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Adeptos em fúria. Quando os jogos se transformam numa batalha campal

Adeptos em fúria. Quando os jogos se transformam numa batalha campal

AFP Photo Laura Ramires 12/03/2018 10:27

Só este sábado foram registados dois episódios deste tipo em ligas diferentes. Primeiro por parte dos apoiantes do West Ham e, horas depois, pelos adeptos do Lille

A (triste) cena está longe de ser uma novidade no mundo do futebol e, em boa verdade, repete-se de forma bem mais recorrente do que a desejada. O motivo, esse, é quase sempre o mesmo: manifestar o desagrado para com o atual momento da equipa. Só este sábado foram dois os episódios registados que constatam a invasão de campo por parte de adeptos, transformando os respetivos encontros em verdadeiras batalhas campais.

O primeiro caso (deste fim de semana, atenção!) ocorreu na Liga inglesa em encontro entre o West Ham, que contou com o português João Mário a titular, e o Burnley, a contar para a 30.a ronda da Premier League. No Olympic Stadium, reduto dos primeiros, a confusão instalou-se à passagem do minuto 66, altura em que surgiu o primeiro golo dos clarets, tendo um dos adeptos da equipa da casa chegado a arrancar a bandeira de canto após entrada na área reservada ao jogo. Com a situação aparentemente controlada após a segurança ter encaminhado o homem para fora do recinto, a inquietação vivida entre os adeptos dos hammers não conseguiu ficar contida na bancada quando, cerca de dez minutos depois, a equipa visitante voltou a marcar. O 2-0 despertou, mais uma vez, a fúria dos apoiantes dos hammers e seria registada nova invasão dentro das quatro linhas. O médio inglês Mark Noble foi um dos jogadores a exteriorizar a sua revolta, chegando mesmo a vias de facto ao empurrar um adepto do seu clube. Mais tarde, David Sullivan e David Gold, proprietários do West Ham, acabaram mesmo por ser convidados a abandonar o estádio, por motivos de segurança, já que estavam a ser alvo do descontentamento da massa associativa e respetivos adeptos, grupo que tentava a todo o custo alcançar a bancada presidencial, onde se encontravam os donos do emblema inglês situado no leste de Londres. O pesadelo terminou com uma pesada derrota do West Ham já que Chris Wood, avançado do Burnley que assinou o segundo golo, voltou a marcar ao minuto 80, selando o resultado final (0-3). 

Luta pela manutenção O West Ham somou, assim, a sua terceira derrota consecutiva, depois das goleadas sofridas com o Liverpool (4-1) e o Swansea (4-1), e ocupa neste momento o 16.o lugar da Premier League, com 30 pontos.

Visto de outra perspetiva, os hammers estão atualmente dois lugares acima da linha vermelha (com uma curta vantagem de três pontos para o Crystal Palace, primeiro emblema a surgir na zona de despromoção), passando o principal objetivo da equipa pela manutenção. Para os adeptos, contudo, só há um caminho: a demissão da direção. O pedido nesse sentido foi também ele feito pelos adeptos do West Ham ao longo dos 90 minutos, através das várias tarjas mostradas. “Não somos mais o West Ham”, “Demitam a direção” ou “Prometeram-nos um sonho e deram-nos um pesadelo” foram algumas das mensagens expostas nas faixas. 

Momentos depois Horas depois do West Ham-Burnley, disputado pelas 15h15, eis que o cenário se repete, mas desta feita na Liga francesa e com outras proporções. Na receção ao Montpellier, o Lille não foi além de um empate a uma bola, resultado inaceitável na visão dos adeptos. No final do encontro, centenas de adeptos invadiram o Pierre-Mauroy, terreno do Lille, com o intuito de pedir justificações aos jogadores orientados por Christophe Galtier. A polícia não demorou a entrar em ação, formando um cordão de segurança de modo a impedir que os adeptos atingissem os homens da casa. Todavia, a imprensa francesa dá conta de que alguns dos jogadores chegaram mesmo a ser agredidos pelos adeptos. O médio brasileiro Thiago Mendes foi um dos atletas visados e garantiu que nunca pensou “passar por uma situação” assim. “Foi de repente. Logo depois do apito final, não tivemos reação. Alguns jogadores foram agredidos, eu fui agredido por uma mulher. Ela chegou ao pé de mim, deu-me um soco no peito e puxou-me a camisola. Fiquei parado, na minha, não ia reagir, ainda para mais tratando-se de uma mulher... Depois chegou um segurança que a levou”, explicou ao “Globo Esporte”, adiantando ainda que se não fosse a atuação eficaz das autoridades francesas, “provavelmente já não estaria aqui”. O Lille ocupa neste momento o penúltimo lugar da Ligue 1 (19.o), em zona de despromoção, e não vence há seis jogos. No total, em 29 jornadas, o clube soma 15 derrotas (!!) e apenas sete vitórias. 

Exemplos sem fim Infelizmente, estes episódios são de tal modo repetitivos no desporto-rei que o mais difícil acaba mesmo por ser conseguir fazer uma seleção dos mesmos. Assim sendo, olhemos para os mais recentes. Ora, no passado fim de semana, na 2.a divisão holandesa, o encontro entre os Go Ahead Eagles e o De Graafschap, na casa dos primeiros, acabou com confrontos entre os adeptos da equipa da casa e os jogadores adversários. Os Eagles, 17.os na tabela, foram goleados por 4-0 mas, neste caso em concreto, a raiva dos adeptos acabou por ser descarregada nos jogadores do Graafschap, quarto classificado. Valeu, como nos exemplos anteriores, a intervenção policial, que levou a cabo várias detenções após a invasão de campo. Recuando mais um pouco, ao mês passado, encontra-se outra situação semelhante. Na Grécia, os adeptos do Olympiacos seguiram até ao relvado após a derrota da equipa frente ao rival AEK Atenas, por 2-1, em jogo do campeonato. O dérbi ateniense acabou com a entrada em cena das autoridades policiais no Estádio Georgios Karaiskakis, que recorreram ao uso de gás lacrimogéneo para dispersar os adeptos que iam destruindo os cartazes de publicidade junto ao relvado. Já em novembro do último ano, um dos casos mais mediáticos aconteceu numa partida com uma equipa portuguesa. Adeptos e jogadores do Marselha envolveram-se em agressões no relvado do Estádio D. Afonso Henriques, ainda antes do início do jogo para a Liga Europa entre a equipa francesa e o Vitória de Guimarães. As agressões começaram antes do encontro, após uma bola ter sido enviada por parte de um dos jogadores do emblema francês para a bancada onde se encontravam os seus apoiantes. À data, o futebolista Evra pontapeou um adepto francês e... foi suspenso pela UEFA (sete meses) e despedido do Marselha. 

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