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Fratura craniana obriga Ryan Mason a abandonar os relvados aos 26 anos
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Fratura craniana obriga Ryan Mason a abandonar os relvados aos 26 anos

Ryan Mason Instagram Jogador chegou aos tigres em agosto de 2016 Laura Ramires 13/02/2018 18:24

O internacional inglês sofreu um traumatismo craniano em janeiro de 2017 quando representava o Hull City, à data orientado pelo português Marco Silva

“Trabalhei incansavelmente para regressar. Infelizmente, seguindo o conselho de médicos especialistas, não tenho outra opção que não seja a de me retirar, devido aos riscos inerentes ao tipo de lesão”. A mensagem é de Ryan Mason e foi publicada esta terça-feira nas suas redes sociais. É o fim do sonho para o internacional inglês que lutou ao longo do último ano para regressar aos relvados após um choque com o defesa do Chelsea, Gary Cahill, o ter atirado para fora de jogo com um grave traumatismo craniano. Em janeiro de 2017, o médio que alinhava pelo Hull City, orientado por Marco Silva, foi assistido durante mais de 9 minutos em campo tendo sido posteriormente transportado para o hospital, onde teve que ser operado ao crânio.

Apesar da boa recuperação, o jogador que se formou no Tottenham reconheceu que “era uma sorte estar vivo”. Os tigres, emblema que representava desde agosto de 2016, reagiram de imediato ao anúncio da despedida. “É com grande pesar que o clube anuncia que, na sequência da lesão sofrida na cabeça em 22 de janeiro de 2017, que Ryan Mason deixa o futebol, com efeitos imediatos”, pode ler-se numa nota publicada no site oficial do Hull, emblema que adiantou também que o ex-jogador se informou junto dos mais conceituados especialistas nas áreas da neurologia e neurocirurgia.

 

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Situação recorrente Embora sem o mesmo desfecho que o de Mason, ao longo dos anos esta tem vindo a ser uma situação comum para vários jogadores. Um dos casos mais mediáticos é o do guarda-redes checo Petr Cech, afastado do futebol durante quase um ano após um choque com um avançado do Reading em 2006. À data o guardião das redes do Chelsea foi operado a uma fratura no crânio e esteve em risco de não regressar a campo. Contudo, o choque acabaria por não ser fatal e Cech, que passou a usar um género de um capacete para proteger a cabeça, é ainda hoje uma das figuras principais do Arsenal. 

Mais recentemente, em 2016, o colombiano Falcao, avançado do Mónaco de Leonardo Jardim, esteve internado na sequência de um choque que provocou um violento traumatismo crânio-torácico com comoção cerebral sofrida. Embora se tenha temido o pior os exames não revelaram qualquer problema grave tendo a estrela da equipa regressado rapidamente ao clube do Principado. Em Portugal também não faltam exemplos. Douglas é um dos últimos a juntar-se a esta vasta lista depois de em outubro de 2017 ter sido transportado para o hospital com um traumatismo craniano. A lesão do guadião do Vitória de Guimarães, contraída num treino após um choque com um colega de equipa, acabou por não ter graves repercussões tendo o atleta de 37 anos integrado semanas depois o plantel vimaranense. 

A demência futura Nos últimos anos vários médicos que trabalham no futebol têm alertado para a necessidade de mudar algumas regras, nomeadamente as que dizem respeito às disputas de bola com a cabeça dos jogadores, para se evitarem choques que podem revelar-se em lesões irreversíveis. À parte destes incidentes, são inúmeros os estudos desenvolvidos sobre como os cabeceamentos repetidos por parte dos jogadores podem alterar as funções do cérebro. Um dos últimos documentários foi apresentado pelo antigo avançado inglês Alan Shearer. “Estou preocupado por poder desenvolver demência, é algo que me incomoda, que eu possa não ter futuro por causa do futebol”, referiu o ex-jogador, em dezembro do último ano, ao britânico The Telegraph. Também em 2017, um estudo publicado na revista científica Acta Neuropathologica estabeleceu uma relação entre os impactos sofridos pelos futebolistas na cabeça ao longo da carreira e doenças neurológicas. Numa amostra composta por 14 antigos jogadores todos começaram a perder capacidades cognitivas, em média, a partir dos 64 anos.

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