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Uma Mulher Não Chora. A vingança serve-se (a) quente

Uma Mulher Não Chora. A vingança serve-se (a) quente

Cláudia Sobral 18/01/2018 22:37

Entre 2000 e 2007, oito imigrantes turcos, um grego e uma mulher-polícia morreram um pouco por toda a Alemanha em atentados à bomba e homicídios atribuídos ao NSU (Nationalsozialistischer Untergrund), grupo terrorista de filiação neonazi que operou no país até 2011, quando foi desmantelado e os sobreviventes julgados.

Às vítimas, dedica Fatih Akin, realizador alemão de ascendência turca (Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim com “Head On” em 2004), o seu mais recente filme, “Uma Mulher Não Chora”, do original “Aus Dem Nichts” - do nada. “Do nada” colapsa a vida de Katja (brilhante Diane Kruger para o prémio de Melhor Atriz em Cannes com este filme que acabou agora de vencer também o Globo de Ouro de Melhor Filme de Língua Estrangeira) quando, ao regressar ao escritório do marido, Nuri (Numan Acar), num bairro de maioria turca de Hamburgo, onde horas antes tinha deixado o filho de seis anos, descobre que ambos morreram num ataque com uma bomba artesanal. 

Princípio de uma história que Akin conta em três partes (“A Família”, “O Tribunal” e “O Mar”) para lembrar, num presente em que lembrar se faz urgente e cada vez mais, que a ameaça vem também de onde o preconceito maniqueísta e a xenofobia não esperam ou presumem. Que, neste lugar, espaço para chorar não sobra. Há que fazer.

E Fatih Akin faz, pelo menos a sua parte, nesta notável história de amor (e de cólera), também retrato das sociedades contemporâneas, que nos entrega em “Uma Mulher Não Chora” - ou “Do Nada”, para a interpretação que melhor nos servir. 

 

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