24/9/18
 
 
Alexandra Duarte 12/03/2018
Alexandra Duarte

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Ainda sobre as mulheres

São muitas as mulheres brilhantes que se destacaram na história da humanidade, umas mais discretas, outras mais enaltecidas, mas todas foram importantes para todos nós

Esta semana celebrou-se o Dia Internacional da Mulher. Um dia que tem vindo a revestir-se de uma grande importância para muitas mulheres, ainda que, por esse mundo fora, muitas nem saibam da sua existência ou o seu significado. Um dia simbólico em que se reivindicam direitos iguais entre homens e mulheres, em que se grita por justiça social, igualdade salarial, mais mulheres a desempenharem profissões ou cargos que ainda pertencem maioritariamente aos homens… 

É uma semana em que se escreve sobre tudo o que se refere às mulheres, são apresentados estudos sobre o papel das mulheres na sociedade e até o conselho de ministros aprovou alterações à lei da paridade, aumentando de 33% para 40% o limite mínimo da representação por género nos órgãos da administração pública e nas listas eleitorais. Pretende--se com esta alteração uma representação equilibrada entre homens e mulheres nos quadros dirigentes e nos órgãos da administração pública, onde se incluem as instituições do ensino superior e as associações públicas, como as ordens profissionais, e um reforço da lei da paridade de 2006 sobre a representação por género nos órgãos do poder político.

Tudo o que se refira ao empoderamento feminino assume uma preponderância esmagadora, como se a mulher estivesse num processo de renascimento ou reinvenção que corta definitivamente com as grilhetas e mordaças a que foi sujeita até aos dias de hoje. Em nome das que ainda sentem estas repressões na pele, mulheres juntam-se e reclamam igualdade de direitos perante os homens mudos que nada podem ou devem dizer e perante aqueles que já foram convertidos e até marcham ao lado destas ativistas que se manifestam em nome de todas nós.

Na rua encontramos mensagens a alertar para o assédio sexual que ainda vitimiza muitas mulheres nos seus postos de trabalho, condenando-as a um silêncio imposto pelo medo de perderem o sustento, mas logo abaixo podemos ler um subtítulo que me causa alguma perplexidade para quem advoga a igualdade: “A rua é de todas.” Só de todas? Porque não de todos?

Quando falamos em igualdade devemos ser objetivos e não tendenciosos. Parece-me que este discurso da igualdade tem sido útil na justa medida em que vamos tendo por determinação legislativa uma imposição da paridade em números percentuais que se vai aproximando dos 50/50. Mas como é do conhecimento comum, em Portugal temos atualmente 52,6% de mulheres, ao passo que, tendo em conta a população mundial, a proporção é de 101,8 homens por cada 100 mulheres. As realidades numéricas diferem de país para país. Por exemplo, nos Emirados Árabes Unidos, a percentagem de homens é de 73%, contrastando com os 46% da Letónia. A discussão da igualdade dos direitos é mais do que necessária por todos os motivos que conhecemos; contudo, quando colocamos a discussão com um referencial numérico, sinto que há um esvaziamento do princípio da igualdade e da sua incrementação na sociedade e para as gerações vindouras. Sabe-me a fast food…

Celebro com afeição este dia evocativo de todas as mulheres que nos antecederam e que foram capazes de grandes feitos para e por todos nós, mas também recordo as mulheres que, bem longe, ainda são subjugadas a hierarquias ancestrais que em nada as protegem e em que os direitos e a igualdade não têm significado.

São muitas as mulheres brilhantes que se destacaram na história da humanidade, umas mais discretas, outras mais enaltecidas, mas todas foram importantes para todos nós. Não só para nós, mulheres, mas também para os homens, que beneficiam desta parceria que se quer equilibrada. Emmeline Pankhurst foi uma das mulheres que recentemente, no início do século passado, mais contribuíram para a igualdade de direitos, de direitos humanos. A sua posição radical perante o governo de Inglaterra foi proporcional à sua crença na necessidade do reconhecimento do direito ao voto para as mulheres porque a sua luta era sobre os direitos humanos e sobre a elevação da mulher à condição de ser elegível para desfrutar dos direitos humanos na sua plenitude, tal como o homem, sem qualquer diferenciação entre os dois. Homem e mulher, lado a lado.

Escreve quinzenalmente à segunda-feira

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