessa altura, ficou estipulado que a compensação para os novos horários de trabalho ao fim de semana seria objeto de uma negociação autónoma.

Mas a partir de agosto, além de aos sábados os funcionários da Autoeuropa vão ter de trabalhar também ao domingo, uma vez que a empresa deverá implementar um novo regime de laboração contínua, com um total de 19 turnos por semana, incluindo sábados e domingos.

Mas apesar do descontentamento, o SOL sabe que há alguns trabalhadores que preferem esta solução, uma vez que, ao contrário do que acontece desde fevereiro, vão passar a ter outra vez duas folgas consecutivas.

Os novos horários foram uma consequência direta do aumento das encomendas do novo SUV. A meta já foi anunciada: atingir até final do ano um volume de produção na ordem dos 240 mil veículos até ao final do ano, a maioria dos quais é o modelo T-Roc.

Ao que o SOL apurou, neste momento já estão a ser produzidos diariamente 870 veículos, dos quais 650 correspondem ao novo SUV, o que dá uma produção de 26 a 27 T-Roc por hora. Mas a ideia é aumentar para 28 a 29 por hora com vista a dar resposta à crescente procura.

E as contas são simples: com mais T-Roc a saírem da fábrica, as exportações devem acelerar. Em janeiro, as vendas ao exterior do setor automóvel subiram cerca de 46% em termos homólogos, equivalente a cerca de 680 milhões de euros, devido essencialmente à fábrica de Palmela. 

Peso do novo modelo 

O modelo que está a ser fabricado exclusivamente na Autoeuropa desde agosto vai ter um peso importante nas vendas da marca alemã: o T-Roc deverá representar 40% das vendas da marca até 2027. Trata-se de uma das apostas da Volkswagen, com a empresa a destacar a importância económica do segmento dos veículos utilitários desportivos (SUV).

Segundo Herbert Deiss, presidente da Volkswagen, está previsto um grande crescimento deste segmento nos próximos anos. «Acreditamos que os SUV vão crescer 50% nos próximos dez anos. Isto afetará todas as regiões, como a Europa, a China e os Estados Unidos», revelou durante a apresentação mundial do modelo em Itália. 

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