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Espanha. A primeira greve das mulheres parou o país

Espanha. A primeira greve das mulheres parou o país

OSCAR DEL POZO Félix Ribeiro 08/03/2018 19:04

Mais de cinco milhões de mulheres não trabalharam pelo menos duas horas no Dia da Mulher. Muitas mais protestaram pelo mundo. 

A primeira experiência no mundo a uma greve de género causou um impacto transformador em Espanha, onde à volta de 6 milhões de mulheres não trabalharam de todo ou fizeram uma paralisação de duas horas nos turnos da manhã. O impacto, inesperado na sua dimensão, fez-se notar ensurdecedoramente.

Ao longo do dia realizaram-se 300 manifestações em mais de 200 localidades espanholas, nas quais se reivindicou a igualdade salarial que não existe no país ou qualquer outro lugar, o fim da violência de género e as agressões e opressões sexistas, como outros tipos de exploração das mulheres.

As duas centrais sindicais de Espanha e oito outros sindicatos apoiaram a greve e avançavam os números a meio da tarde desta quinta-feira, à medida que as ruas explodiam com manifestações maioritariamente pacíficas – registaram-se alguns confrontos, ligeiros, no momento em que a polícia tentou desimpedir algumas vias.

O manifesto para a greve desta quinta recomendava também uma greve aos trabalhos domésticos e ao consumo. “Se nós pararmos, o mundo para”, afirmava-se no manifesto e nas ruas. “Se as mulheres pararem, isso deve notar-se”, escrevia, por sua vez, Ana Rosa Quintana, uma das três apresentadoras que se recusou a conduzir normalmente o seu programa da manhã – dois foram cancelados e um terceiro apresentou-o um homem.

Os transportes públicos ficaram esta quinta reduzidos aos serviços mínimos, jornais e televisões viram as redações vazias, lojas, em hospitais, escolas e câmaras municipais as mulheres protestaram ou pararam. O governo do Partido Popular, no entanto, tomou a via contrária, dizendo que a greve e manifestações estava dirigidas às elites feministas “e não às mulheres verdadeiras com problemas de todo o dia”.

Das cinco mulheres ministras espanholas, uma, a da Agricultura, Isabel García Tejerina, e a presidente da comunidade de Madrid, Cristina Cifuentes, disseram que iriam trabalhar ainda mais horas que o habitual para demonstrar a tenacidade das mulheres – tenacidade que, no entanto, não parece dar frutos: o Eurostat documenta que as mulheres recebem em média salários 13% mais baixos no setor público e 19% no privado pelos mesmos postos desempenhados por homens.

Uma sondagem efetuada pelo “El País” revela que 82% das pessoas apoiava a greve desta quinta e que 76% acredita que as mulheres têm vidas piores que as dos homens. Se o epicentro dos protestos feministas do Dia da Mulher se encontrava em Espanha, sentiam-se as réplicas em 170 países, incluindo, por exemplo, na Turquia, onde em Istambul se reuniram dezenas de milhares de pessoas a protestar contra a desigualdade e repressão das mulheres. 

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