20/9/18
 
 
André Abrantes Amaral 11/01/2018
André Abrantes Amaral

opiniao@newsplex.pt

Caro Pedro Santana Lopes,

Ao que tudo indica o senhor será o futuro líder do PSD, o partido com mais deputados no Parlamento. Além de sobejamente conhecido o senhor tem dado mostras de conhecer bem a natureza do país que quer governar, natureza essa na qual também se revê. A razão desta minha crónica em forma de carta aberta si dirigida é, pois, outra. Prende-se em saber se está preparado para ser diferente de Guterres, Durão Barroso, Sócrates e Costa.

Portugal encontra-se numa encruzilhada porque tem uma dívida colossal, cuja resolução obriga a um enorme esforço e sacrifício, a que se soma uma maioria de esquerda social-comunista que capturou o Estado e impede qualquer alternativa que não seja o caos que, historicamente, boa parte dessa esquerda deseja. Veja-se, a título de exemplo, o que sucede no Hospital de Faro, conforme denúncia dos enfermeiros que lá trabalham: situações indignas para qualquer doente num país europeu, num país como Portugal em que os cuidados de saúde são a pedra basilar do Estado social que construímos.

Situações como esta, a par de escolas sem aquecimento ou papel higiénico, acontecem porque o governo social-comunista de António Costa usa os dinheiros públicos para pagar a sua base eleitoral de apoio em detrimento, quando necessário, dos cuidados sociais, esses sim, uma função a que, constitucionalmente, o Estado se encontra obrigado. O fim último do Estado não é pagar salários, mas prestar serviços sociais. Goste-se ou não é o que está na Constituição.    
A situação das finanças públicas é tão calamitosa que, para se manter no poder, a esquerda social-comunista pretere os que precisam em benefício dos que a apoiam. Nesta matéria o PS aprendeu com os melhores ou não fosse o comunismo pródigo neste tipo de estratégia para segurar o poder. 

Caro Pedro Santana Lopes, se quiser ser primeiro-ministro não lhes restam muitas alternativas: ou reduz a dívida ou empobrecemos; ou temos um governo PSD/CDS ou a dita maioria de esquerda refém do PCP e do BE. O clima de urgência é semelhante ao do tempo de Sá Carneiro. Do tempo daquele homem que o senhor diz tanto admirar. 
Pergunto-lhe directamente, caro Pedro Santana Lopes: está em condições para derrotar o PCP e o BE? Está em condições para governar sem endividar o país? Consegue convencer os eleitores a não se conformarem a trabalhar no Estado ou nas grandes empresas que beneficiam das ligações políticas? Tem condições para separar o Estado dos negócios? Tem condições para quebrar com a oligarquia? Consegue romper com os aristocratas? Quer respeitar uma Justiça soberana e independente? Está preparado para ser um novo Sá Carneiro ou quer só ser mais um na lista de cima?

Não basta responder que sim. Precisa de se convencer do seguinte: que se estiver, não vai ter vida fácil; se o fizer vai ter todos contra si, principalmente essa esquerda que vive do sistema que critica. Mas se não estiver disposto a isso, disposto a marcar a diferença, não vale a pena. Não vale a pena ler esta crónica nem candidatar-se, menos ainda governar o país.  

Advogado, Escreve à quinta-feira 

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