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Irão. Boris Johnson tenta chegar a Trump pela sua TV favorita
Johnson com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo

Irão. Boris Johnson tenta chegar a Trump pela sua TV favorita

Johnson com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo CHIP SOMODEVILLA Félix Ribeiro 07/05/2018 19:39

Hassan Rouhani afirma que pode continuar no acordo nuclear mesmo com sanções americanas. O ministro britânico está em Washington, mas não com Trump. 

O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, em alguns aspetos a figura trumpiana do reino, entrou esta segunda-feira em cena como a mais recente figura europeia a tentar convencer o presidente norte-americano a não abandonar o acordo nuclear com o Irão, possivelmente reabrindo um foco de tensão atómico quando um outro, o norte-coreano, parece disposto a fechar-se.

Boris Johnson encontra-se por estes dias em Washington mas, ao contrário de Macron e Merkel, que nas últimas semanas reuniram em pessoa com Donald Trump para convencê-lo dos méritos do acordo iraniano, o ministro britânico não tem reunião marcada com o presidente.

Mesmo assim, Johnson abriu esta segunda dois canais informais de diálogo e elogios: um, no “New York Times”, através de um artigo de opinião; outro, o mais peculiar, no programa favorito de Trump, “Fox and Friends”, a emissão da manhã que mais vezes leva a publicações presidenciais no Twitter, mais defende a presidência e recebe chamadas em direto da Casa Branca.

Johnson tentou forçar a atenção presidencial através de uma selva mediática invulgar. Apareceu no programa depois do médico americano de reality show, Mehmet Oz, recentemente apontado para o Conselho de Desporto, Fitness e Nutrição. Questionado com severidade pelos apresentadores, Boris Johnson puxou dos mesmos argumentos apresentados no artigo de opinião: em resumo, defendendo as críticas de Trump ao acordo de 2015, mas afirmando que o tratado negociado também com a UE, França, Reino Unido, China e Rússia é a mais segura barreira a uma corrida ao armamento nuclear no Médio Oriente.

“Reparem, o Irão tem vindo a comportar-se mal [e] tem tendência para desenvolver mísseis intercontinentais. Temos de impedir isso”, avançou Johnson, pedindo a Trump que “não atire o bebé com a água do banho”. “Vamos mesmo dizer que pretendemos bombardear estas instalações? Isto é mesmo uma possibilidade realista?”

Irão abre brecha

Trump não reagiu esta segunda-feira às manobras de Johnson mas, do lado iraniano, ouviram-se declarações inéditas que podem amenizar o risco do abandono americano. Pela primeira vez, o presidente iraniano reconheceu que Teerão pode continuar no acordo em caso de saída de Washington, isto se os participantes europeus, a Rússia e a China não o abandonarem, como já asseguraram que não farão.

A república islâmica parece então disposta a aceitar o regresso das sanções económicas americanas mas, ainda assim, a manter-se sob a alçada das inspeções da Agência Internacional da Energia Atómica e das regras que limitam a atividade das suas centrifugadoras e o armazenamento de urânio enriquecido.

“Se conseguirmos o que queremos do acordo sem a América, então o Irão continuará comprometido com o entendimento”, disse, esta segunda-feira, Hassan Rouhani na televisão do Estado. “O que o Irão pretende é que os seus interesses sejam garantidos pelos signatários não americanos. Nesse caso, o Irão estará de acordo em livrarmo-nos da presença insidiosa da América.”

Boris reuniu-se esta segunda, sim, com o novo secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e encontrar-se-á também com o novo conselheiro do presidente para a Defesa Nacional, John Bolton. Trata-se das vozes mais agressivas do governo americano no que diz respeito ao dossiê iraniano e os menos dispostos a mudar as ideias de Trump, que, aliás, repete os seus argumentos: o entendimento, afirmam, deve ser mais severo, travar testes balísticos, por exemplo, e impedir também o Irão de apoiar os grupos armados com que, em parte, combate as suas guerras de proximidade.

Que Boris tenha tentado contornar Pompeo e Bolton é revelador: o presidente tem até sábado, dia 12, para decidir se prolonga o cumprimento americano do acordo por mais seis meses, num momento em que se multiplicam sinais de que irá finalmente abandoná-lo, depois das ameaças de campanha.

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