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Checos votam alinhamento com Moscovo ou “regresso” a Bruxelas

Checos votam alinhamento com Moscovo ou “regresso” a Bruxelas

Jornal i 12/01/2018 11:09

Favoritos na primeira volta das presidenciais da República Checa são um pró-russo e um pró-UE

No boletim de voto que será hoje e amanhã disponibilizado aos eleitores que se deslocarem às urnas para decidir quem disputará a eleição final do próximo presidente da República Checa, constarão os nomes de Milos Zeman e Jiri Drahos, mas se, em vez do nome do primeiro, estivesse escrito “Moscovo”, e ao invés do segundo, lêssemos “Bruxelas”, ninguém estranharia.

Os próprios candidatos fizeram questão de trazer para a campanha as preferências em termos de alinhamento do país com o exterior e com tal postura contribuíram para transformar a eleição presidencial numa verdadeira escolha de aliados.

Zeman é o atual detentor do cargo e nunca escondeu a sua preferência pelos russos. Já defendeu, por exemplo, a revisão das sanções impostas a Moscovo pela anexação da região ucraniana da Crimeia e conta com o diretor executivo da filial checa da empresa de energia russa Lokoil na sua equipa de assessores, tendo já sido acusado pela oposição de favorecimentos vários. Para além disso, é uma das vozes mais críticas do país contra a imigração – particularmente a islâmica – e contra o sistema de distribuição de migrantes por quotas da UE.

Drahos, por outro lado, defende uma reaproximação de Praga ao eixo europeu e aos “países democráticos ocidentais” e deixa críticas ao alinhamento com a Rússia, protagonizado pelo seu adversário. “A postura seguida pelo presidente Zeman em relação a Moscovo é inaceitável. Esta é uma das principais razões pelas quais existe a necessidade de o substituir”, refere o ex-presidente da academia de ciências checa, citado pelo “Guardian”. “A República Checa não deve olhar para o leste, mas para o ocidente. Os russos não querem uma Europa forte, unida e estável”, alerta.

No provável confronto entre Zeman e Drahos na segunda volta das presidenciais, agendada para o final do mês, poderá decidir-se o futuro do atual governo e do caminho eurocético trilhado nos últimos tempos no país. O populista Andrej Babis venceu as legislativas de outubro e foi nomeado pelo presidente para o cargo de primeiro-ministro, mas Drahos já prometeu que o afastará devido às acusações de fraude de que foi alvo. “A República Checa necessita de restaurar a sua autoridade moral”, justificou. Tem a palavra o eleitorado checo.

 

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