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Papa Francisco denunciou "extermínio" na Síria

Papa Francisco denunciou "extermínio" na Síria

Ricardo Cabral Fernandes 01/04/2018 18:27

No seu discurso de domingo de Páscoa, o líder religioso apelou à paz e ao respeito pela dignidade humana

Em mais um discurso marcante, o Papa Francisco voltou a apelar à paz e respeito pela dignidade humana por todo o mundo. 

“[A crença] produz frutos de esperança e dignidade onde há privação e exclusão, fome e desemprego; onde há migrantes e refugiados, tantas vezes rejeitados pela cultura atual do desperdício; onde há vítimas do tráfico de drogas, tráfico humano e formas contemporâneas de escravidão”, disse o Papa Francisco a 80 mil fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano, Roma. “Nós, cristãos, acreditamos e sabemos que a ressureição de Cristo é a verdadeira esperança do mundo, a esperança que não dececiona”. Uma esperança, mas também força, que, disse, “renova um mundo” e que “dá fruto também hoje nos sulcos da nossa história, marcada por tantas injustiças e violências”. 

Foi com a esperança de ser ouvido que o Papa Francisco abordou os principais conflitos que hoje assolam o mundo. Um discurso onde não faltaram as referências à guerra na Síria e ao conflito israelo-palestiniano, não esquecendo as guerras que têm destruído o continente africano e a crise humanitária na Venezuela.  

“E nós, hoje pedimos frutos de paz para o mundo inteiro, a começar pela amada e martirizada Síria, cuja população se encontra exausta por uma guerra sem fim à vista”, afirmou. O líder religioso apelou ainda ao “Cristo Ressuscitado” para iluminar “as consciências de todos os responsáveis políticos e militares” para que se termine com o “extermínio em curso” e se “respeite o direito humanitário”. Como primeiro passo nesse sentido, o líder religioso instou à permissão de “ajuda humanitária tão urgentemente necessária” e a que garantias sejam dadas para o “retorno dos deslocados”. 

Dois dias depois de 17 civis palestinianos terem sido mortos por militares israelitas na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, o Papa pediu a reconciliação na “Terra Santa, que vem sendo golpeada por conflitos que não poupam os indefesos”, referindo-se ainda ao Iémen, onde já morreram pelo menos dez mil pessoas na consequência da guerra civil e da intervenção militar da Arábia Saudita, com apoio norte-americano. E alertou para os cristãos que têm sofrido “abusos e perseguições” no Médio Oriente. 

África também não foi esquecida pelo sumo pontífice. “Suplicamos neste dia para todos aqueles que anseiam por uma vida mais digna, especialmente nas regiões do continente africano atormentadas pela fome, por conflitos endémicos e pelo terrorismo”, disse. As duas maiores preocupações do Papa neste continente foram o Sudão do Sul e a “mortificada República Democrática do Congo”, apelando ao “diálogo e à compreensão mútua”. “Não esqueçamos as vítimas daquele conflito, sobretudo as crianças!”, apelou. 

Também não faltaram as mensagens (bem) diretas aos líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte, entre outros, para que “ajam com sabedoria e discernimento para promover o bem do povo coreano e construir relações de confiança”. 

O Papa referiu ainda a utilidade de se darem “passos a favor da concórdia” que facilitem “as iniciativas humanitárias” na Ucrânia, mas também na Venezuela, para que o povo venezuelano possa “encontrar a via justa, pacífica e humana para sair, o mais rápido possível, da crise política e humanitária que o oprime”.

No final da sua mensagem de domingo de Páscoa, o Papa deixou ainda algumas palavras às crianças que crescem entre guerras e que são privadas de educação e assistência sanitária, bem como aos idosos “descartados pela cultura egoísta que põe de lado aqueles que não são ‘produtivos’”. Mas também palavras dirigidas aos líderes mundiais: “Imploramos para aqueles que, em todo o mundo, têm responsabilidades políticas, a fim de que respeitem sempre a dignidade humana, trabalhem com dedicação ao serviço do bem comum e garantam progresso e segurança aos seus cidadãos”. 

Procurar Deus

Ontem, na homilia pascal na Sé de Lisboa, o cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, optou por abordar a ligação dos fiéis com a fé. “O cristão é aquele que anseia encontrar o ressuscitado em cada momento da sua vida”, disse, referindo ainda que os crentes “têm a tarefa de o procurar e a missão de repercutir no pequeno mundo, na vida de cada um, os seus ensinamentos”. 

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