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Cambridge Analytica acedeu ilegalmente a dados de 87 milhões de utilizadores

Cambridge Analytica acedeu ilegalmente a dados de 87 milhões de utilizadores

AFP António Rodrigues 04/04/2018 21:24

Mark Zuckerberg, diretor executivo do Facebook, vai prestar declarações no congresso dos Estados Unidos no dia 11. 

Será a primeira das três comparências de Mark Zuckerberg no Congresso dos Estados Unidos para prestar declarações sobre o escândalo da Cambridge Analytica. Dia 11, o diretor executivo do Facebook vai responder a questões na comissão de Energia e Comércio da Câmara de Representantes sobre o “uso e a proteção dos dados dos utilizadores”. As comissões de Comércio e de Justiça do Senado também solicitaram a presença de Zuckerberg para responder às dúvidas dos senadores.

“Esta audição será uma grande oportunidade para esclarecer assuntos importantes sobre a privacidade de dados do consumidor, de modo a ajudar os americanos a compreenderem melhor o que acontece com a sua informação online”, afirmaram os congressistas Greg Walden e Frank Pallone, citados pelo “Washington Post”.

Para Walden e Pallone, o diretor executivo do Facebook é “a testemunha certa para dar respostas ao povo americano”. Os congressistas esperam assim que a presença de Zuckerberg seja mais esclarecedora que a dos executivos da empresa que participaram numa sessão à porta fechada na mesma comissão, o mês passado. A falta de resposta às questões apresentadas levaram a comissão a estender o pedido de audição ao criador da rede social Facebook. Mark Zuckerberg já se tinha disponibilizado, numa entrevista à CNN, a comparecer no Congresso dos Estados Unidos se fosse convocado.

O escândalo da Cambridge Analytica, empresa que conseguiu recolher informação pessoal de mais de 87 milhões de utilizadores do Facebook (julgava-se que eram 50 milhões, mas a rede social atualizou o número ontem), está a abalar a empresa e a fazê-la perder utilizadores e valor de mercado. "No total, acreditamos que a informação de Facebook de mais de 87 milhões de pessoas — a maioria nos EUA — foi indevidamente partilhada com a Cambridge Analytica", referiu a empresa no seu site institucional. 

A Cambridge Analytica, financiada em parte por um dos apoiantes de Donald Trump, o multimilionário Robert Mercer, recebeu da campanha presidencial de Trump quase seis milhões de dólares. A empresa participou também nas campanhas de Ted Cruz e do neurocirurgião Ben Carson para se tornarem candidatos do Partido Republicano à presidência dos EUA, ambos derrotados por Trump.

Para recolher os dados de forma disseminada, a Cambridge Analytica criou uma aplicação para testar a personalidade chamada This is Your Digital Life. As 200 mil pessoas que fizeram download da app deram, sem saber, a oportunidade à empresa para recolher informações sobre os seus amigos e os 200 mil utilizadores rapidamente se transformaram em 87 milhões.

Ajuda a Duterte

Ontem também se soube que o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, beneficiou da ajuda da Strategic Communications Laboratories (SCLGroup), empresa-mãe da Cambridge Analytica, nas eleições presidenciais em 2016. Segundo o “South China Morning Post”, o SCLGroup agarrou num candidato presidencial que era visto como gentil e honrado e transformou-o num homem forte, de ação, duro e que não brinca em serviço.

“No período que antecedeu as eleições nacionais, o candidato incumbente era visto na generalidade como gentil e honrado, qualidades que a sua equipa de campanha considerava como potencialmente vencedoras da eleição. Mas a pesquisa da SCL mostrou que muitos grupos dentro do eleitorado estariam mais propensos a ser influenciados por qualidades como a dureza e a determinação”, diz a empresa no seu site.

Munida desses resultados, a SCL transformou esse homem visto como simpático num vigilante, um homem que não olha a meios para combater o tráfico de droga, recorrendo a execuções extrajudiciais e sem qualquer respeito pelos direitos humanos.

“A SCL usou a questão transversal do crime para mudar a imagem do cliente para um homem de ação, duro e determinado, que apelava aos verdadeiros valores dos eleitores”, explica a empresa.

Alexander Nix, que no mês passado foi suspenso do cargo de diretor executivo da Cambridge Analytica, deu uma palestra no National Press Club das Filipinas em maio de 2015 onde defendeu que “as campanhas eleitorais nunca mais serão as mesmas”, citado na altura pelo “Manila Times”.

Explicava Nix que, “devido ao advento da tecnologia de ponta”, os “métodos tradicionais e convencionais que têm sido utilizados nas eleições do último século podem ainda continuar a funcionar, mas não terão nada a ver com as novas estratégias e táticas [eleitorais], que são produtos de microdirecionamento comportamental, perfis psicográficos, análises preditivas e muitas outras ferramentas modernas”.

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