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Amazon avança com pulseiras para saber a "eficácia" dos trabalhadores em tempo real

Amazon avança com pulseiras para saber a "eficácia" dos trabalhadores em tempo real

AFP Ricardo Cabral Fernandes 07/02/2018 12:49

As patentes foram registadas em 2016 mas só em janeiro foram garantidas à multinacional

Relembra o filme "Tempos Modernos" de Charles Chaplin, mas não é uma obra de fição. A multinacional Amazon patenteou duas pulseiras para saber com o máximo de precisão possível qual o trabalhador que está a mexer em que produtos, a sua rentabilidade e quais os tempos mortos no local de trabalho. Os objetos enviam pulsos de som ultra-sónicos e transmissões de rádio para um recetor, que, depois, processa os dados. A empresa não avançou pormenores, tanto no registo das patentes como depois, sobre como se explorará a informação. 

Segundo a multinacional, o objetivo passa por medir a "eficácia dos trabalhadores", reduzindo as tarefas "que consomem tempo" para que as encomendas e o seu envio possam ser mais céleres. Em consequência das reações negativas à eventual utilização destes dispositivos pelos trabalhadores, a Amazon emitiu um comunicado a dizer que "a especulação sobre esta patente é equivocada", alegando ainda que "todos os dias em empresas de todo o mundo, os funcionários usam scanners de mão para verificar o inventário e executar pedidos". 

No mesmo documento, a empresa não colocou de parte a eventual utilização das pulseiras, argumentando a favor da sua eficácia. "Esta ideia, se implementada no futuro, melhorará o processo para os nossos associados", pode ler-se no comunicado. "Ao mover os equipamentos para os pulsos dos associados, poderemos libertar as suas mãos dos scanners e dos olhos das teles dos computadores", acrescentou. 

A Amazon submeteu a candidatura das patentes em 2016, mas só em setembro do ano passado é que foram publicadas. Em janeiro deste ano foram garantidas pela empresa, levantando questões sobre a violação de privacidade dos trabalhadores no local de trabalho. 

No passado, a empresa foi acusada de explorar e violar os direitos laborais dos seus trabalhadores, exigindo-lhes semanas de trabalho de 60 horas. No Reino Unido, por exemplo, foram tornados públicos relatos de trabalhadores que ficam tão cansados pelas longas horas de trabalho que chegam a adormecer de pé, ao mesmo tempo que as pausas para a casa-de-banho são controladas minuciosamente. Perante os relatos e acusações, a multinacional tem reagido com comunicados de imprensa a recusá-las: "A Amazon oferece um local de trabalho seguro e positivo, com salários e benefícios competitivos desde o primeiro dia. Estamos orgulhosos por termos criado milhares de postos de trabalho permanetnes nos nossos centros de atendimento". 

A Amazon, empresa sediada em Seattle, anunciou na semana passada que alcançou lucros trimestrais acima dos mil milhões de dólares (800 milhões de euros) pela primeira vez desde a sua fundação, há mais de 20 anos. A receita da empresa aumentou 38%, perfazendo no total os 60,5 mil milhões de dólares (48 mil milhões de euros) e para os primeiros meses deste ano prevê-se uma receita na ordem dos 47 mil milhões (37 mil milhões de euros). Uma das razões que a empresa avançou para o aumento da receita foram as alterações na legislação fiscal nos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump. 

A multinacional foi fundada por Jeff Bezos, o atual homem mais rico do mundo com uma fortuna calculada em 119 mil milhões de dólares (96 mil milhões de euros), em julho de 1994 e hoje está avaliada em 460 mil milhões de dólares (388 mil milhões de euros). Bezos detém hoje "apenas" 16% da Amazon e é o seu CEO. 

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