21/9/18
 
 
Carlos Zorrinho 25/04/2018
Carlos Zorrinho
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Abril 25 – Défice 0

A ambição de um défice zero como sinal de Abril pode parecer estranha. No entanto, se considerarmos as oportunidades que esse objetivo cria para a captação de recursos e apoios para o nosso futuro coletivo, essa perceção dilui-se

Assinala-se hoje o 44.o aniversário da implantação da democracia em Portugal, após 48 anos de definhamento da liberdade. Uma liberdade que foi resgatada pela ação corajosa de um movimento de capitães e pela luta persistente de muitos democratas ao longo de décadas. Uma liberdade que o povo em festa consolidou e tornou irreversível.

No plano político, Portugal escolheu, pela mão visionária de Mário Soares, optar pela integração plena na então Comunidade Económica Europeia como forma de consolidar a sua democracia, recuperar a economia e afirmar o seu papel no mundo, valorizando uma pertença múltipla a várias comunidades geopolíticas, históricas e culturais. O caminho percorrido não foi fácil. Teve altos e baixos ultrapassados sempre com o esforço e o empenho do povo português.

Desde o momento refundador do 25 de Abril de 1974, muita coisa aconteceu. Ano após ano, os aniversários da revolução foram sendo assinalados com circunstâncias, contextos e estados de espírito diferentes. Há muitos anos que o 25 de Abril não se celebrava num quadro tão positivo como aquele em que se comemorará no dia de hoje.

O governo PSD/PP de Passos Coelho e Paulo Portas soçobrou perante as imposições europeias, quis ir além delas, definiu-se como um protetorado dos falcões da austeridade, liderados por Wolfgang Schäuble, e colocou Portugal no ponto mais irrelevante da sua história democrática. Esse momento recente de sofrimento coletivo está em vias de ser ultrapassado.

O Portugal de 25 de abril de 2018 é uma nação livre, a crescer, dinâmica, com identidade, reconhecida internacionalmente como referência em muitos setores e assumindo um papel relevante no desenho dos quadros globais que vão condicionar o seu futuro, designadamente a evolução do projeto europeu e a regulação da nova globalização.

Essencial para o emergir do novo ciclo tem sido a confiança que dentro e fora do País foi criada em relação ao modelo sustentável de crescimento que está a ser aplicado pelo Governo. Um modelo em que a austeridade e o empobrecimento foram substituídos pelo rigor e pelo compromisso com o desenvolvimento e com a convergência.

A prioridade ao equilíbrio das contas públicas é um dos fatores- -chave da confiança que permite ao País atrair mais investimento, gerir em condições mais favoráveis a dívida acumulada, ganhar independência política e aumentar a capacidade negocial no quadro europeu e global.

A ambição de um défice zero como sinal de Abril pode parecer estranha. No entanto, se considerarmos as oportunidades que esse objetivo cria para a captação de recursos e apoios para o nosso futuro coletivo, essa perceção dilui-se.

Mais do que o saldo final das contas públicas, o que verdadeiramente conta para reforçar os serviços públicos e combater as desigualdades é a forma como ele é atingido, designadamente as prioridades na afetação das verbas e a fluidez nos processos de financiamento.

Com receitas saudáveis, flexibilidade na gestão, uso desburocratizado dos recursos, descentralização na execução, envolvimento nas soluções e compromisso nos resultados, as contas em dia são também um motivo para comemorar Abril. Seremos mais livres e poderemos ambicionar um futuro melhor assim.

 

Eurodeputado

 

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