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Assis chama à geringonça “embuste” e fala de “nova fase”

Assis chama à geringonça “embuste” e fala de “nova fase”

Miguel Silva Filipa Traqueia 23/02/2018 09:08

A possibilidade de Rio e Costa reeditarem o bloco central surge como ameaça ao acordo da geringonça

“Poderemos todos continuar a fingir que nada disto é importante, que se pode construir um projeto comum” entre PS, Bloco de Esquerda e PCP, apesar das “insuperáveis e reiteradas divergências”. “Poderemos fazê-lo se aceitarmos reduzir o discurso político à dimensão de um embuste”, escreveu ontem Francisco Assis, o eurodeputado do PS, na sua crónica no “Público”.

Conhecido crítico do acordo do PS à esquerda, não admira que Assis tenha palavras elogiosas para Rui Rio. O eurodeputado considerou “bastante inteligente” o facto de Rio ter citado Helmut Schmidt no discurso “consistente” que fez no congresso do PSD, reiterando a matriz social-democrata do partido. “É inquestionável que a vida política portuguesa se prepara para entrar numa nova fase” e isso mesmo prova-se num “certo nervosismo” que “parece ter tomado conta dos setores mais extremistas, seja à esquerda, seja à direita”, disse.

À esquerda, o BE remete qualquer comentário sobre o renascimento do bloco central à posição de Catarina Martins, no dia 17 de fevereiro: “Rui Rio garantiu várias vezes no seu discurso [de sexta-feira] que bloco central nem pensar, mas que é preciso um acordo de regime para mudar o regime, para ter a certeza de que nada é feito sem o acordo da direita”, disse a coordenadora.

Para Catarina Martins, aquilo que Rio quer é mesmo uma “mudança do regime político” para um “que tire qualquer capacidade à esquerda de definir políticas e que dê à direita o veto de todas as políticas”.

Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, partilhou, na quarta-feira, opinião semelhante na SIC Notícias. “O PSD aparece a tentar reeditar o nada saudoso bloco central porque quer dar cartas em assuntos que são chave para o país, mas também – e sobretudo – porque quer afastar o BE e o PCP da esfera de influência da governação, dando voz ao descontentamento de grandes empresas” e “organizações patronais”.

“Não há aqui questão de incómodos, a política não se faz por birras e incómodos”, acrescentou a deputada, que garantiu que o acordo com o PS “não está em risco”. Até porque o acordo foi feito para acabar com as políticas do PSD, acrescentou.

O PCP foi mais duro para com o PS e o governo, numa nota divulgada na quarta-feira: “O PS e o seu governo, seguindo as suas opções de classe ao serviço do grande capital, assumem cada vez mais a convergência com o PSD e o CDS, como se verificou em várias situações”, tais como “a rejeição do projeto do PCP sobre a reposição do valor do trabalho extraordinário”.

Para a liderança comunista, “num quadro em que o PSD procura encontrar o caminho que permita recuperar essa política de agravamento da exploração, do empobrecimento e de desastre nacional, não podem deixar de ter significado as expressões de consensualidade que marcaram o encontro entre Rui Rio e António Costa”.

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