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Relações. O amor tem preço e deu lugar a um negócio de milhões

Relações. O amor tem preço e deu lugar a um negócio de milhões

Sofia Martins Santos 07/05/2018 16:46

As soluções que permitem conhecer novas pessoas na Internet multiplicam-se, assim como os adeptos destas plataformas. O Facebook promete agora juntar-se ao grupo

O Facebook perdeu a confiança de muitos e foi obrigado a criar saídas de emergências para voltar a ser uma rede social apetecível. Uma das novidades é o plano de oferecer um serviço de encontros para os utilizadores solteiros. De acordo com Mark Zuckerberg, o Facebook está mais do que preparado para este novo desafio porque conta já com mais de 200 milhões de solteiros com perfil nesta rede social.

“Um em cada três casamentos nos Estados Unidos da América começam online”, afirmou Mark Zuckerberg que pretende ter tudo pronto no final do ano. “Milhões de pessoas dizem que são solteiras no Facebook e temos de fazer algo quanto a isso”, garantiu o fundador da rede social.

O anúncio de que o Facebook terá este novo serviço fez com que as ações do Tinder caíssem abruptamente. O Match Group, dono do Tinder e de outros serviços de encontros, afundou 26% em reação ao anúncio.

Dizem que o amor não tem preço, mas a dona do Tinder e de outras aplicações do género não é da mesma opinião. A verdade é que ajudar a encontrar parceiro é mais lucrativo do que se pensa e as ambições das empresas, que detêm estas aplicações, fazem o match perfeito com os interesses dos utilizadores. No final do ano passado, o Tinder, por exemplo, conseguiu mesmo atingir oficialmente a medalha de aplicativo mais lucrativo da App Store.

O Tinder foi lançado em 2012, mas cresceu muito rapidamente. De acordo com o fundador da empresa, Sean Rad, a aplicação conseguiu eliminar um dos maiores medos nos encontros reais: o medo de ser rejeitado. “Se eu abordo uma pessoa em um bar, estou nervoso, com medo de ser rejeitado, e a outra pessoa se sente caçada. Nós [com o app] conseguimos eliminar o medo da rejeição. Um match no Tinder é como cruzar o olhar com alguém em uma sala”. Um argumento mais do que válido, pelo menos, a julgar pelo número cada vez maior de utilizadores. A empresa precisou, aliás, de apenas dois anos para bater a barreira dos 100 milhões de utilizadores.

Um negócio onde há cada vez mais motivos para entrar e não o contrário. Um estudo de 2015 apontava um público-alvo de 511 milhões de pessoas na América do Norte e Europa, dispostos a utilizar tecnologia para encontrar alguém. E é preciso não esquecer que o Tinder, o OkCupid e outros têm a opção de pagar para aumentar o ‘poder de conquista’.

Não faltam pessoas novas para adicionar à lista de interesses, assim como não faltam plataformas que ajudem a fazê-lo. A Happn, ajuda uns bons milhões de pessoas no mundo a relacionarem-se. “Se calhar, podes encontrar uma pessoa ótima para passares a noite, um bom amigo ou a pessoa que vai ser o pai dos teus filhos. Nós não sabemos”, garante o presidente da empresa, acrescentando que prometer às pessoas que vão encontrar o amor nestes espaços é puro marketing.

“O que dizemos às pessoas é que lhes damos as ferramentas que podem ajudá-las a conectar-se com a vida real numa app. Só isso. Depois, as pessoas fazem o que querem e comportam-se como são”.

Os exemplos são muitos. O Bumble, por exemplo, nasceu para se distinguir do Tinder ao abolir aquela regra não escrita de que os homens é que tomam a iniciativa de ter o primeiro contacto. De resto, tudo igual: os utilizadores visualizam dezenas de perfis de potenciais parceiros, dão uma pontuação positiva ou negativa, e em caso de correspondência abre-se um canal de conversação entre as duas pessoas compatíveis.

A diferença, na prática, é que só a utilizadora do sexo feminino pode iniciar o chat. E esse canal de chat só fica aberto durante 24 horas, impedindo que o utilizador masculino assedie a sua correspondente após uma ‘tampa’.

Há pessoas que contam experiências de como estas aplicações podem ser usadas na ótica de um loja de doces, mas para relacionamentos. É possível a comparação numa lógica de serem sítios que funcionam “como catálogos”, onde se olha para o pacote e se decide, num milésimo de segundo, se a embalagem interessa ou não.

No entanto, também não falta quem encontre na tecnologia uma porta aberta para relações de sucesso. Há quem tenha entrado neste tipo de aplicações “por brincadeira” e tenha saído apaixonado. A verdade, é que é também por isto que os números surpreendem e que se multiplicam apostas destes géneros. Os utilizadores encontram, muitas vezes, o que procuram e as empresas encontram cada vez mais formas de encaixar dinheiro com isso.

“Acho que tivemos um impacto enorme não apenas no sucesso que as pessoas podem ter quando andam à procura de amor, mas porque quando pensamos nessas cerca de 20 mil milhões de ligações, percebemos que se não fosse o Tinder elas não existiam. E também porque é mais eficiente no que diz respeito a criar ligações com significado entre as pessoas. Acho que assegurámos que toda a gente pode encontrar o amor”, dizia em 2016, Sean Rad, cofundador do Tinder.

 

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