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Amor, Avenidas Novas. A vida num colchão por uma avenida

Amor, Avenidas Novas. A vida num colchão por uma avenida

DR Cláudia Sobral 04/05/2018 21:41

Depois do IndieLisboa, Duarte Coimbra viaja até à Semana da Crítica de Cannes com “Amor, Avenidas Novas”. Primeira curta-metragem, que é na verdade filme de escola. Com Manuel Lourenço (Primeira Dama) e Lena d’Água, para a derradeira história de amor pop (ao mesmo tempo política) que pode ser um colchão levado em mãos por uma avenida de Lisboa

Um colchão, uma avenida, gelados, Lisboa, mas Lisboa hoje, memórias do amor dos adultos quando não eram assim tanto. Miúdos em Lisboa, ou os “miúdos de Lisboa”, estes em particular que são Duarte Coimbra a pôr Manuel Lourenço (Primeira Dama) num filme (ou a pôr-se nele) neste filme que era de curso mas que está agora em competição do IndieLisboa, e há de estar em semanas na Semana da Crítica de Cannes – “Amor, Avenidas Novas”. História de amor pop, para o realizador “lei universal”, para um filme “feliz, romântico, se possível”, a partir do que o deixa “miserável e triste”: a “relação com a cidade, a solidão e o vazio”.

Banda sonora para este texto, como para este filme, só mesmo Lena d’Água com Primeira Dama. Manuel Lourenço está lá, protagonista, alter-ego de Duarte Coimbra. E entre rodagens de filmes, mudanças e gelados, Avenidas Novas não hão de ser as velhas, mas as de hoje. Almirante Reis, um colchão e Manuel Lourenço bastam então para dar início a um filme, pela mesma cidade que percorriam já no videoclipe de “Rita”, de Primeira Dama, assinado pelo realizador nascido em 1996.

E o colchão, tanto ponto de partida como metáfora para a vida em Lisboa, em 2018. “O filme partiu muito da ideia do colchão”, diz-nos Duarte Coimbra no final da sessão de imprensa em que, em vésperas deste IndieLisboa, foi exibido o filme. Um colchão como o que ele próprio transportara com um amigo no verão anterior ao de 2017, aquele em que rodou “Amor, Avenidas Novas”, quando terminava o curso na Escola Superior de Teatro e Cinema, em Lisboa.

Um amigo que se mudava para a casa da namorada depois de ter sido “mais ou menos expulso” da sua. “Esta ideia de um colchão que é transportado numa avenida meio caótica e com várias coisas a acontecer pareceu-me um mote que podia levar a todas as coisas que me preocupavam em relação à cidade. O problema dos Airbnb, a maneira como a cidade está a ser construída, não para as pessoas que precisam dela, que habitam nela, mas para as que passam cá um período de tempo muito reduzido.”

Vieram depois Manuel Lourenço, as cartas trocadas entre os pais quando o Londres e o Quarteto eram cinemas – mesmo que a mãe, em Lisboa, não tivesse realmente escrito sobre o Londres ou o Quarteto naquela carta para o pai do realizador, em Sines. “O filme é muito pessoal, muito baseado em coisas verídicas. Li algumas cartas que eles tinham trocado que encontrei num dossier com algumas recordações, mas as cartas do filme não são as verdadeiras. Apropriei-me disso, daquilo que estava a acontecer em Lisboa, para criar uma coisa ficcionada. Procurei aqui um lado documental, em que parece que de facto as coisas estão a acontecer, mas de repente vem a ficção, que é o colchão a entrar, e o texto é muito fantasioso, tem toda esta ideia romântica, do amor”.

Amor, fantasioso como já Duarte Coimbra avisara, entre Manuel e Rita, a partir desse “Rita” de Primeira Dama. “Eu e o Manel somos amigos e tínhamos algumas coisas em comum, nomeadamente este interesse pela cidade e pelo que se estava a passar nela, coisas que fomos sempre discutindo os dois, também com o outro ator, o Marcelo [Tavares].” Já antes disso unia-os a música que se faz em Lisboa, daí que este pop que Duarte Coimbra procurava só pudesse ser aqui, só pudesse ser com ele. “Há uma espécie de educação sentimental que nos une que vem das músicas que ouvimos, das conversas que temos.” Com ele e com Lena d’Água que aliás o realizador ouviu pela primeira vez com ele.

Protagonista para este “Amor, Avenidas Novas”, a apresentar-nos Duarte Coimbra como uma das grandes novidades deste 15.º IndieLisboa, que termina domingo, então só ele. Como teria que vir Lena d’Água para a derradeira história de amor pop de Lisboa. Ou uma citação de “Rita”. “mais que bonita, muito mais que isso, Rita”.

O resto, é cinema, e sobre o cinema já Duarte Coimbra dizia tudo na nota de intenções que no verão passado juntava ao filme ao terminar o curso. “Tenho andado a pensar na posição de um cineasta no momento que estamos a viver e parece-me que a arte em geral, e o cinema em específico, têm esta força fantástica de por momentos quase conseguirem salvar a humanidade e dar esperança a qualquer um de nós. É nesse cinema em que acredito.”

 

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