21/11/18
 
 
José António Saraiva 07/05/2018
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

O grande embuste

A ideia de que o plantel era “curto” foi uma rábula que o treinador azul e branco lançou para enganar os adversários 

O grande embuste deste campeonato foi o “plantel curto” do FC Porto. A ideia foi lançada por Sérgio Conceição e seguida ingenuamente pela maioria dos comentadores. Dizia-se e repetia-se que o Porto fora, dos três grandes, o que fizera menor investimento, que o treinador tivera de se contentar com a prata da casa, que não tinha banco, blá-blá-blá.

Ora, não tem banco uma equipa que tinha no banco Oliver Torres? Não tem banco uma equipa que tinha no banco Jesus Corona? Não tem banco uma equipa que tinha no banco Maxi Pereira? Não tem banco uma equipa que teve muitas vezes no banco Octávio, Tiquinho Soares ou Aboubakar? Não tem banco uma equipa que chegou a ter no banco Iker Casillas?

Não brinquemos com coisas sérias! O Porto tinha, de longe, o melhor plantel do campeonato. E, por isso, nunca sofreu muito com as lesões. Danilo magoou-se e foi substituído com grande competência por Sérgio Oliveira. Marega magoou-se e foi substituído por Soares. E ainda havia para essa posição o citado Aboubakar, para não falar em Gonçalo Paciência.

O FC Porto tinha dois jogadores praticamente do mesmo nível para cada posição. Isto é não ter banco? Quem não tinha banco era o Benfica: Jonas magoou-se e a produção atacante caiu a pique. Quem não tinha banco era o Sporting: Bas Dost magoou-se e entrou um desajeitado Doumbia, que falhou golos de baliza aberta. E a meio da época chegou Montero, que ainda teve de fazer uma perninha embora viesse de uma paragem longa.

Sérgio Conceição foi um treinador estupendo, que deu ao Porto uma nova alma e recuperou jogadores que outros tinham desprezado como Marega, Aboubakar, Octávio, Ricardo Pereira, Brahimi ou Herrera, fazendo deles campeões.

Soube transmitir-lhes a necessária força anímica e conseguiu pôr as qualidades particulares de cada um ao serviço de um colectivo fortíssimo. Construiu uma equipa que aliava o virtuosismo de Brahimi, Octávio ou Corona à força brutal de Marega, Aboubakar ou mesmo Herrera. Nenhuma outra equipa aliava de modo tão perfeito força e técnica. Quando falhava a força estava lá a técnica; quando falhava a técnica lançava mão da força.

Sérgio teve esse enorme mérito – e o Porto foi, por isso, um justíssimo campeão. Pode até dizer-se que os pontos não espelham a enorme diferença que havia (e há) da equipa portista para Sporting e Benfica.

Mas a ideia de que o plantel era “curto” foi uma rábula que o treinador azul e branco lançou para enganar os adversários – levando-os a pensar que no Porto morava uma equipa que não tinha ambições, enquanto pela calada construía a equipa mais forte deste campeonato, com um banco onde em todos os jogos se sentariam sempre internacionais.

 

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