13/12/18
 
 
Mário Cordeiro 17/04/2018
Mário Cordeiro

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O Barão Vermelho

Ainda a propósito da Grande Guerra, vale a pena relembrar também “o lado de lá”, designadamente um herói da aviação que morreu fará daqui a quatro dias cem anos: o Barão Vermelho. A história não deve ser escrita apenas pelos vencedores…

Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, que ficou para a História com o nome de Barão Vermelho, nasceu em Breslau a 2 de maio de 1892 e morreu em Vaux-sur--Somme a 21 de abril de 1918.

Foi um piloto de caça alemão na Primeira Guerra Mundial e ainda hoje é considerado como o “ás dos ases”. Servindo na Força Aérea do Exército Imperial Alemão (Luftstreitkräfte), foi o piloto que obteve o maior número de vitórias (80) de um único piloto durante a Grande Guerra.

Começou a sua carreira militar no serviço de cavalaria, mas em 1915 pediu transferência para a força aérea, que começava a dar os primeiros passos – os aviões estavam ainda na sua fase mais preliminar.

Em 1917 foi promovido a chefe do esquadrão Jasta 11 e, mais tarde, de toda uma unidade de caças, a Jagdgeschwader 1. Em 1918 era já tido como um herói nacional da Alemanha, e muito conhecido dos Aliados. 

Richthofen foi abatido perto de Amiens em 21 de abril de 1918 e morreu na queda do avião. Crê-se que terá sido o artilheiro australiano Cedric Popkin que o abateu, apesar de a Royal Air Force atribuir esse crédito ao piloto canadiano Arthur Roy Brown. Richthofen era um Freiherr (literalmente, “senhor livre”), um título de nobreza frequentemente traduzido como barão que todos os membros masculinos da família usavam.

Esse título, associado ao facto de os seus aviões serem pintados de vermelho, levaram a que se designasse Richthofen como “o Barão Vermelho”, tanto dentro como fora da Alemanha. 

Na Alemanha era conhecido por Der Rote Kampfflieger (que pode ser traduzido como Guerreiro Voador Vermelho ou Piloto de Caça Vermelho), mas tinha outros apelidos: Petit Rouge (Pequeno Vermelho) e Le Diable Rouge (Diabo Vermelho), atribuídos pelos franceses, e Red Knight (Cavaleiro Vermelho), atribuído pelos ingleses.

Quando tinha nove anos de idade mudou--se com a família para Schweidnitz (agora Widnica, Polónia). Na juventude, Richthofen apreciava equitação e caça. Fez o ensino básico em casa e foi estudar para Inglaterra, no Lincoln College, em Oxford. Depois disso ingressou na escola militar. Após terminar o treinamento de cadete, juntou-se ao Regimento de Ulanos n.o 1 da Cavalaria em 1911. 

Quando começou a Primeira Guerra Mundial, Richthofen foi chamado a servir nas frentes ocidental e oriental, entrando em ação na Rússia, França e Bélgica; no entanto, com o advento da “guerra das trincheiras”, tornando as operações da cavalaria tradicional ineficientes e obsoletas, o regimento de Richthofen foi extinto e ele passou a prestar serviço como correio de correspondência e operador de telefone de campo. 

Desapontado por não participar diretamente no combate, a única alternativa foi trabalhar para o setor de suprimentos do exército. O interesse pela aviação aumentou quando pela primeira vez examinou um avião militar alemão e solicitou transferência para o Die Fliegertruppen des Deutschen Kaiserreiches (Serviço Aéreo Imperial Alemão), mais tarde conhecido como Luftstreitkräfte. Para sua surpresa, o pedido de transferência foi aceite e começou no serviço aéreo no final de maio de 1915. 

“Fui informado do lugar sobre o qual nós deveríamos voar e eu deveria guiar o piloto. No início, nós voávamos em frente, mas então o piloto virou para a direita e depois para a esquerda. Eu tinha perdido o sentido de orientação relativamente ao nosso próprio aeroporto!... Não fazia ideia onde estávamos, e quando o piloto julgou ser a hora de descer, fiquei desapontado. Estava a contar as horas para o momento de começar tudo novamente...” – estas palavras, escritas por John Simpson, citam a descrição do próprio Richthofen da sua primeira experiência em voo. 

Entre junho e agosto de 1915, Richthofen foi observador em missões de reconhecimento sobre a frente oriental.
Depois de um encontro casual com o piloto de caça e ás da aviação Oswald Boelcke, Richthofen iniciou o treino para piloto em outubro de 1915. Inicialmente parecia ser um piloto abaixo da média, tendo dificuldades em controlar o avião, e caiu logo no primeiro voo. Apesar do mau início, adaptou-se rapidamente, chegando a ignorar os conselhos de pilotos mais experientes relativamente a voar numa tempestade, reconhecendo “ter tido sorte em conseguir passar”. 

Depois de um período a pilotar aviões na frente oriental, juntou-se ao esquadrão de caça Jasta 2, vencendo o primeiro combate em Cambrai, França, a 17 de setembro de 1916. 

Depois da sua primeira vitória confirmada, Richthofen encomendou uma taça de prata gravada com a data e o tipo do avião inimigo a um joalheiro em Berlim, o que era uma prática oficial e corriqueira que havia sido descontinuada naquela época. O Barão Vermelho continuou com essa prática até colecionar 60 taças, altura em que as limitações no fornecimento de prata na Alemanha o forçaram a interrompê-la.

Richthofen não era um piloto espetacular ou acrobata, mas um estratega notável, excelente líder de esquadrão e ótimo atirador. Atacava os adversários de cima, para usufruir da vantagem da incidência do sol.

Estava no seu Halberstadt quando a 6 de março, em combate, foi atingido no tanque de combustível. Dessa vez conseguiu pousar o avião sem que este se incendiasse. 

A 6 de julho, Richthofen foi abatido e, depois de recuperar dos graves ferimentos, passou a voar com o muito reconhecido triplano Fokker Dr.I, o característico avião que lhe está normalmente associado. 

Apesar da associação feita pelo público em geral entre Richthofen e o Fokker Dr.I, apenas 19 das suas 80 vitórias foram obtidas com esse tipo de avião. Foi o seu Albatros D.III, número de série 789/16, que recebeu a pintura em vermelho brilhante pela primeira vez, no final de janeiro de 1917, e com o qual ele obteve o seu apelido e reputação. 

Manfred, como muitos dos seus companheiros pilotos, era muito supersticioso. Nunca saía em missão sem ser beijado por alguém querido, o que se tornou rapidamente um hábito difundido entre todos os pilotos de combate.
Vale a pena recordar heróis mesmo que, para nós, tenham estado “do lado errado” da História.

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