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Queima das Fitas de Coimbra sem garraiada oficial, mas com copos reutilizáveis

Queima das Fitas de Coimbra sem garraiada oficial, mas com copos reutilizáveis

Shutterstock Beatriz Dias Coelho 03/05/2018 21:09

A época favorita dos estudantes de Coimbra regressa amanhã. Este ano desafia-se a tradição com a abolição da garraiada e olha-se pelo futuro com a adoção de copos reutilizáveis. Movimento ambientalista não quer ficar por aqui: todos os anos os estudantes gastam meio milhão de latas de cerveja para consumo e para se regarem uns aos outros

A celebração máxima da tradição académica coimbrã está de volta a partir de amanhã: até dia 11 de maio, a universidade sai das salas para invadir as ruas de Coimbra. Este ano, contudo, há novidades que desafiam a tradição: numa decisão histórica, a clássica garraiada foi abolida, pelo menos do programa oficial das festas.

A proposta partiu da Comissão Central da Queima das Fitas e, em resposta, o Conselho de Veteranos e a Associação Académica de Coimbra – entidades que tutelam a Queima das Fitas – decidiram então realizar um referendo aos estudantes da Universidade de Coimbra. O resultado do referendo, realizado em março, não deixou margem para dúvidas e ditou o fim da atividade: 70,7% dos alunos decidiram-se pela não continuação da garraiada. O Conselho de Veteranos, responsável por assegurar o cumprimento da tradição, ainda rejeitou o resultado, mas a vontade da maioria dos alunos acabou por ser respeitada.

Tradição continua... mas fora da queima Apesar de a maioria dos estudantes ter optado pelo “não”, nem todos aceitaram a ausência da corrida de novilhos no programa e alguns recusaram-se a acatar a vontade da maioria. Cerca de 50 alunos reuniram-se e criaram o movimento “Coimbra dos Estudantes”. “Os estudantes irão organizar a garraiada, num exemplo de liberdade e mobilização cívica pelos valores da academia de Coimbra e por uma universidade para todos”, garantiam os estudantes defensores da tradição numa nota publicada na página do movimento há um mês.

A iniciativa, contudo, é totalmente independente da organização oficial da Queima das Fitas que, de resto, reagiu em comunicado no Facebook. “É um evento que nada tem que ver com a Queima das Fitas de Coimbra, não contando com nenhum apoio de qualquer género por parte da COQF ou de quaisquer outras entidades da Associação Académica de Coimbra”, escreveu a Comissão.

Ainda assim, isso não vai impedir que a “Garraiada dos Estudantes” se realize no local de sempre – o Coliseu Figueirense, na Figueira da Foz –, a 5 de maio. Em Évora, cuja Queima das Fitas arranca a 25 de maio, está em curso um dilema semelhante. Dia 9 a realização de um referendo sobre o fim da garraiada académica vai de novo a votos, depois de um grupo de estudantes ter reunido assinaturas suficientes para voltar atrás na decisão de manter tudo como antes.

Consciência ambiental Um dos principais desafios do pós-Queima das Fitas é o lixo que se acumula nas ruas. Segundo dados disponibilizados pela Câmara Municipal de Coimbra, em 2017 os serviços de limpeza da autarquia recolheram 25 toneladas de resíduos. Em 2016, os números ascenderam a 30 toneladas. Com a proteção do ambiente em mente, a Comissão Organizadora da Queima das Fitas de Coimbra decidiu implementar, a partir deste ano, um sistema de copos reutilizáveis, em parceria com o movimento cívico ambientalista “Não Lixes”.

O sistema inclui duas opções: uma em que o copo é adquirido por um euro e permite comprar um copo mais trabalhado, que os estudantes guardam para utilizar nos vários dias; outra em que o copo é entregue mediante o pagamento de uma caução de 0,50 cêntimos, ideal para quem não vai a todos os dias do evento. “Somos um movimento pequeno, mas estamos preocupados com esta causa gigante da poluição nas festividades académicas. Este ano trabalhámos com mais proximidade com a Comissão Organizadora da Queima das Fitas e esta medida acabou por ser adotada”, explica ao i Fernando Jorge Paiva, ambientalista à frente do movimento.

Já desde 2014 que o “Não Lixes” lutava pela implementação desta medida. “Estamos muito satisfeitos porque é uma medida brutal, com um impacto ambiental brutal”. Ainda assim, Fernando Jorge Paiva admite que há muito ainda a fazer pelo ambiente e que várias outras medidas têm de ser debatidas com a organização para edições futuras.

“A redução da quantidade de latas que cada carro alegórico atira para as ruas é algo que também queremos tentar mudar. São 110 carros alegóricos que levam quatro mil latas. Estamos a falar de meio milhão de latas que os estudantes vão utilizar no próximo domingo, para se regarem com cerveja quente e beberem cerveja fria. Ora, o que queremos é que os estudantes utilizem barris reutilizáveis para terem a cerveja fresca e não se reguem uns aos outros, para que não haja este desperdício”, explica o responsável. “Trata-se da sobrevivência da espécie humana. Para quê produzir tantas latas para regar pessoas?”, remata.

Se há coisas que mudam, outras mantêm-se. Entre os eventos tradicionais, está garantida a Serenata Monumental ou o Baile de Gala e, à semelhança de edições anteriores, não faltará música: confirmados estão nomes como Xutos & Pontapés, Linda Martini, Daniela Mercury, Seu Jorge ou Sam The Kid.

Mais a norte, no Porto, a Queima das Fitas – que decorre entre 6 e 12 de maio – também sofreu alterações, desta feita relacionadas com a possibilidade de o FC Porto ser campeão no sábado. A Federação Académica do Porto avançou ontem que a Monumental Serenata, que deveria realizar-se na Avenida dos Aliados às 00h01 de domingo, irá afinal realizar-se no Largo Amor de Perdição, à frente da Cadeia da Relação, na Cordoaria, para evitar interferências com os eventuais festejos futebolísticos.

 

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