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Estudo. Portugueses já não põem a carreira em primeiro lugar

Estudo. Portugueses já não põem a carreira em primeiro lugar

Jornal i 21/03/2018 14:54

Na hora de escolher emprego, os portugueses já não apontam a estabilidade de carreira como o fator principal. Esta é a principal mudança apontada pelo estudo “Randstad Employer Brand Research 2018” face ao ano anterior

Para os portugueses, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional é o fator primordial na tomada de decisão do seu trajeto profissional. A conclusão é do “Randstad Employer Brand Research 2018”, um estudo sobre “employer branding”, desenvolvido junto da população ativa.

Este ano, o desejo de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional ultrapassou a estabilidade de carreira, o critério apontado como mais importante nas edições anteriores do estudo.

De acordo com os dados apresentados, 53% dos inquiridos destacaram como fator primordial o equilíbrio entre a vida pessoal profissional, seguido pela estabilidade de carreira (52%). Outra evolução a destacar diz respeito à valorização do critério progressão de carreira (51%) face ao ambiente de trabalho (49%), que era um dos fatores em evidência em 2017.

O salário continua a ser os critério mais votado pela maioria dos portugueses (66%). Contudo, de acordo com a Randstad, “este é um fator “higiénico” na relação laboral e não um elemento diferenciador na proposta de valor do empregador”.

“A análise da atitude e das expectativas dos trabalhadores face ao ambiente de trabalho permite identificar quais os fatores mais valorizados e que podem influenciar a escolha de uma carreira ou de uma empresa específica, ajudando na gestão dos recursos humanos de forma a potenciar a atividade e, ao mesmo tempo, dando vantagem competitiva para atrair e reter os melhores talentos”, explica Paulo Alexandre Ferreira, secretário de Estado Adjunto e do Comércio.

Consoante o género, a idade e as habilitações literárias são detetadas diferentes abordagens nos inquiridos. A maioria dos homens considera o salário e os benefícios mais importantes, enquanto as mulheres valorizam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

Ao nível de grupos etários, a geração dos 18 aos 24 anos destaca as oportunidades de progressão na carreira, face a outros atributos. Os inquiridos entre os 25 e os 44 anos apontam o salário e benefícios como o fator mais importante. Já a geração entre os 45 e 64 anos é a que dá maior importância à saúde financeira.

No que diz respeito às habilitações literárias, constata-se que os inquiridos com formação superior dão maior importância ao equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, em detrimento da segurança profissional, que está em destaque nos perfis com menor grau de formação.

“Estas assimetrias conseguem ser compreendidas quando ligadas à nossa conjuntura. No ano passado a segurança profissional já era um atributo com enorme relevância, mas acreditamos que o aumento da confiança, assim como a descida da taxa de desemprego, estão a trazer novos fatores de atratividade para cima da mesa”, considera José Miguel Leonardo, CEO da Randstad Portugal.

Setores e empresas mais atrativos Segundo o estudo da Randstad, o setor da saúde é eleito pelos portugueses como o mais atrativo para trabalhar. Seguem-se os setores da aviação, tecnologias de informação e consultoria, turismo e lazer, banca e comida e bebidas.

Os fatores que levam à distinção destes setores são o aspeto financeiro, a responsabilidade social, o conteúdo de trabalho interessante, a segurança profissional, o bom ambiente de trabalho, a boa reputação e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

A Microsoft mantém o título de empresa mais atrativa para trabalhar, conquistado no ano passado. Em segundo lugar ficou a Hovione, seguida da TAP, que repete o terceiro lugar de 2017. O top fica completo com a Nestlé, ANA – Aeroportos de Portugal, RTP, Delta Cafés, Siemens, Banco de Portugal e Corticeira Amorim.

“Uma questão de perspetiva e de expectativa” Analisando os dados do estudo da Randstad, é notório que há um desfasamento entre os critérios que os candidatos valorizam numa decisão de emprego e os fatores em que os principais empregadores em Portugal são bem classificados.

Do lado dos trabalhadores, os critérios mais valorizados são o salário e benefícios, equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e segurança profissional. Contudo, as melhores classificações das empresas são nos atributos da saúde financeira, utilização das tecnologias mais recentes e na boa reputação.

O critério progressão na carreira é o que parece ter um menor desfasamento entre a importância para os inquiridos e a classificação das empresas. Por outro lado, a diferença mais acentuada regista-se no equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

“Este tema não é novo nas organizações, há muito que se fala na importância deste equilíbrio e até na relação do mesmo com a felicidade dos nossos talentos. Mas a tecnologia talvez tenha ajudado a “desequilibrar” o horário de trabalho e, por isso, é necessário olhar de forma mais profunda para este tema. Claramente, as necessidades do mercado são outras, com ritmo de resposta e execução rápido e exigente. O mundo laboral, tal como o conhecíamos, mudou”, afirma José Miguel Leonardo.

Mudar ou não mudar de emprego? A confiança no mercado e o otimismo em relação ao comportamento da economia nacional estão “a contribuir para que os portugueses se sintam mais confiantes para mudar de emprego”. Segundo os dados divulgados pelo Randstad, 15% dos inquiridos mudou de empresa no último ano e 27% tenciona fazê-lo no próximo ano.

O “Randstad Employer Brand Research” identificou os fatores que levaram os portugueses a mudar de emprego ou a ficar na mesma empresa. Os inquiridos que se mantiveram na mesma empresa e não têm planos para sair no próximo ano destacaram a estabilidade profissional (48%), o salário e benefícios (41%) e a saúde financeira (40%) como principais fatores para essa decisão.

Para os entrevistados que mudaram de empresa ou têm o objetivo de o fazer no próximo ano, os critérios centrais que sustentam a opção são a compensação baixa (54%), a evolução de carreira curta (50%) e a falta de reconhecimento (42%).

 

 

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