18/1/18
 
 
João Lemos Esteves 12/01/2018
João Lemos Esteves

opiniao@newsplex.pt

Amanhã, o PSD não se pode afogar no Rio do PS de Costa

Apesar de muitos desprezarem a eleição de amanhã, dia 13 de Janeiro será um dia histórico para o PSD. Isto porque está em causa a sobrevivência do PSD como maior partido português. E como partido claramente diferente e alternativo ao PS. É verdade que o PSD se tornou o motivo e alvo principal de chacota nos principais meios de comunicação social portuguesa: isso é um sinal muito positivo.

Significa que o partido incomoda os interesses instalados, os sacerdotes do politicamente correcto que insistem na manutenção de um modelo de sociedade e de economia que já provou errado. Se há partido que pode viver sem remorsos do seu passado – pelo contrário, que pode estar bem orgulhoso do seu passado! – é o PSD: sempre que foi chamado para corrigir os erros e vícios socialistas, o partido respondeu com competência, seriedade e sucesso.

E o povo português – sempre muito mais sábio que as elites e a comunicação social manipulada pelos interesses de sempre – reconheceu o trabalho: veja-se que o PSD de Passos Coelho, a avaliar pela comunicação social, seria a sexta ou sétima força mais votada, a seguir ao PCTP/MRPP. No entanto, o povo português deu a votação maioritária ao PSD, em coligação com o CDS/PP. A nossa história mostra que o PSD, nas últimas décadas, sempre colocou o interesse nacional acima dos interesses do próprio partido.

Quem quebrou o costume constitucional de assegurar a manutenção do governo do país no espaço político moderado foi o PS de António Costa. Sejamos claros e deixemo-nos de tretas: António Costa é o Primeiro-Ministro de um Governo apoiado pelo PS, pelo PCP e pelo BE. Portanto, para a história vai ficar que o actual Primeiro-Ministro foi o único apoiado, e dependente, das forças políticas mais extremistas representadas no Parlamento.

 Esta geometria política exótica que salvou António Costa é o nosso passado político recente e o nosso presente: Costa começou como Primeiro-Ministro da extrema-esquerda e do extremo-PS; Costa acabará como Primeiro-Ministro da extrema-esquerda e do extremo-PS.

Daí que só Pedro Santana Lopes faz uma análise correcta da conjuntura actual do nosso sistema político: o PS de António Costa tomou a opção de virar à esquerda e de levar os partidos extremistas para as estruturas de poder. BE e PCP tornaram-se os aliados naturais do PS de António Costa. No dia em que Costa ganhar as eleições (coisa a que ele não está habituado!) com maioria relativa, só lhe resta uma alternativa: entender-se com a extrema-esquerda.

Se não o conseguir, ou já não o desejar, só lhe resta uma saída: demitir-se. Aí, perante a emergência de um outro PS, que seja capaz de retomar à sua matriz histórica, logo se verá se há espaço para uma negociação entre PS e PSD sobre matérias estruturantes para o futuro do país.

Mas sempre com uma premissa essencial: o PSD não abdicará dos seus princípios, dos seus valores e da sua visão para o futuro do país. O PS terá que estar disposto a ceder – o PSD não será (não deixaremos que seja) o partido muleta; será, antes, o partido catalisador.

A solução de Rui Rio é ridícula: então o PSD estará disposto, na sua visão, a apoiar um Governo liderado pelo mesmo Primeiro-Ministro que durante quatro anos governou com a extrema-esquerda? E será que Rui Rio não percebe que uma vez viabilizando um Governo do PS, com António Costa a liderá-lo, é criar o precedente (que o PS jamais abandonará!) de partido charneira que ora vira à esquerda, ora à direita?

além de que será um atestado de legitimação histórica definitiva e de comprovação histórica do êxito da solução governativa encontrada por António Costa em 2015! Será trazer uma complicação adicional às complicações (e dificuldades) que o PSD já enfrenta…E amarrar Portugal à esquerda radical duradouramente…

Portanto, a nossa posição só pode ser uma: acordos com o PS? Sim, em nome do interesse nacional e desde que o PSD tenha uma posição firme e determinante no processo negocial.

Acordos com o mesmo PS que erigiu a geringonça em Governo da República? Não, muito obrigado. Passamos. Se quiser colaborar com o PSD na construção de um Portugal de futuro, primeiro o PS que mude de líder e de orientação política. Até lá, fiquem nos braços da extrema-esquerda.

Esta solução pode ser prejudicial para Portugal? Pois pode. Então mas se sabem que é prejudicial para Portugal, porque é que há militantes do PSD que estiveram caladinhos durante estes meses todos (já dois anos de geringonça!)? Por que não tiveram a coragem de fazer aquilo que nós e tantos outros fizemos, ou seja, denunciar os vícios e as mentiras da “geringonça”? Há gente no PSD que parece querer ir a correr para o colinho de António Costa…Ora, tal será perder toda a nossa credibilidade.

Perguntar-se-á se o pais não precisa de consensos. Precisa: neste momento, todavia, Portugal é dominado por consensos. Este governo de Costa é um governo de consensos – só que consensos à esquerda. Por opção do PS de António Costa.

O parceiro de consensos deste PS é à esquerda. Assim continue! Um dia, o PS, por omissão dos muitíssimos militantes socialistas que discordam mas estão calados, vai pagar a factura desta opção trágica!

Por tudo isto, amanhã só nos resta uma opção: votar em Pedro Santana Lopes. Até porque o golpe muito baixo de José Pacheco Pereira, contando ou inventado uma conversa com Santana Lopes, mostra bem que este senhor não pode ser o principal ideólogo do PSD nos próximos anos. E sê-lo-á com Rui Rio.

Curioso que há cerca de três anos, corria no partido o rumor de que José Pacheco Pereira estaria a sondar algumas personalidades do PSD e históricos do PS para formar um novo movimento político que se situaria entre o PS e o PSD, com um forte enfoque na defesa dos direitos dos trabalhadores e de uma economia mais humana e patriótica…Rumour has it – o PSD que o diga…

Em suma, amanhã não se deixe condicionar pelos sindicatos de voto ou pelo aparelho: os militantes do PSD devem votar em consciência e sentido de responsabilidade. Com visão de futuro. Pense e reflicta se gostaria de contribuir para entregar o PSD ao PS de António Costa, ao Primeiro-Ministro que levou a extrema-esquerda para o poder – se não, como nós acreditamos, há que votar na candidatura alternativa a Rui Rio.

Há que votar em Pedro Santana Lopes. Por muito que o caríssimo militante goste ou não do candidato em causa – há aqui valores que transcendem as personalidades.

 

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