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Filipe Baptista 11/01/2018
Filipe Baptista

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Game on

A última edição dos Globos de Ouro já ficou para história pelo simples facto de, pela primeira vez, o prémio de carreira Cecil B. DeMille ter sido atribuído a uma mulher de raça negra. Mas este momento poderá ainda ficar na história por representar o lançamento de uma carreira política e, quem sabe, da primeira mulher a tornar-se presidente dos Estados Unidos da América.

Lirismo e futurologia barata – poderão dizer. Mas se há coisa que a América deste milénio nos ensinou é que tudo é possível e não há ceticismos sobre qualquer matéria.

Ninguém acreditava que Obama viesse a tornar-se Presidente, assim como o ceticismo em torno da eleição de Trump era generalizada. Contas feitas, Obama tornou-se no primeiro Presidente de raça negra e Trump também, sendo que este último, temo que ficará para a história por razões menos nobres do que as de Obama.

Tudo é possível nos tempos que correm. Acredito piamente que, nos dias de hoje, o céu é o limite. Por isso, para mim, o discurso de Oprah (Orpah Gail Winfrey nome de nascimento) não foi apenas de agradecimento. Foi um claro discurso político, uma marcação de posição e um aviso à navegação. 

É certo que a base do mesmo está intimamente ligada à polémica do assédio sexual e do abuso de poder de, nas suas palavras, um grupo de homens. O discurso é forte, incisivo e deixa espaço para variadíssimas interpretações.
Quem não ouviu, ou leu, aconselho vivamente a fazê-lo. Não apenas para ajudar na compreensão desta minha teoria, mas porque nos ajuda a pensar. E um bom discurso político é, precisamente, aquele que nos faz pensar e questionar. Na mesma linha dos primeiros discursos de Obama do “Yes we can”.

Há pistas claras na mensagem de Oprah que me levam a acreditar que, mais do que uma mensagem de repúdio para com os abusos e de incentivo à campanha “Times Up”, o seu discurso foi uma afirmação pessoal e de agitação do eleitorado americano – o mesmo que levou Obama à Casa Branca.

Das diversas leituras que podemos e mensagens que podemos retirar, permitam-me apenas salientar duas. Duas mensagens objetivamente direcionadas a dois alvos que são a base de sucesso para qualquer aventura política: o povo americano e a imprensa.

A primeira mensagem centra-se na analogia que faz entre o sonho americano e a sua história de vida - da humilde sala de casa da Mãe, em Milwaukee, para o luxoso palco da Gala. Da inspiração que foi ver o primeiro artista negro a ser galardoado pelo mesmo prémio, que agora recebia. Argumentos fortes e sólidos, de quem quer promover a ideia de empowerment e que toca fundo no coração do americano simples. Acrescenta a esta ideia a solidez e a importância que a comunidade, a família e a religião têm na sociedade americana. Salientando os amigos, Stedman Graham o companheiro e, claro, uns marcantes e assertivos “Amen, Amen, Amen, Amen”.

A segunda mensagem vai para a imprensa, à qual, “(…) dou mais valor agora à imprensa do que nunca, à medida que tentamos navegar por estes tempos complicados (…)” apontando logo de seguida para a importância da verdade – um tiro certeiro a Trump.

Termina, para mim, de forma absolutamente clara e objetiva, de quem tem mais do que um simples discurso de agradecimento na ideia. “Durante demasiado tempo, ninguém ouvia ou acreditava nas mulheres que se atreviam a dizer a verdade sobre o poder desses homens. Mas o tempo deles acabou. O tempo dele acabou! “(…) quero que todas as meninas que estejam a ver saibam que um novo dia está no horizonte!”.

Ao longos dos anos Oprah construiu mais do que uma carreira. Criou um império mediático e de popularidade com base na sua generosidade e ativismo. Detém um capital de reconhecimento invejável. Depois deste discurso, carregado de simbolismo e emotividade, marcou uma posição e abriu um novo capítulo na sua própria história. Por isso Game on – Oprah 2020!

Escreve à quinta-feira

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