19/11/18
 
 
IRS. Saiba onde aplicar o reembolso

IRS. Saiba onde aplicar o reembolso

Shutterstock Sónia Peres Pinto 09/04/2018 20:53

Aqui ficam algumas dicas

Mesmo quem ainda não entregou a declaração de rendimentos poderá começar a fazer já planos onde investir esse dinheiro extra. Já quem optou ou vai optar pelo IRS automático prepare-se para receber esse valor rapidamente, uma vez que as Finanças já prometeram fazer o reembolso em 12 dias. Depois, já com o dinheiro na mão, é só escolher o produto de investimento de forma a conseguir rentabilizá-lo ao máximo. O i fez uma ronda pelos vários produtos de poupança e disponibiliza várias alternativas, umas com menos risco, outras com mais. A partir daí, é só escolher

Depósitos a prazo

Se a sua simplicidade é uma das vantagens, a taxa de remuneração oferecida torna este produto financeiro menos atrativo devido à queda da taxa da Euribor em todos os prazos. Apesar de ter vindo a perder adeptos nos últimos anos devido às taxas de juro que apresenta, continua a ser um dos instrumentos de poupança preferidos dos portugueses. A maioria dos depósitos está a pagar, em média, uma taxa anual líquida na ordem dos 0,4%, mas há ofertas ainda mais próximas do zero. Só consegue contrariar esta tendência se procurar as ofertas para novos clientes ou montantes elevados. Mas a verdade é que há bancos que estão a levar esta redução ao limite.

Face aos juros pagos, é fácil de compreender que o saldo aplicado em depósitos a prazo pelos portugueses tenha vindo a cair nos últimos meses. Ainda assim, segundo a DECO, há vários bancos que oferecem taxas acima da inflação exclusivas para novos clientes, como o Banco Privado Atlântico Europa e o Best Bank, por exemplo, que remuneram os depósitos a 3 meses com 1,6%. No Banco Big e Banco Carregosa, o mesmo prazo rende 1,44%. “Com algum jogo de cintura, pode obter uma taxa líquida de 1,5% e igualar a inflação anual sem pagar comissões de manutenção da conta”, diz a entidade. 

Mas se é certo que não existe nenhuma aplicação financeira que esteja 100% isenta de risco, também é verdade que há aplicações que comportam um risco maior do que outras. Se analisarmos a escala de risco dos vários produtos financeiros disponíveis para os aforradores e investidores, os depósitos estão entre as aplicações mais seguras e, no pior cenário e se o banco falir, os clientes podem recorrer ao Fundo de Garantia de Depósitos até 100 mil euros por banco e por titular. 

Certificados de aforro e CTPC

A perda de atratividade dos depósitos a prazo está a levar os aforradores portugueses a olharem cada vez mais para os produtos de poupança do Estado. Neste universo, os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC) – que vieram substituir os Certificados do Tesouro Poupança Mais – são o produto que mais interesse tem despertado. E só nos dois primeiros meses do ano foram aplicados mais de 200 milhões de euros neste instrumento financeiro.

No caso do aforro, a taxa de remuneração é calculada com base na média dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores, acrescida de 1%. Como a Euribor está atualmente em valores negativos, a taxa de juro para novas subscrições de certificados de aforro (série E) foi fixada em 0,672% bruta. Já nos CTPC, a taxa de juro é crescente: no primeiro e segundo anos são pagos 0,75% (remuneração bruta) e sobe para 1,05% no terceiro ano, 1,35% no quarto, 1,65% no quinto e 1,95% no sexto, até atingir no último ano 2,25%. A taxa de juro a partir do segundo ano é acrescida de um prémio correspondente a 40% do crescimento médio real do PIB, a preços de mercado nos últimos quatro trimestres conhecidos no mês anterior à data de pagamento de juros.

Obrigações do Tesouro

Até há bem pouco tempo, adquirir obrigações do Tesouro (OT) era um bom negócio, já que eram uma das formas mais rentáveis de aplicar as poupanças de médio ou longo prazo com capital garantido. Mas o certo é que as OT ganharam uma nova vida quando, em 2016, o Estado lançou as Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV) – o novo produto de dívida do Estado. Este produto inverteu a tendência de desinvestimento que as famílias portuguesas vinham fazendo em títulos de dívida. 

Em relação ao risco, é semelhante ao dos certificados, ou seja, só há risco de perder capital se o Estado entrar em incumprimento. 

Plano Poupança Reforma

Os Planos Poupança-Reforma (PPR) têm vindo a perder parte do interesse nos últimos anos, em parte devido à perda de benefícios fiscais. E o interesse de continuar a aplicar em PPR fica circunscrito aos aforradores entre os 40 e os 55 anos. “Quem está a menos de dez anos da aposentação não deve aplicar mais dinheiro em PPR”, refere a DECO. “Se tem um PPR e o desempenho deixa a desejar, transfira-o para outro mais rentável e com menos custos.” O Estado apresenta igualmente um produto próprio, mas também não tem tido grande sucesso. Angariou pouco mais de 7600 aderentes em oito anos e apresenta uma rentabilidade de 2,1%. 

A verdade é que os atuais produtos de poupança não têm revelado capacidade de atração para captar as poupanças, apesar de os planos de poupança-reforma (PPR) terem crescido cerca de 30%, passando de 1,7 milhões em 2016 para 2,2 milhões de euros em 2017. 

Bolsa

O investimento direto na bolsa ainda assusta muitos portugueses. Pode representar um negócio rentável, mas o risco é sempre mais elevado em relação aos outros produtos de investimento. O investidor pode fazer a compra individualmente, quando escolhe diretamente as ações que deseja, ou através de fundos de ações, ao adquirir unidades de participação de um destes instrumentos. Os especialistas aconselham os interessados a fazer este investimento a prazo (pelo menos a cinco anos) para ultrapassarem as flutuações do mercado. 

Qual a melhor solução para aplicar o seu dinheiro? O melhor é ir investindo de forma periódica e regular. A tendência dos mercados financeiros é para valorizar a longo prazo. O investimento periódico e regular permite ainda expurgar os efeitos da emoção no investimento. Não vale a pena tentarmos adivinhar o melhor momento para investir. 

Não se esqueça, no entanto, de que em momentos de maior incerteza devemos evitar o investimento num determinado ativo. O foco deverá passar por uma estratégia diversificada em que apostamos em vários ativos e, eventualmente, em classes de ativos distintas.

Não se esqueça da regra de “dividir para reinar”: ao escolher títulos de diferentes países e setores, consegue reduzir as flutuações do investimento. 

Tenha em conta o intermediário financeiro: uma opção acertada pode significar uma poupança de muitos euros – isto porque a eleição do melhor intermediário financeiro depende do seu perfil de investidor.

Ouro

O ouro continua a ser visto como um bom investimento de refúgio no caso de uma grave crise mundial e de colapso do sistema financeiro. No entanto, esta vantagem só se aplica ao metal em termos físicos, já que, no que toca ao investimento em produtos financeiros associados ao ouro (fundos, ETF, entre outros), é preciso ter em conta que a cotação desta matéria-prima é extremamente difícil de prever.

Há ainda outras desvantagens que estão associadas ao seu potencial de valorização e à especulação no mercado. E, ao contrário do que possa pensar, quando decidir vender as barras, nada garante que ganhe dinheiro. Por exemplo, quem comprou ouro em 2011 ou 2012 e tente vender agora, apenas recuperará pouco mais de metade do valor aplicado. Se considerarmos as comissões e as margens praticadas pelos bancos, a perda será ainda mais agravada. É muito provável que, mesmo num período de subida da cotação internacional do ouro, não consiga um melhor preço pelas barras dado o diferencial que existe entre o valor da venda e o da compra.

Mas independentemente da forma escolhida para investir no metal precioso – desde tê-lo nas mãos, comprando moedas e barras, ou investindo em produtos financeiros com exposição ao ouro –, o investidor deve ter sempre em consideração o horizonte temporal, que deve ser encarado numa perspetiva de longo prazo, e as perdas potenciais do investimento, já que, nos últimos tempos, o ouro tem vindo a perder o seu brilho.

Fundos de tesouraria

Os fundos de tesouraria têm vindo a conquistar o interesse dos investidores como forma de diversificarem as suas aplicações, sobretudo numa altura em que os depósitos a prazo apresentam retornos muito baixos. Para quem pretenda escolher um produto de baixo risco para aplicar o valor do reembolso de IRS, esta classe de fundos de investimento pode também ser uma boa alternativa. Estes fundos apostam sobretudo em títulos de grande liquidez (depósitos a prazo, papel comercial) e, como tal, oferece um bom grau de segurança. 

Esta segurança sai ainda mais reforçada face à diversificação do investimento que está associada aos fundos de investimento. 

A DECO garante que estes fundos de tesouraria são indicados para aplicar até um ano, sobretudo se não tiver a certeza de conseguir manter o investimento por mais tempo. Ao contrário da maioria dos depósitos a prazo, estes fundos não penalizam pelo resgate. No entanto, exigem um pré-aviso que varia de um a três dias, consoante o fundo. Outra vantagem é a valorização depender da cotação da unidade de participação (UP). 

A associação lembra ainda que, na maioria dos fundos, pode resgatar o capital em qualquer momento sem perder os juros, pois a valorização é calculada diariamente. Estes fundos servem para minimizar o efeito da inflação, evitando que o dinheiro aplicado perca poder de compra. Ainda assim, para o médio prazo (até cinco anos), aconselha a aposta nos certificados de aforro ou até mesmo em alguns depósitos com prémio de permanência ou online, uma vez que apresentam remunerações mais interessantes.
 

IRS
Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×