24/9/18
 
 
António Luís Marinho 04/05/2018
António Luís Marinho

opiniao@newsplex.pt

Por uma vez, o Gerês

“Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho” Gandhi

“Há sítios do mundo que são como certas existências humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição. Este Gerês é um deles”

Miguel Torga

Percorri durante 11 dias, com um grupo de amigos, as quatro serras do Gerês e ainda algumas dos arredores, numa caminhada que nos levou por caminhos inimagináveis e que nos conduziram a locais cuja beleza corta a respiração.

Como já sou sexagenário e esta foi a minha primeira experiência pedestrianista, temi não conseguir completar a rota de cerca de 150 quilómetros. Mas, na verdade, a natureza e a amizade aliaram-se e a aventura foi cumprida.

O Gerês é um dos locais mais bonitos de Portugal, onde a natureza ainda dita livremente as suas regras, a água brota da terra em nascentes espalhadas pelas serras e ainda conseguimos descansar à sombra dos “carvalhos velhos, torcidos, carvalhos dos tempos do Dilúvio”, na descrição de José Cardoso Pires na sua peça teatral “O Render dos Heróis”.

É nestes montes que conseguimos espantar-nos com as verdadeiras esculturas naturais sugeridas pelas enormes pedras de granito.

Vale a pena, já agora, lançar o alerta para a necessidade de limpar algumas áreas onde o mato pode ser o combustível ideal para próximos incêndios.

Caminhar, pois, foi um verdadeiro bálsamo para os sentidos. E uma excelente oportunidade para reflexão.

Confirmámos assim que, como o filósofo Heraclito registou, “o caminho que sobe e o caminho que desce são um único caminho”.

Quando caminhamos com amigos, como foi o caso, agradecemos a Gandhi este registo: “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.”

Como ainda estou inebriado, deixo-vos o poema do poeta espanhol António Machado, a quem se deve a célebre frase “o caminho faz-se caminhando”:

“Caminante, son tus huellas

el camino y nada más,

caminante, no hay camino,

se hace camino al andar.

Al andar se hace el camino,

y al volver la vista atrás

se ve la senda que nunca

se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino

sino estrelas en la mar.”

 

Jornalista

 

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