17/11/18
 
 
João Lemos Esteves 24/04/2018
João Lemos Esteves

opiniao@newsplex.pt

Rui Rio: o 'call boy' de António Costa?

Apesar de ter dado prova de vida, o que é digno de nota, o líder do PSD é uma vergonha para o partido, um líder fraquíssimo que assinou um acordo que é uma autêntica paródia com o PS

1. Uma autêntica anedota. Uma vergonha para o PSD - estas são as únicas duas formas de qualificar a cerimónia pública conjunta de Rui Rio e António Costa, ocorrida na passada quarta-feira. Há um facto, contudo, que é digno de nota: Rui Rio deu prova de vida, depois de longa ausência. Desde que tomou posse como líder do PSD, Rui Rio apenas se distinguiu pela ausência (para além da sua defesa à indefensável atitude de Feliciano Barreiras Duarte). O PSD ainda tem líder. Um líder fraquíssimo e sem chama, tão pouco pensamento, mas tem líder. 

2. Por que razão o acordo entre o PSD e o PS é uma autêntica paródia (não, caríssimo leitor, não há outro adjectivo para caracterizar o que está sucedendo ao maior partido português)? Porque é uma cedência em toda a linha do PSD - maior partido da oposição e maior partido parlamentar - ao PS de António Costa, que surripiou o poder através de uma coligação negativa. De uma coligação que serviu apenas para derrubar Pedro Passos Coelho - mas que nunca foi, nem nunca será, um programa de acção governativa. A geringonça mais não foi, mais não é - do que uma solução de inacção governativa. Até agora, ninguém nos conseguiu responder a uma questão elementar: exceptuando as reversões de medidas adoptadas pelo governo anterior e o reforço das cativações orçamentais (agravando consequentemente a austeridade), o que é que este governo de António Costa alcançou? Ninguém nos responde, porque todos sabem a resposta, por muito incómoda que ela possa ser: nada! A geringonça é uma fraude e é uma mentira - nada mais. 

3. Perante este cenário, qual seria a estratégia inteligente do PSD? Demarcar-se claramente da geringonça, afirmando as suas prioridades políticas, assumir que é claramente diverso do PS que levou a extrema-esquerda para o poder, denunciar a fraude que é António Costa e o seu projecto pessoal de poder, promover uma agenda política que vá de encontro às aspirações reais dos portugueses - tudo, portanto, o inverso do que Rui Rio está a fazer. Efectivamente, o presidente do PSD - por inabilidade política ou por defesa dos seus interesses pessoais políticos, em vez de defesa dos interesses do partido e de Portugal - resolveu assumir uma postura estratégica de tornar o PSD um acompanhante de luxo do PS de António Costa. António Costa precisa de companhia para aprovar uma lei? Se a Catarina Martins está disponível, muito bem - é a sua preferida. A Catarina está indisponível? Então, Costa liga ao Rui Rio - e o Rio vai. O presidente do PSD converteu-se, pois, numa espécie de ‘call boy’ do extremo-PS de Costa. Poderia o maior partido português, o partido dos trabalhadores, dos empreendedores portugueses e dos patriotas, descer mais baixo? Não! Atingimos o grau zero da política: hoje o PSD é uma paródia nacional. Esta é a única conquista visível de Rui Rio - parabéns! 

4. Para o português comum - que não liga às querelas político-partidárias e aspira apenas a que o governo nacional seja um parceiro para o seu sucesso individual, que lhe resolva os problemas da sua vida que estão fora da mera esfera individual - o que fica é que Rui Rio abdicou de fazer oposição. Que o líder do PSD, após um longo interregno de ausência, foi a correr para os braços de Costa - leia-se, Rio aceitou submeter-se à figura ridícula de assinar de cruz um documento elaborado pelo PS. Não, não houve consenso - os consensos implicam negociação, troca de ideias, visões divergentes que redundam, após espírito de abertura, cedências mútuas e boa fé de ambas as partes, num acordo. Acordo que consubstancia uma ideia de compromisso. Nada disso sucedeu no caso que ora nos ocupa: o PSD de Rui Rio limitou-se a dar a sua bênção a António Costa. Pior: nenhum português sabe o que pensa realmente Rui Rio sobre descentralização, fundos comunitários ou o futuro da Europa. 

5. Mais uma vez, o banho de ética anunciado por Rui Rio deu em banhada: o novo posicionamento estratégico do PSD é como parceiro menor do PS. Com uma consequência que não podemos ignorar e para a qual temos chamado repetidamente à atenção: Rui Rio está apenas a branquear, a legitimar supervenientemente a mentira e a fraude que é a geringonça. António Costa - o anterior ministro de José Sócrates e o incompetente mais competente em fingir competência - ganhou em toda a linha: ao chamar para si o PSD, doravante, o PS poderá sempre negar que se juntou à extrema-esquerda porque dirá que até promoveu consensos de regime com o PSD; o PS poderá, adicionalmente, sempre negar que se juntou à direita, pois até alcançou objectivos políticos comuns acordados com Bloco de Esquerda e PCP. É uma jogada de chico-espertice que só é possível porque o PSD foi néscio. Porque Rui Rio pode até perceber de gestão autárquica - mas de política não percebe nada. É um facto…

6. Admitamos - o PS de Costa fez (ao PSD e ao sistema partidário português) xeque-mate. Enquanto este período negro da liderança de Rui Rio perdurar, o PSD estará reduzido à mais pornográfica irrelevância política. Todos nós, militantes e apoiantes do PSD, fomos transformados em ‘cal boys e girls’ do PS - quando o BE faltar, lá estará o PSD de Rui Rio para salvar (acompanhar) o PS de António Costa. Meu caro Rui Rio, se esta é a sua estratégia, se o seu objectivo é unir o PSD ao PS, se prefere apoiar o seu amigo António Costa (dando-lhe um empurrãozinho) em vez de defender os interesses de Portugal e dos portugueses, faça-nos um favor: diga já que abdicou de fazer oposição, abdicou de ganhar as legislativas e só quer lugares para distribuir pelo aparelho para ganhar as directas, mesmo perante o cenário de derrota em 2019…Quem perde com esta brincadeira? Portugal, como sempre!

7. A lógica de Rio é simples: se Costa quer, Costa tem! Se Costa quer, o PSD diz sim! Até quando aguentaremos ver o PSD afundar-se vergonhosamente neste Rio? Dr. Rui Rio: mude (de estilo e de conteúdo de oposição) ou mude-se para outro lugar, que não implique liderar o maior partido de Portugal! 

 

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×