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Portugal-Holanda. Laranja não tem caroço...

Portugal-Holanda. Laranja não tem caroço...

DR Afonso de Melo 26/03/2018 12:20

Na história dos confrontos entre as duas seleções, apenas uma derrota portuguesa, em 1991. Vitórias importantes no Euro-2004, Mundial-2006 e Euro-2012

Há uma cançoneta meio idiota que vai assim: “Banana não tem caroço/Não tem caroço/Não tem não tem/É como carne sem osso/Não tem caroço/Mas sabe bem”.

Convenhamos que, como letra, é difícil algo de mais ridículo, com perdão para Quim Roscas e Zeca Estancionancio, os putativos autores da cegarrega. Mas pouco importa. Não é propriamente de banana que quero falar, é de laranja, neste caso a laranja da Holanda, o cor-de-laranja da Casa de Orange-Nassau, desse Guilherme I, ou Guilherme O Taciturno, que ganhou o nome de Pai da Pátria.

Depois do Mundial de 1974, no qual pela primeira vez os holandeses surgiram como grande seleção internacional, fazendo tábua rasa do muito tempo que estiveram arredados do profissionalismo atrasando a evolução do seu futebol, a seleção dos Países Baixos ganhou o apodo de Laranja Mecânica. E, desde aí, mais mecanicamente ou menos mecanicamente, tem-se mantido no topo do futebol europeu e mundial.

Foi apenas em 1990 que Portugal defrontou finalmente os holandeses. No Porto, Estádio das Antas, na qualificação para o Europeu de 1992, na Suécia. Ao fim ao cabo, o campeão da Europa em título. A vitória por 1-0, com golo de Rui Águas a centro de Paneira, deu mote para uma série de resultados tão positivos que se pode dizer, à moda dos tais Roscas e Estancionancio, que a laranja para Portugal não tem caroço. Doze jogos e apenas uma derrota é de sublinhar. Uma derrota que surgiria no segundo confronto entre ambas as equipas, em Roterdão (0-1), deixando os portugueses de fora do tal Euro sueco. Não voltaria a repetir-se.

A doer. Têm sido variados os jogos a doer. Dois deles registam-se no topo das preferências. O da meia-final do Europeu 2004, em Alvalade, e o dos oitavos-de-final do Mundial de 2006, em Nuremberga.

A frustração holandesa foi profunda em ambos os casos, sobretudo no segundo. Durante o Europeu do nosso contentamento, disputado em Portugal, os golos de Cristiano Ronaldo e Maniche (e que golo!!!) sobrepuseram-se a uma pequena tremedeira final provocada por um auto-golo de Jorge Andrade. Na Alemanha, as coisas piaram muito mais fino. Um carniceiro chamado Boularouz caçou Ronaldo a patadas como se perseguisse uma ratazana. Em pouco tempo deixou o português incapaz de continuar em campo com uma carga tão dura que deveria ter merecido o vermelho por parte de um árbitro cúmplice e inepto que esteve ligado a muitos episódios deprimentes do futebol dos últimos anos: Ivanov. Maniche, mais uma vez, moeu a cabeça a Van der Sar com um golo repentino que decidiu o encontro. A vitória por 1-0 foi arrancada do fundo da alma num encontro que teve quatro expulsões, duas para cada lado. E, se a vitória de Alvalade, em 2004, deu a Portugal a primeira presença numa final de uma grande competição, a de Nuremberga catapultou a seleção nacional para um caminho brilhante apenas interrompido pela França na meia-final de Munique.

Esta Holanda que Portugal vai encontrar em Genebra, hoje pelo final da tarde, é seguramente amarga. Não estará presente na fase final do Mundial deste ano, na Rússia, tal como não se qualificou para a fase final do último Campeonato da Europa, em França. Momentos difíceis para uma seleção que já conta com três presenças em finais de campeonatos do mundo (1974, 1978 e 2010) e um título europeu (1988).

O último confronto teve lugar em 2013, no Algarve, num particular que terminou empatado (1-1). O mais recente desafio oficial foi na fase de grupos do Euro-2012, disputado na Polónia e na Ucrânia, com vitória portuguesa, mais uma, por 2-1. Cristiano Ronaldo, quem mais poderia ser?, marcou esses três últimos golos da equipa-de-todos-nós, como lhe chamou há muitos, muitos anos, Ricardo Ornellas.

Procura Ronald Koeman, um dos que foi campeão europeu com a camisola laranja do leão rompante e que teve uma breve experiência como treinador do Benfica, relançar a sua esquadra para os tempos que se sucedem. E devolver-lhe uma credibilidade atualmente bastante abalada pelos desaires sucessivos que a levou a boiar aflitivamente no quarto e no terceiro lugares dos últimos grupos de apuramento para 2016 e 2018. A crise data do início de 2014 e parece estar longe de desaparecer. Talvez uma vitória sobre o campeão da Europa traga um sorriso de orgulho aos seguidores da laranja.

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