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Futsal UEFA Cup. Do Cazaquistão a Aragão, nem a memória é curta

Futsal UEFA Cup. Do Cazaquistão a Aragão, nem a memória é curta

Shutterstock Afonso De Melo 20/04/2018 10:54

O Sporting entra hoje em campo contra os húngaros do Györ na tentativa de chegar, tal como o ano passado, em Almaty, à final da Liga dos Campeões de futsal. Com recordações amargas, no entanto

Zaragoza, à moda de Espanha, velha César Augusta dos romanos, na província de Aragão. É nas margens do Ebro, no Pavilhão Príncipe Filipe, que o Sporting se lança, mais uma vez, na tentativa de conquistar a UEFA Futsal Cup, assim a modos como a Liga dos Campeões da modalidade, defrontando já hoje os húngaros do Györ, de nome completo Györi Egyetértés Torna Osztály Futball Club, coisa para provocar cãibras na língua ou até mesmo uns aneurismas, diria o Alencar d’“Os Maias”. Ancião clube da sempre fascinante Hungria, tem no futebol de onze alguma história para contar, mas é a sua completa estreia numa final four do futsal europeu.

Convenhamos que calhou aos leões a pera doce do torneio. Do outro lado, ou seja, na outra meia-final defrontam-se os grandes favoritos: Inter Movistar e Barcelona, uma dupla espanhola que, ainda por cima, joga em casa. Já lá vamos...

Tem o Györ, ao contrário do que sucede com muitas equipas da vizinhança, uma equipa maioritariamente constituída por jogadores húngaros, enxertada com o toque espanholado do seu técnico, Javi Rodríguez Nebreda, que também conta com os seus compatriotas de campo Juanra, Alex, González Martínez, além do argentino Nicolás Rolón.

O seu apuramento para esta fase final foi de aflitos, terminando na frente do grupo C com os mesmo pontos dos italianos da Luparense e tendo sido obrigado a um desempate. Já o Sporting, como sabemos, libertou-se com uma perna às costas dos seus adversários do Grupo B: três vitórias em três jogos – Halle--Gooik (Bélgica), 3-2; Nacional Zagreb (Croácia), 3-1; e Dínamo de Moscovo (Rússia), 4-0. E assim garantiu a sua terceira presença na final four nos último quatro anos, tendo cabido ao Benfica representar Portugal em 2015/16.

Peso

Já tem o Sporting um peso considerável na história da competição. Duas finais perdidas, a primeira em 2011, frente aos italianos do Montesilvano (2-5) – e acrescente-se que foi a única vez que uma equipa italiana ganhou a UEFA Futsal Cup desde o seu início, em 2001-02 –, e a segunda no ano passado, em Almaty, no Cazaquistão, frente precisamente ao Inter Movistar de Ricardinho (0-7).

Estive lá e assisti a essa derrota dolorosa dos leões depois de terem batido na meia-final o Ugra-Yugorks, da Rússia, precisamente o campeão em título. Em seguida, nada a fazer. A superioridade do Inter foi avassaladora e o português Ricardinho desembrulhou a sua panóplia de truques absolutamente mágicos que fazem com que pareça ter mãos no lugar dos pés.

Curiosamente, Ricardinho tem no bornal duas vitórias nesta Liga dos Campeões e foi-me possível estar presente em ambas e perceber a sua importância em cada uma delas. A primeira foi em Lisboa, no Pavilhão Atlântico, na vitória do Benfica sobre a sua atual equipa, o Inter Movistar (3-2, após prolongamento), naquele que ainda é, hoje em dia, o solitário triunfo lusitano na prova.

Soma o Sporting a duas finais perdidas mais três meias-finais assinaladas com derrotas que lhe valeram um terceiro e dois quartos lugares. Na verdade, dominando o futsal em Portugal nos anos mais recentes, falta de facto ao clube de Alvalade o momento da glória suprema tão brutalmente cerceado em Almaty.

História

Como já referi por aí, a UEFA Futsal Cup disputa-se desde 2001-02. Os espanhóis dominam largamente a lista de vencedores com quatro campeões e um total de oito títulos, cinco segundos lugares e dois terceiros.

O primeiro campeão foi, deste modo, espanhol, como está bem de ver, o Playa de Castellón, que venceu inclusive na época seguinte, repetindo-se a final frente aos belgas do Action 21 Charleroi, que já não aparecem nestas lides finais desde 2006-07, depois de terem conquistado o título em 2004-05.

Há que dizer, entretanto, que nos anos mais recentes, espanhóis, russos, portugueses e cazaques têm sido os protagonistas principais destas fases finais.

Mas voltemos a Espanha: Boomerang Interviú foi o vencedor em 2005-06, às custas do Benfica; Inter Movistar arrecadou as taças de 2008-09 e 2016-17, como já vimos; Barcelona vitorioso nas épocas de 2011-12 e 2013-14.
Os clubes russos somam três títulos perfeitamente divididos por Dínamo de Moscovo (2006-07), Viz-Sinara Yekaterinburg (2007-08) e Ugra-Yugorsk (2015-16), sendo o Dínamo de Moscovo uma espécie de rei das finais perdidas, nada menos de cinco!!!

O Cazaquistão, muito graças à importação maciça de treinadores e jogadores brasileiros, a maior parte deles até naturalizados para poderem representar a seleção do país, começou a dar cartas na última década, sobretudo através da sua equipa-farol, o Kairat Almaty, campeão em 2012-13 e 2014-15 e presente em sete das últimas dez final fours, com exceção desta que hoje abre as portas.

Apesar de apresentarem sempre seleções de alto calibre competitivo, os italianos têm ficado um pouco à margem desta história dos campeões europeus de clubes. Montesilvano foi a exceção, que se juntou às exceções Benfica e Action 21 Charleroi. Furlipe Prato, Marca Futsal e Pescara surgiram nas discussões finais sem grande registo.
Mas hoje é dia de entrar em campo o Sporting, vice-campeão da Europa. Depois se verá...

 

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