17/2/18
 
 
Eduardo Oliveira e Silva 14/02/2018
Eduardo Oliveira e Silva

opiniao@newsplex.pt

Será que teremos de mudar hora depois do Brexit?

É importante discutir e arrumar o assunto desde já, pois trata-se de uma matéria económica relevante, mas com implicações na vida das pessoas, especialmente as crianças

1) Quando e se ocorrer mesmo (oxalá voltasse atrás), o Brexit vai ter consequências enormes no Reio Unido, mas também em toda a Europa da União. Para Portugal estão em causa muitas questões de fundo relativamente às quais não se vê estar em curso uma efetiva preparação para amortecer impactos.

Em primeiro lugar há a questão dos nossos nacionais a viver e trabalhar em terras de Sua Majestade. Contas por alto temos lá mais de 300 mil compatriotas que foram em busca de trabalho, muitos deles munidos de cursos superiores. Uma contração da economia do reino terá fortes consequências neste grupo. Há além disso os ingleses que vivem cá, designadamente os que trabalham que não deveriam ter problemas desde que haja reciprocidade. Mas há os reformados permanentes que podem sofrer o efeito negativo de uma economia inglesa em derrapagem, tornando mais difícil a sua estadia por cá. E há ainda outros  problemas que a relação económica de Portugal com o Reino Unido pode sofrer. Entre eles há um de que ninguém ainda falou e que pode vir a ser necessário estudar, o que seria bom que se fizesse sem ser em cima do momento. Trata-se da hora. Portugal é o único país do continente que tem a hora de Londres. Do ponto de vista do calendário solar faz sentido. E do ponto de vista económico estramos na hora da City e da sua bolsa. A questão, porém, pode mudar quando e se o centro financeiro inglês for transferido para Paris ou para Franqueforte. Que fazer nessa altura? Mantermos a hora de Inglaterra ou aderirmos à dos principais países da união, como a França, a Espanha, a Alemanha, a Itália, a Holanda, a Bélgica e por aí fora? Seja como for, há uma decisão a tomar e era bom pensar sobre ela. Nos anos do cavaquismo houve pelo menos um em que optámos pela hora da Europa continental. Foi uma tragédia. Era dia até às onze da noite, as crianças sofreram e chegou-se à conclusão que os ganhos económicos não justificavam o sacrifício.

Agora a situação pode ser diferente porque já não haverá o mesmo fluxo económico com o Reino Unido. Se olharmos para a Galiza verificamos que, estando no mesmo posicionamento geográfico de Portugal, tem uma hora de diferença e não há ali razões de queixa pois houve uma adaptação da vida ao horário. Com esta prosa não se pretende nem defende nada em concreto, apenas se solicita aos intervenientes políticos, económicos e sociais que pensem no assunto e decidam se há ou não razões para manter ou para alterar a nossa hora.

2) Adolfo Mesquita Nunes foi o primeiro dirigente nacional de um partido relevante a assumir a sua homossexualidade. Fê-lo corajosamente numa entrevista ao Expresso.

A orientação sexual de um político interessa pouco, mas não é irrelevante. Nos tempos de hoje não há razões  ponderosas para esconder a homossexualidade, o que não quer dizer que não possa ser um estigma. Salvo nos meios mais retrógrados de esquerda ou de direita, há a tendência para pelo menos ignorar essa circunstância. A atitude de Mesquita Nunes de revelar a sua orientação sexual, como também o fez recentemente uma secretária de estado lésbica, não vai certamente fazer escola e ser seguida por outros políticos que preferirão legitimamente manter reserva sobre o assunto. Mas vai permitir que a pergunta seja colocada, sempre que se a julgue pertinente, sem que isso se transforme em voyeurismo. Simplesmente porque há matérias que deixam e muito bem de ser tabu. É melhor para os próprios e para a sociedade porque o conhecimento público impede também campanhas negras de difamação recheadas de supostos episódios, sejam eles verdadeiros ou imaginários. 

3) Há escassas semanas escreveu-se neste espaço sobre o assalto de diplomatas  a um conjunto de lugares da República. Eles são chefes de secretas, eles são chefes de gabinete de primeiros ministros, de ministros e de secretários de Estado. Melhor ainda eles são nomeados mesmo para ministros e secretários de estado, para o Instituto de Camões, para o CGI da RTP e para tudo o que seja lugar público apetitoso ou nos grandes grupos privados onde, por exemplo, Seixas da Costa é omnipresente. Símbolo máximo da carreira, a criatura está em todo o lado.

Sabe de tudo. Tanto opina na Jerónimo Martins e na Mota e Engil, como define a estratégia da televisão pública ou se pronuncia sobre o potencial conflito entre americanos e norte-coreanos. Um sabichão. Mas, apesar de extravasarem para todo o lado, eis que Seixas e outras Excelências diplomáticas ficaram enxofrados pela nomeação de Sampaio da Nóvoa para embaixador na Unesco, embora condescendam quanto a méritos mínimos. Pois tenham paciência porque na realidade não há certamente nenhum diplomata que tenha um perfil tão adequado como o de Nóvoa, que é catedrático e foi Reitor da Universidade de Lisboa. Haja decoro e contenção que era coisa que antigamente se exigia aos diplomatas e eles cumpriam.

Jornalista

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