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Suécia. Novo imposto na aviação para combater alterações climatéricas

Suécia. Novo imposto na aviação para combater alterações climatéricas

DR Magalhães Afonso 03/04/2018 19:29

Maioria dos suecos apoia taxa que visa reduzir pegada de carbono dos voos, no seguimento do aumento acentudado do tranporte aéreo

Desde o início deste mês que os voos de passageiros que partam da Suécia pagam mais impostos. A nova taxa sobre a aviação, que tem o apoio da maioria dos suecos e já é aplicada noutros países, tem como objetivo diminuir o grande impacto do transporte aéreo no ambiente.

“O objetivo do imposto é minimizar a pegada de carbono dos voos depois de um aumento acentuado no transporte aéreo”, justificou a ministra do Clima, Isabella Lövin, num artigo publicado no “Dagens Nyheter”.

Assim, a todos os voos com partida da Suécia foi acrescentado um imposto que varia entre as 60 e as 400 coroas suecas (seis a 39 euros), dependendo do destino. A taxa será aplicada a toda a gente com exceção de bebés de colo, tripulações de voo, passageiros em trânsito que não troquem de avião e, em algumas circunstâncias, aqueles que estão em trânsito para apanhar outro avião.

Entrevistada pela BBC, Isabella Lövin afirmou que as “emissões que vêm da aviação na Suécia aumentaram muito nos últimos 30 anos” e “de forma a equilibrar com outras formas de transporte, a decisão tomada agora foi a de criar um imposto sobre a aviação”.

Uma decisão com a qual a maioria dos suecos parece concordar. Segundo uma sondagem publicada a semana passada, 53% dos suecos são favoráveis ao novo imposto. Há um ano o mesmo estudo de opinião dava 44% de respostas positivas. Perto de 35% dos suecos opõem-se à taxa, um número semelhante ao do ano passado. O número de indecisos é que baixou de 20% para 12%.

O principal partido da oposição critica a medida, defendendo antes que as companhias aéreas sejam obrigadas a usar uma percentagem de biocombustíveis. Também as empresas de aviação – SAS, BRA e Norwegian – defenderam em conjunto que os benefícios ambientais desta medida serão “mínimos” e que os recursos deverão ser antes investidos em combustíveis mais limpos e em tecnologia amiga do ambiente.

“Até agora vimos muito poucos esforços da indústria para reduzir emissões, apesar do grande aumento do tráfego aéreo nos últimos anos, por isso é bom que a indústria invista em nova tecnologia, mas é óbvio que não é apenas a cenoura que conta, é também o pau”, respondeu à BBC a ministra do Clima quando questionada sobre a posição. Na opinião do executivo sueco, é injusto que o método de transporte mais prejudicial para o ambiente seja o único que atualmente não paga qualquer tipo de imposto pelas suas emissões.

Segundo Isabella Lövin, a Suécia está no “top 10 mundial da lista de voos baratos e também há mais viagens aéreas na Suécia – mais de 70% desde 1990 – e se continuarmos nesta tendência nunca conseguiremos cumprir com o acordo de Paris”.

Impacto global A maioria das projeções aponta para que a aviação contribua para 2% das emissões globais de dióxido de carbono (CO2). Mas há especialistas que afirmam que a contribuição do setor para o aquecimento global é pelo menos duas vezes superior que o efeito isolado do CO2.

Mas mesmo que a contribuição do setor tenha sido de 2% para as emissões globais, apenas 3% da população mundial andou de avião em 2017 e 82% nunca subiu num avião. Ainda assim, desde 2009 que se batem recordes de passageiros aéreos todos os anos o que, segundo a governante sueca, é insustentável.

A alternativa, diz Isabella Lövin, passa por usar outros meios de transporte como o comboio ou as viagens de negócios “serem substituídas por reuniões digitais”.

 

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