13/11/18
 
 
José António Saraiva 30/04/2018
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

Suplementos de energia

A confirmar-se o uso de doping por um jogador ou por um clube, as consequências desportivas e reputacionais seriam terríveis. Ninguém aceitará correr esses riscos.

Os três grandes foram visitados no fim da semana passada pelos “vampiros”, os funcionários que fazem recolhas de sangue e urina para análises antidoping.

Acredito que os grandes clubes (e mesmo os pequenos) tenham hoje muito cuidado com esta questão. A confirmar-se o uso de doping por um jogador ou por um clube, as consequências desportivas e reputacionais seriam terríveis. Ninguém aceitará correr esses riscos.

Mas sendo isto assim, já admito que as equipas elejam certos jogos como prioritários - e se preparem para eles tomando “suplementos de energia” legais que melhorem o rendimento dos jogadores, levando-os a superar os seus limites. Uma observação atenta do comportamento das equipas aponta claramente nesse sentido.

O recente Benfica-Porto na Luz era um jogo decisivo para ambos. É natural que os dois se tenham preparado especialmente para ele. O Porto mostrou-se mais forte - e foi num crescendo, acabando o jogo a dominar o adversário. Mas o que aconteceu no jogo seguinte, contra o Sporting, para a Taça? O Porto foi caindo a pique, terminando o desafio de gatas. Os jogadores portistas já não podiam com uma gata pelo rabo.

E com o Sporting passou-se o contrário. Para os leões, o Sporting-Porto era um dos jogos mais importantes da época, pois, perdido o campeonato, a Taça de Portugal tornava-se prioritária. Era aqui que o Sporting tinha de apostar tudo. Assim, depois de um início titubeante, a equipa melhorou com a passagem do tempo, dominou a segunda parte e no prolongamento esteve imparável, asfixiando o adversário. No entanto, no jogo seguinte, contra o Boavista, em Alvalade, o Sporting estava de rastos, foi caindo ao longo do encontro e fez a segunda parte com o credo na boca.

Quanto ao Benfica, no jogo que se seguiu à “final” contra o FC Porto, foi o que se viu: na segunda parte do jogo com o Estoril também naufragou - e só venceu nos descontos com um golo caído do céu, ou seja, saído da cabeça do pequeno Salvio. Já à derrota contra o Tondela não atribuo ao mesmo fenómeno, pois tratou-se de um jogo atípico.

Mas este não é um exclusivo do futebol português. As grandes equipas europeias também fazem muitas vezes péssimos resultados a seguir a jogos da Champions. Claro que se poderá dizer que isso resulta do cansaço físico e psicológico produzido por esses jogos. Claro que sim. Mas o que nós vemos nesses confrontos europeus decisivos é as equipas superarem-se, jogarem melhor do que habitualmente, o que me leva a falar dos tais “suplementos de energia”. 

Ora, superando-se os jogadores, indo às suas reservas, nos jogos seguintes quebram, vão-se abaixo. E vão-se abaixo numa curva descendente: começam bem o jogo, mas perdem gás com a passagem do tempo e acabam a arrastar-se pelo campo. Estão a pagar a fatura pela “superação”.

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