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África do Sul. ANC à espera que Zuma apresente hoje a demissão

África do Sul. ANC à espera que Zuma apresente hoje a demissão

António Rodrigues 14/02/2018 11:05

Presidente queria três a seis meses para se demitir, mas o novo líder do partido quer acelerar a sua saída. Crise política chega no meio da “calamidade pública” da seca

O Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) está à espera de ouvir notícias de Jacob Zuma algures durante o dia de hoje. O partido deu um ultimato ao presidente sul-africano para que se demita, mas até ontem à noite não havia notícias de que o chefe de Estado se preparasse para aceitar o pedido dos dirigentes do partido.

Zuma queria três a seis meses para abandonar o poder, mas o comité executivo nacional do ANC, com o presidente do partido e vice-presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, à cabeça, quer que a bem do país ele se demita já.
O secretário do partido, o general Ace Magashule, disse aos jornalistas que Zuma foi informado do que se falou na reunião por uma delegação do ANC que lhe falou da “necessidade de encurtar os prazos para que este assunto seja resolvido rapidamente”. Magashule não confirmou, no entanto, que o ultimato ao presidente tivesse sido acompanhado com um limite de tempo para a sua resposta. Mesmo assim, o ANC espera ter notícias de Zuma hoje.

Ontem os jornalistas chegaram a receber uma aparente mensagem da presidência a convocá-los para uma declaração pública do presidente esta manhã, mensagem essa que seria posteriormente desmentida pela própria presidência.
Zuma, de 75 anos, a cumprir o seu segundo mandato na presidência, com múltiplos processos de corrupção e tendo já sobrevivido a várias moções de censura no parlamento, parece estar a jogar com o tempo e a tentar ainda alguma negociação com o partido antes de abdicar do seu maior trunfo, a própria presidência. Havia notícias de que o chefe de Estado pretendia que as suas despesas com a defesa nos processos que terá de enfrentar na justiça fossem garantidas pelo partido.

Ramaphosa – antigo lutador anti-apartheid, multimilionário que chegou à liderança do ANC em dezembro depois de derrotar a ex-mulher do chefe de Estado, Nkosazaba Dlamini-Zuma – é um dos principais defensores da demissão presidencial e tem feito lóbi junto dos dirigentes do partido para conseguir o seu apoio. Algo que com o descrédito que o presidente trouxe ao ANC acabou por conseguir.

Diga-se que se Zuma não se demitir, no dia 28 deste mês terá de enfrentar mais uma moção de censura, a pedido do Lutadores pela Liberdade Económica, do antigo líder da juventude do ANC, Julius Malema, expulso do partido e que criou uma nova formação política que atualmente é a terceira maior do país, a seguir ao ANC e à Aliança Democrática.

Calamidade pública

A grave crise política chega numa altura em que a África do Sul está a braços com uma seca prolongada que levou o governo a declarar ontem o estado de “calamidade pública”. “A magnitude e a gravidade” da situação, depois de três anos praticamente sem chuvas, obrigaram o executivo a essa declaração. O pior caso é o da Cidade do Cabo, onde o nível das barragens chegou a um ponto crítico e o racionamento está em vigor. A grande área metropolitana da cidade, com quatro milhões de habitantes, enfrenta a ameaça de um “dia zero” para meados de abril, altura em que a água nas torneiras será cortada.

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