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Campeonato. O pijama encarnado do guarda nocturno...

Campeonato. O pijama encarnado do guarda nocturno...

Afonso de Melo 12/02/2018 10:27

O Benfica venceu em Portimão (3-1) e ainda passou a noite no primeiro lugar. Noite curta. Em Trás-os-Montes o FC Porto tornou o difícil em fácil e goleou o Chaves (4-0). Em Alvalade o suspiro de alívio só surgiu ao minuto 78.

Vitória em Portimão do Benfica, no sábado à noite, cheia de entusiasmo popular mas muito sofrida, benza-a Deus, porque este conjunto montado por Rui Vitória, ao contrário do que acontecia nas épocas anteriores, sofre de uma muito incompreensível capacidade para controlar o jogo a partir do momento que se apanha em vantagem. E esta incompreensão, já para não dizer incredulidade, baseia-se sobretudo na qualidade técnica de uma série de jogadores, do meio-campo para a frente, que podiam e deviam ficar confortáveis no momento de terem de manter a bola em seu poder, desgastando os adversários e tirando-lhes dos pés o único objecto que serve para marcar golos.

Ainda assim, este guarda nocturno de Portimão, vestiu o pijama vermelho e passou a noite lá no primeiro andar, quer dizer, no alto da classificação, à espera do que iria o FC Porto fazer em Chaves.

Terão toda a razão aqueles que sublinharem que aos dragões não faltava apenas um jogo atrasado, ainda têm mais 45 minutos para disputar na Amoreira frente a um Estoril que, para já, tem vantagem no marcador.

Mas nestas coisas dos factos e das teorias que por vezes os sustentam e por outras vezes nem por isso, há outra matéria não de todo dispicienda e que contribui para o deve e o haver desta competição.

Para qualquer adeptos encarnado mais empedernido, dormir nem que fosse um par de horas no comando da prova para qual já tantos tinham dado os encarnados como mortos e enterrados debaixo de sete palmos de cimento, deve ter servido de consolo. Como quem diz para com os seus botões: “Olha que… isto até pode ser possível…”

Lá no alto. Poder, pode. Mas não para já, como se viu ontem em Chaves, lá no alto dos montes. O FC Porto não brincou em serviço e tornou fácil o que podia ter sido difícil. De facto, o início do encontro mostrou-nos desde logo a diferença entre as equipas de Sérgio Conceição e de Luís Castro. À fúria azul do dragão, responderam os flavienses com o seu futebol recortado como uma renda de bilros mas ao mesmo tempo suave como as pétalas do miosótis.

Num instante, ou em pouco mais do que isso, Soares tratou de contrariar os golos de Cervi, na véspera. Assim como se desse um murro na mesa dizendo: “Daqui do primeiro lugar ninguém nos tira!” Uma declaração de vontade, sem dúvida, que se estendeu ao longo de todos os noventa minutos. E nem uma pequenina sesta durante uns 15 minutos da segunda parte pôs em causa a goleada que se foi avolumando e até podia ter sido mais larga.

E, desta forma, lá teve o Benfica de despir o pijama vermelho e voltar a vestir o fato-macaco que bem útil lhe será nas jornadas que se seguem para poder correr atrás da vantagem portista.

Algo que preocupa o Sporting na mesma dose, claro está!

Ainda por cima nesta altura da época na qual nem portistas nem sportinguistas têm tempo para se coçarem com viagens que metem as distâncias congeladas de Astana e o quebra-cabeças que é sempre o tremendo Liverpool.

O leão, ferido à espadeirada por duas derrotas consecutivas, entregue a rififis instestinos que ainda vamos ver quando terão fim, entrava para esta jornada de cadeirinha, assim se pode dizer.

Não foi preciso esperar muito – ou melhor, não foi preciso esperar nada – para que o Sporting se lançasse sobre um temeroso Feirense com uma daquelas ganas à moda antiga. O problema é que também tratou cedo de desperdiçar oportunidades de golo em barda ao mesmo tempo que ia assistindo, com crescente nervosismo, a uma exibição impecável de um intransponível Caio Secco. Meteu-se, pelo meio o tal de VAR, que ilegalizou um golo a Doumbia e abriu os olhos ao Árbitro Luís Ferreira que confundiu, às tantas, cabeça com braços, apontando um penalti a favor dos da casa que foi obrigado, em seguida, a meter no bolso a meias com o cartão amarelo que tinha dele saído.

O tempo foi passando: veloz para o Sporting; lento para o Feirense. Alvalade suspirava pelo erro adversário. Via mais um golo anulado. Uma bola ao poste de Patrício.

Um certo desespero até que, ao minuto 78. William libertou o grito fechado nas gargantas.

E ainda houve lugar para Montero matar saudades dos golos em Portugal.

ade suspirava pelo erro adversário. Via mais um golo anulado. Uma bola ao poste de Patrício.

Um certo desespero até que, ao minuto 78. William libertou o grito fechado nas gargantas.

 

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