18/11/18
 
 
Alexandra Duarte 15/01/2018
Alexandra Duarte

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A vitória da esperança

Tempo novo e novas pessoas têm o poder de, num curto espaço de tempo, porem todos a sonhar com os próximos desafios e a sentir que a vitória pode materializar-se. Há quem resuma este estado de espírito com a palavra esperança

O PSD foi a eleições diretas e os seus militantes votaram maioritariamente no candidato Rui Rio para suceder a Pedro Passos Coelho, que deixará a presidência deste partido no próximo congresso, a realizar nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro, em Lisboa.

Para muitos, inicia-se um novo caminho, com muitas expetativas e a promessa de verem alguns dos seus objetivos alcançados; para outros, antecipa-se a oportunidade de recuperarem para o PSD pilares e valores que já foram parte integrante da sua estrutura programática, mas que foram sendo esquecidos ou substituídos por outros à medida que o tempo passava.

Tempo novo e novas pessoas têm o poder de, num curto espaço de tempo, porem todos a sonhar com os próximos desafios e a sentir que a vitória pode materializar-se. Há quem resuma este estado de espírito com uma palavra: esperança.

O país e o PSD irão ganhar com esta escolha ou, pelo menos, é o que todos os que votaram nesta solução esperam que aconteça. Inegável é que o quadro político vai sofrer alterações com este novo protagonista em cena e que tanto António Costa como Assunção Cristas terão de se ajustar a um novo discurso, a uma forma de estar diferente, a novos objetivos para o espaço que o PSD pretende recuperar e, consequentemente, à possibilidade de a dialética política enveredar por outros caminhos não percorridos até agora. Mas aguardemos, com serenidade e expetativa, os próximos tempos para tomarmos o pulso aos portugueses e analisarmos como eles se posicionam perante esta mudança.

Entretanto, eu pertenço àqueles que veem nesta mudança a oportunidade para este partido político, que nasceu com a nossa democracia, de se densificar nas políticas que definem a sua matriz social-democrata e promover a reflexão interna sobre os desígnios e a vocação do PSD. Creio que é chegado o tempo de acabarmos de vez com as votações “avulsas” e individualistas, que denotam falta de identidade e promovem a divisão entre os seus militantes, além de gerarem confusão nos portugueses, que tantas vezes não compreendem como o PSD não se pronuncia sobre matérias que seriam do seu âmbito de intervenção, preferindo eleger outras que pouco ou nada dizem ao seu eleitorado de sempre.

Estas palavras poderiam surgir em forma de carta aberta ao futuro presidente do PSD, Rui Rio, apelando à sua disponibilidade para incluir na agenda de reflexão interna do partido, ou mesmo na sua moção de estratégia global a ser apresentada no congresso (se ainda for a tempo), matérias que merecem a atenção e que considero pertinentes para muitos de nós.

Não necessariamente por esta ordem de importância, porque isso não é relevante, mas eu destacaria como uma das futuras preocupações do PSD a apresentação de propostas concretas para as políticas de natalidade, com centralidade nas famílias. Continuamos a ter indicadores negativos de taxas de natalidade que, num futuro mais próximo do que pensamos, irão agravar penosamente a nossa estrutura social e contributiva, penalizando todos nós. Chega de empurrar este problema para amanhã, quando já for uma realidade incontornável com prejuízos sociais avassaladores. É tempo de encarar esta evidência como uma prioridade e inverter esta tendência que se instalou. Em 2016, Portugal contabilizou cerca de 87 mil nascimentos, a segunda natalidade mais fraca da União Europeia (8,4 nascimentos por cada mil habitantes). Pior? Só os italianos.

A participação política não só das novas gerações, os centennials, mas também dos millennials e da Geração X (em que me incluo), que deixaram de sentir motivação para intervir mais ativamente na política do país ou até para cometer um ato tão simples como o de votar, deveria ser abordada como uma prioridade estratégica, repensando a aproximação dos partidos às pessoas e a sua modernização, sintonizada com os novos instrumentos de informação e participação em que se movem quotidianamente estes jovens e mesmo os não tão jovens que, ainda assim, já se atualizaram.

Autárquicas. Lisboa e Porto. E o resto do país. Um PSD que não compreenda a importância da sua implantação partidária local é um PSD moribundo e votado à pulverização. A ambição do próximo presidente do PSD será proporcional à capacidade de recuperar os grandes centros urbanos. Quanto mais ambicioso e empenhado se demonstrar, maiores serão os proveitos. Aqui está uma matéria em que o PSD deve ousar sem limites e iniciar um caminho consciente e em parceria com os concelhos em que é imperativo haver coordenação com a comissão política nacional. Há tempo e há vontade de quem está nos concelhos para esta articulação imprescindível e sem a qual não haverá sucesso.

Além das pessoas, e pelas pessoas, é necessário um sinal claro e inequívoco de que o PSD protege e incentiva os empreendedores, quem investe, quem cria postos de trabalho por sua conta e risco, desenvolvendo o tecido empresarial e a própria economia. Apoiar as exportações, dotando a nossa economia de benefícios para estes contribuintes que sentem que, muitas vezes, o Estado é mais um obstáculo do que um facilitador.

Todos nós temos as nossas expetativas em tempos de mudança. Estas são as minhas e as daqueles que partilham estas mesmas preocupações. A mim, cabe-me dar voz ao que considero que pode acrescentar algo à reflexão, ainda que muito fique por dizer a quem foi eleito. Boa sorte, Rui Rio!

 

Escreve à segunda-feira

 

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