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IQOS. Tabaco aquecido chumba nos Estados Unidos

IQOS. Tabaco aquecido chumba nos Estados Unidos

Shutterstock Sónia Peres Pinto 01/02/2018 14:08

Comité da agência americana de saúde alerta para riscos deste tipo de produto, que foi alvo de investimento de 3 mil milhões por parte da Philip Morris  

O IQOS, a recente aposta da Philip Morris – uma nova forma de fumar que aquece o tabaco, em vez de queimá-lo – e que exigiu um investimento na ordem dos três mil milhões dólares (cerca de 2,5 mil milhões de euros ) no seu desenvolvimento, sofreu um contratempo com o chumbo por parte do comité consultivo da Food and Drug Administration (FDA), agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, ao considerar que este produto também é nefasto para a saúde, deitando por terra os argumentos da tabaqueira que poderá ser obrigada a rever a sua estratégia. 

As contas são simples: a empresa previa que mais de 30% da sua produção em 2025 fosse proveniente dos produtos livres de fumo ao captar cerca de 40 milhões de fumadores de todo o mundo. Para isso, prometia aos utilizadores a mesma quantidade de nicotina com menos 90% de toxinas que acompanham o fumo, acenando com um risco menor à saúde dos fumadores do que os cigarros tradicionais.

No entanto, segundo o parecer dado à FDA depois de a fabricante ter pedido para comercializar o tabaco aquecido no mercado norte-americano, os cigarros aquecidos expõem os fumadores a níveis mais baixos de substâncias tóxicas mas, no entanto, consideram não haver provas suficientes de que isso se irá traduzir numa redução de doenças causadas pelo tabaco ou até mesmo numa diminuição do número de mortes. 

A verdade é que os primeiros estudos sobre o consumo deste tipo de produtos foram realizados pelo próprio fabricante, apostado em conseguir um estatuto de produto de risco modificado, e davam contam de ganhos significativos. Na base está o princípio de que sem combustão fumar é menos perigoso.

Esta decisão do organismo norte-americano surge numa altura em que os governos de vários países apertam o cerco ao consumo de tabaco, responsável por milhares de mortes no mundo e a indústria tabaqueira investe em investigação e nova tecnologia que afirma ser a oportunidade de mudança para reduzir os riscos entre os fumadores, ao eliminar a combustão. 

Também a própria Philip Morris International (PMI) anunciou no início deste ano que pretendia deixar de vender cigarros, para já, no Reino Unido e apostar em produtos alternativos, como o IQOS. O CEO da tabaqueira chegou a admitir que estava na disposição de trabalhar com os governos no sentido de “acabar faseadamente” com os cigarros convencionais, admitindo saber que os produtos que fabricam prejudicam os consumidores. E lembrou o investimento levado a cabo no desenvolvimento e comercialização de produtos menos prejudiciais, alegando, na altura, que o IQOS produzia um impacto semelhante a deixar de fumar.

Como funciona? O IQOS é um dispositivo para aquecer uma mistura de tabaco expressamente preparada para o efeito abaixo dos 350 °C, sendo que num cigarro convencional esta temperatura pode chegar aos 900 °C.

E esta é uma das dúvidas do comité: sabe-se as consequências de um cigarro tradicional que atinge determinada temperatura, mas ainda está por descobrir o que acontece se essa temperatura baixar para metade. 

Tendo levado mais de 15 anos a ser desenvolvido, o IQOS surge como resposta a um objetivo da companhia: “Eliminar a combustão do processo, enquanto fator principal de geração dos constituintes nocivos e potencialmente nocivos presentes no fumo dos cigarros.” 

Atualmente, este tabaco aquecido é vendido em 30 países – onde Portugal está incluído – e conta com mais de quatro milhões de fumadores. Por exemplo, no Japão, o terceiro país com mais fumadores do mundo, o produto registou um sucesso elevado comparável a um gadget de última geração, gerando filas de espera para o adquirir.

No final do ano passado, a empresa prometeu investir nos próximos 12 meses, mil milhões de dólares (cerca de 841 milhões de euros) numa fundação sem fins lucrativos, com o objetivo de financiar projetos de investigação para terminar com o consumo de tabaco no mundo.

E Portugal?

Lançado no mercado português em 2016 pela mão da multinacional Philip Morris, da qual a Tabaqueira é subsidiária, já conquistou 70 mil portugueses. De acordo com a empresa responsável pela sua comercialização, o IQOS já representa atualmente 2% do mercado em Portugal. E representa o segundo mercado mundial com maior percentagem de consumidores que, uma vez adquirido o tabaco aquecido, se tornam consumidores em exclusivo ou predominantes de tabaco aquecido. 

A intenção da Tabaqueira em Portugal passa por “levar os cerca de 2 milhões de fumadores a considerarem o IQOS como melhor opção que os cigarros”.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) chegou a admitir que estava à espera da avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para saber se poderia usar este tabaco sem combustão como uma alternativa menos nociva para os fumadores que não conseguissem deixar de fumar.

Quanto a custos, o fumador tem de comprar o maço de cigarros, 4,50 euros por unidade, e o dispositivo, no mercado português vendido por 70 euros.

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