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“Nós não perseguimos pessoas”

“Nós não perseguimos pessoas”

Ricardo Castelo António Rodrigues 09/01/2018 12:05

João Lourenço não quis dar as razões para a saída de Isabel dos Santos. Mas falou em contrato lesivo do Estado no caso de Tchizé e Coréon Dú 

O presidente angolano garantiu ontem que o seu governo “não persegue pessoas” quando foi questionado sobre o afastamento dos filhos de José Eduardo dos Santos da gestão de empresas públicas. E se em relação à saída de Isabel dos Santos não quis apresentar justificação, em relação a Tchizé dos Santos e Coréon Dú falou em termos de contratos “bastante lesivos dos interesses do Estado”.

“As exonerações, regra geral, não são justificadas. O nosso país está independente há 42 anos, não me recordo de nenhum presidente ter vindo a público justificar-se porque exonerou a, b ou c”, respondeu o presidente angolano na conferência de imprensa.

“Em 42 anos foram exonerados não sei se milhares, mas pelo menos centenas de ministros, porque é que eu tenho de me justificar por ter exonerado o PCA de uma empresa pública? Isso não faço. Aliás, não é por mero acaso que, regra geral, quando as exonerações são feitas, a razão da exoneração, a que vem a público, é por conveniência de serviço. Se quer mesmo uma resposta, foi por conveniência de serviço”, disse o chefe de Estado, desatando risos na sala.
Em relação ao contrato que Tchizé dos Santos e Coréon Dú (pseudónimo de José Eduardo Paulino dos Santos) tinham para gerir o segundo canal da Televisão Pública de Angola e a TPA Internacional, João Lourenço foi mais específico, mesmo dizendo que não tinha sido ele a rescindir o contrato, mas a direção da televisão pública.

“Em primeiro lugar, eu não sou presidente da TPA, quem rescindiu contrato com a empresa que geria o canal 2 e a TPA Internacional foi a TPA. Segundo, nós não perseguimos pessoas. Tanto quanto sabemos das razões da rescisão desse mesmo contrato, é que o contrato era bastante desfavorável ao Estado”, sublinhou.

“O contrato foi assinado numa determinada conjuntura; hoje, a conjuntura é diferente, constatou-se que os contratos são bastante lesivos dos interesses do Estado. A TPA não fez outra coisa que defender os seus interesses, ou seja, os interesses do Estado”, acrescentou.

Nos últimos dias, nas redes sociais, tanto Isabel dos Santos como Tchizé dos Santos criticaram opções do governo angolano. A antiga presidente executiva da Sonangol colocou a imagem da primeira página do “Jornal de Angola” com a manchete “Empresários querem alteração da Lei do Investimento Privado” para criticar o facto de não ter sido convidada para a reunião entre o executivo e os empresários: “As mulheres angolanas continuam a lutar por um lugar na nossa sociedade. Desde a zungueira [vendedora de rua], a professora, a médica, a empresária... as mulheres angolanas têm um papel a jogar na sociedade. Uma reunião com o executivo aonde as mulheres não receberam convite... se calhar continuaremos a ser o segundo plano... e sem opinião... triste... retrocesso.”

Quanto à deputada Tchizé dos Santos, publicou um vídeo na sua página de Facebook a ensinar que”não se deve tomar nenhuma decisão sobre uma empresa sem antes fazer um levantamento do que realmente existe, qual é o estado da empresa, qual é a situação dos trabalhadores, como é o seu funcionamento. Não se deve substituir, nem demitir, exonerar, rescindir contratos com prestadores de serviços, com vendedores de bens sem antes acautelar que em seu lugar haverá outros prestadores de serviços, outros bens, outros funcionários com igual ou superior competência”.

A deputada do MPLA fala em “precipitação” e em “achincalhar, pisar, em desacreditar cidadãos honrados, trabalhadores que muito fizeram pelo país” ao decidir afastar a sua empresa e a do seu irmão da gestão dos dois canais da TPA.

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