16/11/18
 
 
António Luís Marinho 13/04/2018
António Luís Marinho

opiniao@newsplex.pt

O ministro-sombra

Castro Mendes, dizem os especialistas, é um bom poeta. Mas será tal qualidade artística condição suficiente para ser ministro da Cultura? 

Uma máxima conhecida para a política diz-nos que “se queres viver, faz--te de morto”.

E há muitos políticos que a seguem com rigor.

Um exemplo claro nos nossos dias é o do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, personalidade do mundo da literatura, antigo diplomata, certamente uma pessoa estimável mas, no que respeita à função que devia exercer, uma verdadeira nulidade.

Na verdade, de cada vez que sai de um longo período de hibernação, os problemas agravam-se.

Recordo o caso das jantaradas no Panteão Nacional e, agora, a trapalhada na atribuição dos subsídios de apoio às artes.

Confrontado com contestação por parte de alguns elementos da comunidade artística não contemplados com as verbas que no passado lhes foram atribuídas, eis que aparece logo mais dinheiro – dois milhões de euros – anunciado pelo primeiro-ministro, ao mesmo tempo que o ministro da Cultura, titubeante, promete “repensar o modelo” que o seu secretário de Estado acabava de criar.

E já nem vale a pena falar da RTP, cuja tutela também pertence ao ministro da Cultura, onde se atingiu um nível de desorganização que certamente ficará para a História, persistindo num modelo de governação ruinoso, o denominado CGI – Conselho Geral Independente que, desde a sua criação, nunca foi conselho e muito menos independente, responsável pela nomeação de um conselho de administração onde um dos elementos exibia evidentes indícios de incompatibilidades para o exercício da função e que só ao fim de três anos é que foram “descobertos” pelo CGI e, pasme-se, pelo presidente do conselho de administração, único elemento da administração cessante que foi reconduzido.

No meio de tal balbúrdia, o ministro da Cultura assobia para o lado e tapa a boca, os olhos e os ouvidos.

Castro Mendes, dizem os especialistas, é um bom poeta. Mas será tal qualidade artística condição suficiente para ser ministro da Cultura?

A um ministro pedem-se ideias e ação, exatamente aquilo que não se encontra em Luís Filipe Castro Mendes, um verdadeiro “ministro-sombra”, ou talvez uma sombra de ministro.

 

Jornalista

 

 

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×