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Brexit. Farage propõe segundo referendo para acabar com as dúvidas
Eurodeputado assume viabilidade de uma nova consulta

Brexit. Farage propõe segundo referendo para acabar com as dúvidas

Eurodeputado assume viabilidade de uma nova consulta AFP Jornal i 11/01/2018 19:26

Ex-líder do UKIP acredita numa nova rejeição britânica da UE e quer “matar” o assunto “por uma geração”. Sugestão foi recebida com agrado junto dos pró-europeus

O artigo 50º do Tratado de Lisboa foi acionado há quase um ano e as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia já arrancaram há meses, mas para lá do Canal da Mancha ainda se discute a legitimidade do referendo de junho de 2016, que ditou a saída dos britânicos do bloco europeu. Ora depois de Tony Blair, Sadiq Khan, Nick Clegg ou Andrew Adonis terem insistido, durante semanas a fio, na realização de uma segunda consulta à Europa, um nova e inédita voz juntou-se agora ao clube: Nigel Farage.

No programa “Wright Stuff”, do Channel 5, emitido durante a manhã desta quinta-feira, o eurodeputado anti-UE, antigo líder do UKIP, e figura de topo da campanha pelo Brexit, defendeu a necessidade de um novo referendo, que possa pôr um ponto final nas lamúrias dos pró-europeus e às hesitações do governo em relação ao acordo a alcançar com Bruxelas.

“Os ‘Cleggs’, os ‘Blairs’ e os ‘Adonises’ nunca, nunca, nunca irão desistir [de mais um referendo]. Continuarão a queixar-se e a lamentar-se durante todo este processo”, começou por dizer Farage. “Talvez esteja a chegar ao ponto de pensar que deveríamos ter um segundo referendo à permanência na UE (...), com o qual mataríamos [o debate] durante uma geração”, propôs, na pele de comentador político. Farage acredita piamente que a percentagem dos que votariam pela saída num eventual referendo seria “muito maior do que foi na última vez” e que esses números farão o antigo primeiro-ministro Blair “desaparecer para a total obscuridade”.

A proposta do ex-líder do UKIP foi reforçada pelo próprio na rádio LBC ao final da tarde – no qual defendeu que os britânicos “devem preparar-se para um segundo referendo, quer gostem ou não” – e foi recebida com agrado junto de Arron Banks – o principal financiador do partido nacionalista e xenófobo britânico e da causa eurocética. Ainda assim, foi liminarmente rejeitada por vários “brexiteers” dentro do Partido Conservador.  “[Esta sugestão] é a confirmação de que Nigel Farage é um dos maiores impedimentos para um Brexit bem-sucedido”, lamentou o deputado tory Steve Baker, citado pelo “Guardian”.

A principal onda de apoio às palavras de Farage surgiu, no entanto, no lado oposto da barricada. Algumas das principais figuras pró-União Europeia da arena política britânica receberam a hipótese de um segundo referendo de braços abertos e mostraram-se agradadas com a mudança de discurso do deputado em Estrasburgo.

O liberal democrata Tom Brake afirmou que Blair e Farage revelam “bom senso” nesta questão do Brexit, e o trabalhista Chuka Umunna defendeu que os britânicos “têm direito” a um segundo referendo, caso o acordo que será alcançado entre Theresa May e a UE “não corresponda às promessas feitas” pelos que fizeram campanha pela saída. Já o deputado e líder da campanha “Best for Britain”, Malloch Brown, defende a naturalidade da nova consulta, tendo em conta as revelações diárias sobre o “desastroso” impacto do Brexit na “economica, emprego, comunidade e sociedade” britânicas. Todas estas figuras acreditam, ainda assim, numa vitória do “não” ao abandono do clube europeu.

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