17/11/18
 
 
José Paulo do Carmo 11/05/2018
José Paulo do Carmo

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Outra vez a TAP…

Eu tenho sempre aquele sentimento de escolher primeiro aquilo que é nosso e que nos diz alguma coisa, embora hoje em dia não saibamos muito bem de quem são as marcas e as empresas

Tenho a leve impressão que de cada vez que compro um bilhete pela TAP deve haver uma espécie de alarme que dispara, qual toque a reunir. “Parece que o mundo inteiro se uniu para me tramar”, já dizia o Rui Veloso. Ainda não percebi se sou eu que tenho muito azar ou se os tempos mudaram mesmo. No espaço de um mês, não me deixaram embarcar para a Madeira porque, mesmo com o número de passaporte certo, existia um erro em duas letras do nome e, como tal, nem no balcão de apoio ao cliente, que mais parecia o atendimento de um talho, me resolveram a questão. Tinha de ser a agência que tinha feito a reserva a fazer a alteração, o que, às 06h30 da manhã (que era a hora do voo), após inúmeros telefonemas, se revelou infrutífero.

Na semana passada vim no voo de Maputo para Lisboa. Após um atraso de uma hora e meia no embarque (o habitual), começo a achar estranho o avião não ter o logo habitual da companhia. 

À entrada, duas meninas simpáticas, vestidas de azul-escuro e azul-claro, que não pareciam ter mais de 25 anos, dão-nos as boas vindas. Embora eu seja daltónico facilmente percebi que não eram as cores supostas e hesitei num primeiro momento, a pensar que me teria enganado no avião. Foi-me então explicado que, devido à abertura de novas rotas e à falta de aviões, seria a companhia de charters Hi-Fly a fazer os voos TAP entre Moçambique e Lisboa até setembro.

Dirigi-me ao lugar que me havia sido destinado e, para além de os lugares serem mínimos, não havia sequer televisão. Ora, num voo já de si cansativo, de 11 horas, e voando sozinho, a companhia dos filmes assume um caráter extraordinariamente importante. Pouco depois, lá me vieram entregar um tablet onde podia ver três filmes já há muito vistos e que tinham um atraso significativo entre a imagem e o som, a fazer lembrar as dobragens das telenovelas mexicanas. Após uma hora de voo – eram dez e meia da manhã lá –, serviram o pequeno-almoço e não tive outro remédio senão fazer um esforço para tentar adormecer de seguida. Acordei eram 13h, satisfeito por ter descansado alguma coisa, e mantive-me acordado à espera do almoço. Uma hora, duas, três horas. O almoço foi servido às 17h30, num ambiente de descontrolo total. As hospedeiras perdidas, idosos a sentirem-se mal com fome, crianças a berrar e clientes histéricos a protestar. Um autêntico pesadelo.

Já da última vez que tinha ido para Moçambique, por ser na altura da passagem de ano e ter comprado o bilhete à última hora, tive de me sujeitar a duas escalas, em Bruxelas e em Nairóbi. Quando me dirigi para efetuar o check-in das três passagens, só me permitia fazer da primeira. Dirigi-me ao balcão a explicar a situação e disseram-me que não conseguia fazer porque o primeiro voo (TAP) estava tão atrasado que eu iria perder os outros dois, logo não dava para efetuar o check--in. Fui reclamar ao balcão de apoio ao cliente, desesperado porque ia em trabalho, e qual não é o meu espanto quando me dizem que para me arranjarem outro voo eu teria de ir de qualquer forma para Bruxelas para perder o voo de ligação, e só dessa forma eles me arranjavam solução. Ou seja, tive de ir para Bruxelas, perder o voo que já sabia que ia perder para Nairóbi , ficar hospedado num hotel em Bruxelas, regressar às seis da manhã e então, aí, eles arranjaram-me outra solução. Ah, já me esquecia: pelo caminho perderam-me a mala, que só recuperei com a ajuda de uma simpática amiga no fim da minha viagem.

Eu tenho sempre aquele sentimento de escolher primeiro aquilo que é nosso e que nos diz alguma coisa, embora hoje em dia não saibamos muito bem de quem são as marcas e as empresas. Sempre optei pela TAP porque era portuguesa, tinha a nossa bandeira e um serviço de qualidade. Isso acabou.

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