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Rodrigo Alves Taxa 09/02/2018
Rodrigo Alves Taxa

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Futebol-espetáculo!

Em Portugal começa a ser insustentável que um desporto que deveria representar uma festa represente antes uma verdadeira batalha campal. Vale tudo. Ofensas atrás de ofensas, injúrias de todos contra todos

Costuma dizer-se que determinados assuntos, bem como determinadas pessoas, só têm a importância equivalente ao espaço de atenção que se lhes quer dar. Podem procurar-se vários argumentos para fugir a esta realidade mas, de facto, ela continuará sempre a fazer sentido. Porém, como viver em sociedade não pode nunca representar viver na indiferença face a tudo aquilo que nos rodeia, circunstâncias que hipoteticamente pudessem caber no que inicialmente se disse acabam por colher atenção do público em geral não pela sua qualidade, mas antes pela saturação que causam por via da repetição e pouca elevação que apresentam.

O futebol é, na atualidade, o exemplo mais paradigmático do que aqui se procura expor, e vai sendo hora de colocar o dedo na ferida. Em Portugal começa a ser manifestamente insustentável que um desporto que na sua essência deveria representar sobretudo uma festa represente antes uma verdadeira batalha campal. Vale tudo. Ofensas atrás de ofensas, injúrias de todos contra todos, pseudodenúncias criminais que mais não pretendem que acicatar as mentes dos adeptos mais ferrenhos e, agora, até conferências de imprensa de presidentes que mais parecem editadas com recurso a uma qualquer enciclopédia do baixo nível.

É demasiado mau. Chega a ser de uma boçalidade tal que de novo nela só se acredita porque as imagens e o áudio que a sustentam passam nas televisões até fartar. Por último, outro problema. É igualmente impressionante, pela negativa, que perante tudo isto, argumentos como “o futebol é assim mesmo”, “quem lá quer andar tem de ser assim”, ou “ deixa-os falar que sempre nos divertem” comecem quase a tornar-se paradigma de justificação para o injustificável. Não pode ser. Há que colocar clubites à parte e que todos os adeptos desta modalidade, bem como toda a sociedade, comecem a exigir a quem representa ao mais alto nível os clubes de futebol uma postura regrada, séria, íntegra, educada e até institucional no exercício dos cargos.

Afinal de contas, os clubes de futebol também têm escolas de formação em que nas crianças de hoje formam os adultos de amanhã. Não é possível, por isso, que qualquer instituição manifestamente comandada por pessoas de pouca formação consiga ensinar distinta postura a todos quantos nela façam parte do seu percurso de vida. Chega de bandalheira. Para isto, que se acabe com o futebol!

Escreve à sexta-feira

 

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